- Espera, espera, já sairam os dois prémios maiores, já só fal...- E Fernanedo interrompeu a resposta, olhando fixamente para o televisor. E poucos segundo depois gritou para Julia, que se afastara:
- Julia, Julia, saíu-nos o terceiro prémio, tem o mesmo número do nosso bilhete!
Julia regressou à sala, correndo, dizendo:
- Tens a certeza, Fernando? Confere bem. De quando é esse prémio, vinte mil contos?
Fernando pegou no bilhete e viu, no verso duma das cautelas, que quantia obteria com o terceiro prémio:
- São mil contos, Julia, olha que não houve qualquer outro sonho anunciando-me outros vinte mil contos!
Julia pegou no bilhete, confirmou o valôr do prémio e interrogou o marido:
- Que vamos fazer com este dinheiro?
- Nem pensei ainda nisso, que achas? - E Julia respondeu:
- Parece-me que deves ser tu a resolver...
Aí Fernando recordou a agradáel e profunda impressão que sentira após entregar ao empregado de mesa aqueles cem contos do prémio do totoloto. Sensação que decerto se repetiria com esta nova oferta.Talvez aumentasse o prazer de dar. Lembrou-se que lera, numa citação, que o prazer de dar não tem limites, não diminui nem se transforma em tédio ou apatia. Que o prazer repetido de dar, não se transforma em vício ou qualquer perversão. Que quanto mais damos, mais sentimos ter aumentado algo de bom no nosso interior. Decidiu-se:
- Distribui-lo-ei - Declarou Fernando - e Julia, se quizeres, poderás colaborar.
Durante o almoço conversaram animadamente sobre o prémio e sobre a distribuição a efectuar, como fazê-la, como iniciá-la:
- Nada nos custará encontrar gente pobre, mil contos distribuiem-se num instante - disse Fernando enquanto deitava vinho no copo de Julia.
Até podemos começar na fábrica, temos lá gente muito necessitada, com brandes problemas. Lembras-te do modelador de que te falei ontem, lembras-te?
(continua)
comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Avarias
Uma avaria no computador que eu tinha, já velhinho, com mais cabelos brancos que eu, impediu-me de enviar mensagens e o folhetim "Sonho de sorte" desde sexta-feira até hoje. Irei tentar recuperar, a partir de hoje. E, com alguma tristeza troquei aquele por um computador novo, um quase portátil...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Sobre piegas e pieguices
A jornalista Maria José Oliveira no seu artigo de hoje no "Público"relatou um bloco de frases que o sr. primeiro ministro Pedro Passos Coelho proferiu na sua visita às escolas do grupo Pedago em Odivelas. Realçou o adjectivo "piegas" que o sr. primeiro ministro empregou e o assunto da não tolerância de ponto na próxima terça-feira de carnaval. Numa segunda parte do seu artigo referiu a indignação e os comentários acerbos de diversos comentadores das oposições parlamentares ao PSD.
Porém, a sr,ª jornalista Maria José Oliveira, embora tenha estruturado e redigido com acerto o seu artigo, em nossa opinião deveria também ter fornecido uma definição mais esclarecedora do que entende pelo adjectivo "piegas"inserido na frase que o sr. primeiro ministro proferiu, dentro do contexto em que o governanete falou e do ambiente onde se situava.
O adjectivo "piegas", segundo o dicionário da Academia de Ciências de Lisboa, significa qualidade de " pessoa que se queixa por coisas sem importância, pessoa que é receosa, que se assusta com pequenas coisas" ou ainda de "pessoa excessivamente sentimental". E "pieguice" segundo o mesmo dicionário, significa "sentimentalismo excessivo, lamechas, comportamento infantil".
Não nos parece,portanto, que o sr. primeiro ministro se quizesse referir ao pòvo português e muito menos às classes trabalhadoras quando disse, falando para os alunos daquelas escolas, "... então devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas". Pareceu-me constituir mais um incentivo para os que o esciutavam e a quem se dirigia - os alunos - e não um insulto aos pòvo português, ou às suas classes trabalhadoras.
Uma dona de casa, quando diz para a empregada doméstica "Maria, não devcmos limpar tão mal a carpete" decerto que não está acusando todo o pôvo português de limpar mal as carpetes.
As razões de toda esta celeuma àcerca duma ninharia ridícula, não são difíceis de perceber.
E agora não digam que eu estou chamando ridiculo ou estupido a todo o pòvo português...
