comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
O que é que não fiz
Mas o que é que não fiz para estar aqui
Como se dispuseram os astros no meu destino
Onde me encontrei antes de regressar
Das circunvalações emaranhadas dos adeus perdidos
Onde ficou registado o meu deve e haver
Para onde estou condenado a seguir
Onde está o arco-íris que habitei
Onde deixaram a jaula onde me confessei?
Desconheço as nuvens que percorri
Lembro-me da cara fresca, de aspeto intrigado
Que me mostraste quando te conheci
Eramos crianças, ficámos admirados
Tu com as tuas tranças,
Eu com o cabelo rapado
E o teu tão bonito, naquele frisado
Onde eu via tudo, até via o mar.
E hoje continuamos
Com fé incontida
A nos dar as mãos
A brincar às escondidas
Naquele quarto escuro
Sem paredes e portas
Do nosso passado
domingo, 26 de outubro de 2014
Desperdícios de tempo
Estou convencido que quando temos consciências do minuto que passa com agrado, quando sentimos que o estamos vivendo com deleite, estou convencido que o tempo se duplica. Que esse minuto passa a durar dois ou três ou muitos mais minutos. E, pelo contrário, também creio que um minuto mal vivido, é um desperdício de tempo. O que se dá quando estamos vendo e escutando e aturdindo-nos com um desses filmes horrendos que as TVs nos pespegam nos nossos aparelhos, sem pagar aluguer, sem nos pagar o tempo perdido. Que os vemos porque queremos, o que não é verdade. Essa droga em que estamos metidos, que se insinuou em milhões de seres por todos o mundo, serve--se de artifícios sub-reptícios para nos engajar, aliciando-nos com alguns raros programas culturais, entrevistas de interesse, por vezes de comentários contratados para que aguentemos a publicidade mais ou menos enganosa, notícias da atualidade - dum modo geral da atualidade mais tenebrosa e dos filmes que atraem as massas de espetadores.
Mais uma maneira do senhor dinheiro imperar.
Estou convencido que quando temos consciências do minuto que passa com agrado, quando sentimos que o estamos vivendo com deleite, estou convencido que o tempo se duplica. Que esse minuto passa a durar dois ou três ou muitos mais minutos. E, pelo contrário, também creio que um minuto mal vivido, é um desperdício de tempo. O que se dá quando estamos vendo e escutando e aturdindo-nos com um desses filmes horrendos que as TVs nos pespegam nos nossos aparelhos, sem pagar aluguer, sem nos pagar o tempo perdido. Que os vemos porque queremos, o que não é verdade. Essa droga em que estamos metidos, que se insinuou em milhões de seres por todos o mundo, serve--se de artifícios sub-reptícios para nos engajar, aliciando-nos com alguns raros programas culturais, entrevistas de interesse, por vezes de comentários contratados para que aguentemos a publicidade mais ou menos enganosa, notícias da atualidade - dum modo geral da atualidade mais tenebrosa e dos filmes que atraem as massas de espetadores.
Mais uma maneira do senhor dinheiro imperar.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Estou sentindo que o meu intelecto está desconstruído com anedotas e com receitas de cozinha, agora que os concursos de cozinha estão na moda cada dia que passa desaparece uma das receitas antigas como o bacalhau à Bulhão Pato, ameijoas à Bulhão Pato, qualquer coisa e muita coisa à Bulhão Pato, que era uma senhor amante das letras, que de pato, de galinha ou de burro nada tinha, mas que inventava e comunicava à sua tertúlia de amigos e inimigos receitas que perduraram até hoje, como as sobrecujas e sobreditas, que ainda se mantêm no anonimato conhecido por toda a gente mas que ninguém confessa,nem segreda. No tempero é que está o ganho, a mostarda que não sabe a mostarda é aquela mostarda especial que não tem mostarda mas que sabe a mostarda e que mantem todas as vitaminas do ruibarbo, do mexilhão e da alcachofra. O que foi autenticado pela análise de água, pela observação com microscópio electrónico, e pela desconfirmação efectuada pelos sete sábios que vivem na lua nova.
Não concordo com o novo desacordo ortográfico, nem com a dialética parnesiana e panteista dos
distintos deputados da oposição deles.
