Em meados do século passado, os bailaricos, em Lisboa, quase por regra aos fins de semana, faziam-se nalguns clubes, nos "cabarets" e, com menos frequência nos cinemas, universidades ( os do Técnico tinham fama) ou salas alugadas para o efeito. Os do Clube Alentejano e os do Ateneu e os dos santos populares, eram os preferidos pela classe estudantil.
Regra geral as mamãs acompanhavam as filhas e fiscalizavam o par onde a filha dançava, sentadas nas filas de cadeiras dispostas em redor da sala. Encontravam novos conhecimentos, comentavam a qualidade dos dançarinos, quando possível obtinham informações sobre os mancebos que enlaçavam as filhas e quase sempre as conversas das mamãs derivavam para os dramas domésticos ou para comentários sobre a vizinhaça. A classe média imperava, representada sempre pelas mulheres. Nunca vi um marido, num dêsses bailaricos. A classe rica ou alta ou como lhe queiram chamar, não frequentava o "Alentejano" , aos bailaricos chamavam bailes e organizavam-se nas casas particulares, com uma selecção muito forte dos participantes.
Eu e outros estudantes pretendíamos por vezses participar destes bailes. Na falta de convites, eu e outros amigos, todos de carteiras leves, imaginávamos mil e uma maneiras de entrar "à borla" ou de conseguir um substituto para o convite. Um dos truques que usámos duas ou três vezes foi o de, chegando á porta, um de nõs escorregar, simular uma queda aparatosa agarrando-se ao porteiro, enquanto outro ou outros de nós, apoveitando a distracção momentânea do fiscal, se esgueirava para dentro da sala.
comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Todos nós, desde que nascemos, mais ou menos conscientes, mais ou menos atilados, mais ou menos eriquecidos pelo conhecimento, todos nós temos deveres. A cumprir, a seguir, a obedecer. De bôa vontade, contrariados ou apenas seduzidos pelas circunstâncias do momento. Os caminhos da vida estão-nos sempre apontados, com limites estabelecidos pelos acasos envolventes, com as dificuldades. Nem sempre os caminhos são as rectas vias, de que nos fala Dante. Por vezes teem curvas sinuosas, elegantes, com maiores ou menores dificuldades inesperadas ou com aviso prévio.
Mas o mais importante, relacionado com os deveres que todos temos de aceitar, suportar ou rejeitar, o mais importante é que não os sintamos, que os executemos sem darmos por isso, com agrado e satisfação pelas consequências.
O nosso supremo Senhor e Criador, nas idas e vindas de todos os dias com frequência nos faz passar ao lado de pobres, pedintes, indigentes, que estendem a mão ou o cestinho, à caridade. Raro nos lembramos que também ali está o Senhor de Todas as Coisas. E, por vezes, com remorso, voltamos atrás e entregamos a nossa esmola.Êsse nosso acto, êsse nosso procedimento, se é possível classificá-lo numa escala de zero a vinte, êsse nosso acto teria a classificação de dez. Seria muito maior a nota se nem nos lembrássemos do que fizémos.
Como aquêles deveres que cumprimos de forma inconsciente.
Mas o mais importante, relacionado com os deveres que todos temos de aceitar, suportar ou rejeitar, o mais importante é que não os sintamos, que os executemos sem darmos por isso, com agrado e satisfação pelas consequências.
O nosso supremo Senhor e Criador, nas idas e vindas de todos os dias com frequência nos faz passar ao lado de pobres, pedintes, indigentes, que estendem a mão ou o cestinho, à caridade. Raro nos lembramos que também ali está o Senhor de Todas as Coisas. E, por vezes, com remorso, voltamos atrás e entregamos a nossa esmola.Êsse nosso acto, êsse nosso procedimento, se é possível classificá-lo numa escala de zero a vinte, êsse nosso acto teria a classificação de dez. Seria muito maior a nota se nem nos lembrássemos do que fizémos.
Como aquêles deveres que cumprimos de forma inconsciente.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Na Praia da Rocha
A Praia da Rocha tem surpresas destas. A quem a percorre pela primeira vez, parece que só o Criador de Todas as Coisas as possam construir. Quando atravessamos estas galerias sentimos, envolvidos e rodeados pelas rochas, que ali dentro somos diferentes, talvez pela maior frescura, talvez pelo respeito pela arquitectura do construtor, talvez pela admiração que nos suscita o equilíbrio, a simplicidade e o espectáculo do que nos envolve e do que vemos lá fora.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Depois do terramoto de 1755, da igreja de Portimão, eerigida no sécul treze, restou esta porta gótica e a parede do fundo da igreja, que resistiu porque fazia parte da antiga muralha da cidade. Esta igreja, após o terramoto, foi lentamente sendo reconstruida, muitos beneméritos para tanto contribuiram em particular o senhor Maravilhas, que ali empregou grande parte da sua fortuna.Por falta de dinheiro não conseguiu acabar a reconstrução, ficando tal como está hoje desde fins do século dezanove. Por isso esta igreja só tem um dos campanários, aguardando, até aos dias de agora que surja uma presidência da câmara que se interesse para tanto.
Nos tempos de Salazar as câmaras não tinham dinheiro para obras de restauro ou reconstrução, mal chegava para a conservação.
Mas agora, com tantas empresas que o município se empenha em desenvolver, com tanto foguetório e festarola, dá que pensar porque não se aplica nesta igreja, um monumento nacional, o equivalente, em custo, a um andar dum prédio.
Nos tempos de Salazar as câmaras não tinham dinheiro para obras de restauro ou reconstrução, mal chegava para a conservação.
Mas agora, com tantas empresas que o município se empenha em desenvolver, com tanto foguetório e festarola, dá que pensar porque não se aplica nesta igreja, um monumento nacional, o equivalente, em custo, a um andar dum prédio.
sábado, 1 de setembro de 2012
Do mar
Muito gosto eu dos rios, quase tanto como do mar. No mar nasceram os nossos mais antepassados, no mar temos imensas riquezas, alèm dos nossos parentes peixes. No mar, mesmo quando em tempestade sinto-me sempre bem disposto. O mar nunca é rancoroso: mesmo quando está zangado, termina sempre por acalmar-se, por apaziguar-se. É amigo indefectível do vento, tem com
êle uma sociedade que produz ondas variadas, na forma, no carácter, na força.Tem estradas imensass que são as correntes e produz espumas que lança ao sócio vento ou deixa nas praias. Permite que a mulher e o homem o façam aguentar com os barcos e que o conspurquem com o que lhe queiram para lá deitar. Sofre em silêncio as agressões terríveis dos óleis e outros dejectos imundos que lhes matam parte dos peixes e outros seus aliados, conseguindo eliminar a muito custo toda a poluição a que o
sujeitam.
Recebe, sempre de braços abertos, os rios que lhes trazem água doce, que o tempera.
E ainda tem muitos segredos por descobrir e muitas riquezas ignoradas.
êle uma sociedade que produz ondas variadas, na forma, no carácter, na força.Tem estradas imensass que são as correntes e produz espumas que lança ao sócio vento ou deixa nas praias. Permite que a mulher e o homem o façam aguentar com os barcos e que o conspurquem com o que lhe queiram para lá deitar. Sofre em silêncio as agressões terríveis dos óleis e outros dejectos imundos que lhes matam parte dos peixes e outros seus aliados, conseguindo eliminar a muito custo toda a poluição a que o
sujeitam.
Recebe, sempre de braços abertos, os rios que lhes trazem água doce, que o tempera.
E ainda tem muitos segredos por descobrir e muitas riquezas ignoradas.
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