Porém, a sr,ª jornalista Maria José Oliveira, embora tenha estruturado e redigido com acerto o seu artigo, em nossa opinião deveria também ter fornecido uma definição mais esclarecedora do que entende pelo adjectivo "piegas"inserido na frase que o sr. primeiro ministro proferiu, dentro do contexto em que o governanete falou e do ambiente onde se situava.
O adjectivo "piegas", segundo o dicionário da Academia de Ciências de Lisboa, significa qualidade de " pessoa que se queixa por coisas sem importância, pessoa que é receosa, que se assusta com pequenas coisas" ou ainda de "pessoa excessivamente sentimental". E "pieguice" segundo o mesmo dicionário, significa "sentimentalismo excessivo, lamechas, comportamento infantil".
Não nos parece,portanto, que o sr. primeiro ministro se quizesse referir ao pòvo português e muito menos às classes trabalhadoras quando disse, falando para os alunos daquelas escolas, "... então devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas". Pareceu-me constituir mais um incentivo para os que o esciutavam e a quem se dirigia - os alunos - e não um insulto aos pòvo português, ou às suas classes trabalhadoras.
Uma dona de casa, quando diz para a empregada doméstica "Maria, não devcmos limpar tão mal a carpete" decerto que não está acusando todo o pôvo português de limpar mal as carpetes.
As razões de toda esta celeuma àcerca duma ninharia ridícula, não são difíceis de perceber.
E agora não digam que eu estou chamando ridiculo ou estupido a todo o pòvo português...
Folhetim - Sonho de sorte - 29
X
Catorze anos depois.
A vida de Fernando prosseguia: rotinas intemeadas com surpresas, mais ou menos agradáveis, dedicação, sem excessos, às obrigações diárias e trabalho profissional constiuindo mais uma ocupação proveirosa do que um típico emprego do ganha vida. Sentia-se quase sempre divertido com os acidentes ocorridos na fábrica, fossem agradáveis, fossem motivo de preocupações - porque estas encarava-as como problemas curiosos a resolver. Nenhum obstáculo existia que não tivesse uma solução fácil , de aplicação imediata, de acordo com o que o seu espírito definira como norma. Razão pela quel o seu chefe, o doutor Fonseca, director e maior accionista da empresa, sempre lhe pedia opinião sobre os problemas que dia a dia surgiam na fábrica, aceitando com frequência os pareceres de Fernando e transformando-os em luninossas ideias próprias, atitude muito usual nos patrões da época.
Fenando casara treze anos antes com Julia, economista de formação, trabalhando na mesma empresa que o marido. Tinham dois filhos já rapazes, de dez e doze anos e um grupo reduzido de amigos. De boas relações com pais e sogros, ainda vivos, Fernansd desfrutava plenamente do lar e da vida familiar. Assim, na vida do casal raramente ocorriam perturbações desgradáveis ou sobressaltos inopinados. Quando surgiam, eram resultantes de causas estranhas ao lar e Julia e Fernando encontravam soluções rápidas.
Eentretando apareceram aqueles sonhos e toda a confusão gerada pelo prémio dos vinte mil contos. Que, no fim de contas, não se traduziu em qualquer prémio.
Depois, o prémio dos cem contos, oferecido ao empregado de mesa do restaurante, Agora, era grande a expectativa, andava a roda ao meio dia e Fernando, aguardando a chegada de Julia, ligou a televisão para assistir ao anúncio da lotaria. Abriu, na sua frente, o bilhete de lotaria que comprara. Aquela emissora de televisão apresentava as costumadas reportagens de desastres, crimes e acidentes que as radio-televisões tanto apreciam emitir nos noticiários. Por fim, começou o relato da extracção dos números premiados na lotaria da Santa Casa.
A impaciência de Fernando foi, alguns minutos depois, cortada pela chegada de Julia:
- Então marido, já te saíu a sorte grande?
(continua)
Catorze anos depois.
A vida de Fernando prosseguia: rotinas intemeadas com surpresas, mais ou menos agradáveis, dedicação, sem excessos, às obrigações diárias e trabalho profissional constiuindo mais uma ocupação proveirosa do que um típico emprego do ganha vida. Sentia-se quase sempre divertido com os acidentes ocorridos na fábrica, fossem agradáveis, fossem motivo de preocupações - porque estas encarava-as como problemas curiosos a resolver. Nenhum obstáculo existia que não tivesse uma solução fácil , de aplicação imediata, de acordo com o que o seu espírito definira como norma. Razão pela quel o seu chefe, o doutor Fonseca, director e maior accionista da empresa, sempre lhe pedia opinião sobre os problemas que dia a dia surgiam na fábrica, aceitando com frequência os pareceres de Fernando e transformando-os em luninossas ideias próprias, atitude muito usual nos patrões da época.
Fenando casara treze anos antes com Julia, economista de formação, trabalhando na mesma empresa que o marido. Tinham dois filhos já rapazes, de dez e doze anos e um grupo reduzido de amigos. De boas relações com pais e sogros, ainda vivos, Fernansd desfrutava plenamente do lar e da vida familiar. Assim, na vida do casal raramente ocorriam perturbações desgradáveis ou sobressaltos inopinados. Quando surgiam, eram resultantes de causas estranhas ao lar e Julia e Fernando encontravam soluções rápidas.
Eentretando apareceram aqueles sonhos e toda a confusão gerada pelo prémio dos vinte mil contos. Que, no fim de contas, não se traduziu em qualquer prémio.
Depois, o prémio dos cem contos, oferecido ao empregado de mesa do restaurante, Agora, era grande a expectativa, andava a roda ao meio dia e Fernando, aguardando a chegada de Julia, ligou a televisão para assistir ao anúncio da lotaria. Abriu, na sua frente, o bilhete de lotaria que comprara. Aquela emissora de televisão apresentava as costumadas reportagens de desastres, crimes e acidentes que as radio-televisões tanto apreciam emitir nos noticiários. Por fim, começou o relato da extracção dos números premiados na lotaria da Santa Casa.
A impaciência de Fernando foi, alguns minutos depois, cortada pela chegada de Julia:
- Então marido, já te saíu a sorte grande?
(continua)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Folhetim - Sonho de sorte - 28
- Não, os meus pais trabalham em Portalegre, num banco. Dentro de pouco tempo viremos viver par Lisboa. Viemos alugar casa, com tanta sorte que de manhã encontrámos um apartamento catita. Estamos aqui porque nos sobrou tempo e os pais resolveram vir almoçar a Sintra- E Fernando, após alguns segundos de reflexão :
- Julia, acedita que as conincidências fazem parte do destino? -.E Julia respondeu ,falando devagar:
- Não sei, não sei se o destino força as coincidências, não sei se somos nós que as forçamos, não sei sequer se há destino, se temos o destino marcad, como diz um fado antigo...
- Com essa bonita voz tenho que ouvi-la cantar esse faso - disse Fernando.
- Não, não sei cantar e muiio menos o fado. E ^você, canta?
- Tambem não sou fadista, no entanto, para si até seria capaz, em "playback"..
O pai Silvestre interrompeu-os, anunciando:
- Desculpem-me, temos de voltar para Lisboa, uns amigos esperam-nos para jantar.
#######
Um autor conhecido disse que não tinha surpresas, não existiam surpresas para ele e que quem as tem manifesta puca presença de espírito. Não concordo. Ele decerto não se referia às surpresas, digamos, materiais, as dos sustos, como a do rebentar duma bomba ao nossso lado ou apanharmos em encontrão inesperado. É provável que se referisse ao pasmo, ao assombro, ao espanto por algo que contenha dose considerável de imprevisto. As surpresas fazem parte da vida, penso que estão inseridas no sentido da vida. Quer as surpresas momentâneas como encontrar na rua quem supúnhamos muito longe e de quem sentíanos saudade, ainda que atenuada pela distância; quer as contínuas e progressivas mudanças que o tempo nos proporciona ao sentirmos, por exemplo, a evolução magnífica da vida dos nossos filhos.
Tambem fazem parte da vida as surpresas desagradáveis. É provável que os que sofrem de dificuldades nas análises e pouca presença ou concentração do raciocínio, sintam apenas estas últimas e que as outras, as agradáveis, não lhes firam a sensibilidade.
Nós, porém, sentimos que todas são complementos importantes da vida.
- Julia, acedita que as conincidências fazem parte do destino? -.E Julia respondeu ,falando devagar:
- Não sei, não sei se o destino força as coincidências, não sei se somos nós que as forçamos, não sei sequer se há destino, se temos o destino marcad, como diz um fado antigo...
- Com essa bonita voz tenho que ouvi-la cantar esse faso - disse Fernando.
- Não, não sei cantar e muiio menos o fado. E ^você, canta?
- Tambem não sou fadista, no entanto, para si até seria capaz, em "playback"..
O pai Silvestre interrompeu-os, anunciando:
- Desculpem-me, temos de voltar para Lisboa, uns amigos esperam-nos para jantar.
#######
Um autor conhecido disse que não tinha surpresas, não existiam surpresas para ele e que quem as tem manifesta puca presença de espírito. Não concordo. Ele decerto não se referia às surpresas, digamos, materiais, as dos sustos, como a do rebentar duma bomba ao nossso lado ou apanharmos em encontrão inesperado. É provável que se referisse ao pasmo, ao assombro, ao espanto por algo que contenha dose considerável de imprevisto. As surpresas fazem parte da vida, penso que estão inseridas no sentido da vida. Quer as surpresas momentâneas como encontrar na rua quem supúnhamos muito longe e de quem sentíanos saudade, ainda que atenuada pela distância; quer as contínuas e progressivas mudanças que o tempo nos proporciona ao sentirmos, por exemplo, a evolução magnífica da vida dos nossos filhos.
Tambem fazem parte da vida as surpresas desagradáveis. É provável que os que sofrem de dificuldades nas análises e pouca presença ou concentração do raciocínio, sintam apenas estas últimas e que as outras, as agradáveis, não lhes firam a sensibilidade.
Nós, porém, sentimos que todas são complementos importantes da vida.
O raio verde( dedicado à nossa filha Maria Paloma)
Há muitos anos nasceu uma estrela
Dentro duma nebulosa muito mais tarde conhecida
E apelidada pelos homens de Via Láctea
Do seio dessa estrela saltaram pequenas fagulhas
Que se conservaram como muitas outras
Em permanente rotação, em permanente caminho
Pelo espaço, à volta da mãe estrela
Que até hoje permanece incandescente
Apagaram-se fagulhas, no espaço gelado
Os maiores dos seus núcleos secos
Continuarama durante esses milhões de anos
Caminhando à volta da mãe estrela
A que os homens deram o nome de Sol
Esta é uma das teorias da origem da nossa morada
Que há alguns milénios os seus habitantes
Decidiram chamar pelo nome de Terra
Nos seus movimentos de rotação à volta do Sol
Metade da Terra está sempre iluminada por ele
A outra metade permanece às escuras
Todavia antes que o Sol apareça de novo
A metade da Terra às escuras
Pouco a pouco vai sendo inundada
Por penumbra que clareia mais e mais
Até que o Sol desponta de novo no horizonte
Porém, durante esses minutos da luz matutina
E antes que o Sol comece a aquecer tudo o que ilumina
Por vezes, nalgumas regiões da Terra
Acontece um fenónemo que maravilha
Os que têm a dita de o observar
Seja no hemisfério norte seja no do sul
São grandes manchas ou nuvens multicores
E até por vezes um raio verde, em pleno céu azul.
Contaram-me que em muitas regiões da Terra
Acontece por vezes um facto raro:
Numa ou outra cidade, num ou noutro local
No crepúsculo matutino, andando pelo horizonte
Surge a maravilha daquele raio, de cor viva, constante
E que as crianças nascidas no mesmo dia
(Uma delas aquela a quem dedico este poema)
Trouxeram ao mundo olhos de cor verde, bem brilhante.
Dentro duma nebulosa muito mais tarde conhecida
E apelidada pelos homens de Via Láctea
Do seio dessa estrela saltaram pequenas fagulhas
Que se conservaram como muitas outras
Em permanente rotação, em permanente caminho
Pelo espaço, à volta da mãe estrela
Que até hoje permanece incandescente
Apagaram-se fagulhas, no espaço gelado
Os maiores dos seus núcleos secos
Continuarama durante esses milhões de anos
Caminhando à volta da mãe estrela
A que os homens deram o nome de Sol
Esta é uma das teorias da origem da nossa morada
Que há alguns milénios os seus habitantes
Decidiram chamar pelo nome de Terra
Nos seus movimentos de rotação à volta do Sol
Metade da Terra está sempre iluminada por ele
A outra metade permanece às escuras
Todavia antes que o Sol apareça de novo
A metade da Terra às escuras
Pouco a pouco vai sendo inundada
Por penumbra que clareia mais e mais
Até que o Sol desponta de novo no horizonte
Porém, durante esses minutos da luz matutina
E antes que o Sol comece a aquecer tudo o que ilumina
Por vezes, nalgumas regiões da Terra
Acontece um fenónemo que maravilha
Os que têm a dita de o observar
Seja no hemisfério norte seja no do sul
São grandes manchas ou nuvens multicores
E até por vezes um raio verde, em pleno céu azul.
Contaram-me que em muitas regiões da Terra
Acontece por vezes um facto raro:
Numa ou outra cidade, num ou noutro local
No crepúsculo matutino, andando pelo horizonte
Surge a maravilha daquele raio, de cor viva, constante
E que as crianças nascidas no mesmo dia
(Uma delas aquela a quem dedico este poema)
Trouxeram ao mundo olhos de cor verde, bem brilhante.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Folhetim - Sonho de sorte - 27- autor Alberto Quadros
Fernando fez-se erudito e inventou:
- Napoleão conheceu Josefina e casou com ela no dia seguinte...
Manuel Silvestre, que já se interessava pela conversa, atalhou, brincando com o assunto: -
- Fernando, parece-me que exagerou, Josefina casou-se com Napolão no mesmo dia em que o conheceu...
- Se estivesse agora entre amigos de longa data, eu diria que iria aproveitar a primeira oportunidade para seguir o exemplo de Napoleão..-disse Fernando.Mas Catarina, implacável:
- Fernando deixe de conversar com os meus pais, a nós que nos diz?
- Digo que vou pensar até amanhã sobre o assunto e assim tenho uma justificação para vos pedir número do vosso telefone e para vos ver outra vez!
Fernando ficou um pouco aturdido pela audácia da resposta que tinha dado. Julia desviara-lhe o raciocínio, perturbara-lhe a razão, reduzira a delicadeza, o cuidado, a cortesia que devia a uma família que conhecera momentos antes e da qual desconhecia tudo. Pensava, ao retomar consciência, que nunca mais iria ver Júlia. Sentia o coração bater célere, procurava com enorme ânsia as palavras que pudessem compor o ramalhete de fraca figura, das palavras impensadas, apressadas que proferira para a família Silvestre. Nestas condições, se não há um aliado amigo, incondicional, que nos auxilie, se estamos sós, se nos sentimos como o aluno que se apresenta a exame sem ter estudado e escuta, desvairado, bloqueado, as sucessivas perguntas do professor sobre a matéria desconhecida, nestas condições, o embaraço é grande e agudo, os gestos e expressão denunciam-nos, tememos que os nossos ouvintes comecem a divertir-se connosco, sentimos que o ridículo nos atinge. Julia, porem, vendo-o confundido, foi em seu auxílio:
- Não há problema, empreste-me a sua esferográfica, dê-me um papel, pode ser aqui mesmo, neste guardanapo. - E Júlia, depois de escrever o número de telefone, entregou-lhe o guardanapo de papel. E Fernando disse: - Julia, agradeço-lhe muito...Mas, tambem vivem em Lisboa? (continua)
- Napoleão conheceu Josefina e casou com ela no dia seguinte...
Manuel Silvestre, que já se interessava pela conversa, atalhou, brincando com o assunto: -
- Fernando, parece-me que exagerou, Josefina casou-se com Napolão no mesmo dia em que o conheceu...
- Se estivesse agora entre amigos de longa data, eu diria que iria aproveitar a primeira oportunidade para seguir o exemplo de Napoleão..-disse Fernando.Mas Catarina, implacável:
- Fernando deixe de conversar com os meus pais, a nós que nos diz?
- Digo que vou pensar até amanhã sobre o assunto e assim tenho uma justificação para vos pedir número do vosso telefone e para vos ver outra vez!
Fernando ficou um pouco aturdido pela audácia da resposta que tinha dado. Julia desviara-lhe o raciocínio, perturbara-lhe a razão, reduzira a delicadeza, o cuidado, a cortesia que devia a uma família que conhecera momentos antes e da qual desconhecia tudo. Pensava, ao retomar consciência, que nunca mais iria ver Júlia. Sentia o coração bater célere, procurava com enorme ânsia as palavras que pudessem compor o ramalhete de fraca figura, das palavras impensadas, apressadas que proferira para a família Silvestre. Nestas condições, se não há um aliado amigo, incondicional, que nos auxilie, se estamos sós, se nos sentimos como o aluno que se apresenta a exame sem ter estudado e escuta, desvairado, bloqueado, as sucessivas perguntas do professor sobre a matéria desconhecida, nestas condições, o embaraço é grande e agudo, os gestos e expressão denunciam-nos, tememos que os nossos ouvintes comecem a divertir-se connosco, sentimos que o ridículo nos atinge. Julia, porem, vendo-o confundido, foi em seu auxílio:
- Não há problema, empreste-me a sua esferográfica, dê-me um papel, pode ser aqui mesmo, neste guardanapo. - E Júlia, depois de escrever o número de telefone, entregou-lhe o guardanapo de papel. E Fernando disse: - Julia, agradeço-lhe muito...Mas, tambem vivem em Lisboa? (continua)
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