Não concordo com o novo desacordo ortográfico, nem com a dialética parnesiana e panteista dos
distintos deputados da oposição deles.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Só sabios...
Anda pelo nosso país uma gentinha avarenta, relapsa, contumaz, que se mantem silenciosa apenas referindo que tem soluções para todos as males que assolam Portugal, não os referindo, explicando e comunicando que não é oportuna a sua divulgação, poderão os ouvintes adotar interpretações defeituosas, que poderão deturpa-las por execução deficiente.
Fazem-me lembrar aquele ilustre professor que, referindo-se a um congresso onde tinha comparecido, declarava com ênfase: "só sábios éramos sete. E entre todos o que mais brilhou foi um que a modéstia me impede de mencionar".
Fazem-me lembrar aquele ilustre professor que, referindo-se a um congresso onde tinha comparecido, declarava com ênfase: "só sábios éramos sete. E entre todos o que mais brilhou foi um que a modéstia me impede de mencionar".
A nossa vidinha
A vidinha que levámos constou de sucessos, alegrias, prazeres entremeados de alguns desaires, azares, problemas. Mas se formos honestos teremos de concordar que disfrutamos do que dispusemos, nos anos que decorreram desde que nascemos até hoje, de incontáveis benesses, inúmeras situações felizes, incontáveis acontecimentos favoráveis. Pouco sabemos agradecer a quem cá nos colocou, ao sabor das condições do planeta que o destino nos presenteou para vivermos.
No entanto não podemos esquecer, assobiar para o lado, encolher os ombros perante as agruras por que passam tantos que nos acompanham por cá, menos contemplados pelo destino. É muito fácil dizer "elas e eles que se desenrasquem, não tenho nem sinto culpa das diferenças, se a elas ou eles a vida lhes corre mal, o Senhor lá terá as suas razões, são imperscrutáveis os seus desígnios, talvez noutra vida estejam melhor. E outras "plaisanteries" semelhantes. Não. Eu não esqueço nem me sinto indiferente sobre todos os que estão pior do que eu, dos que passaram pior do que eu, dos que sofrem do frio da fome, de torturas de injustiças. Embora encontre as tais justificações para tantas diferenças, embora encontre muitas razões que podem justifica-las, embora o comodismo tente levar-me para uma indiferença insensível, sempre procuro encontrar razões para tantas diferenças.
Uma das conclusões a que sempre chegue, procurando que não me ofusque a honestidade devida, uma das razões é a de que tem sido o homem a criar as condições nefastas que tocam tantos dos seus semelhantes. A mulher e o homem das cavernos, pelo que sabemos ou imaginamos das suas vidas, tinha uma vida saudável, o seu emprego resumia-se ao aproveitamento dos recursos naturais para
se alimentar e abrigar. As famílias cresciam, nasciam as desavenças, os conflitos, as guerras. E a partir daí, os humanos forma inventando mais e mais motivos para desavenças, para conflitos, para guerras.
É o que nos conta toda a história .
Mas que não chega para justificar o tal encolher de ombros.
No entanto não podemos esquecer, assobiar para o lado, encolher os ombros perante as agruras por que passam tantos que nos acompanham por cá, menos contemplados pelo destino. É muito fácil dizer "elas e eles que se desenrasquem, não tenho nem sinto culpa das diferenças, se a elas ou eles a vida lhes corre mal, o Senhor lá terá as suas razões, são imperscrutáveis os seus desígnios, talvez noutra vida estejam melhor. E outras "plaisanteries" semelhantes. Não. Eu não esqueço nem me sinto indiferente sobre todos os que estão pior do que eu, dos que passaram pior do que eu, dos que sofrem do frio da fome, de torturas de injustiças. Embora encontre as tais justificações para tantas diferenças, embora encontre muitas razões que podem justifica-las, embora o comodismo tente levar-me para uma indiferença insensível, sempre procuro encontrar razões para tantas diferenças.
Uma das conclusões a que sempre chegue, procurando que não me ofusque a honestidade devida, uma das razões é a de que tem sido o homem a criar as condições nefastas que tocam tantos dos seus semelhantes. A mulher e o homem das cavernos, pelo que sabemos ou imaginamos das suas vidas, tinha uma vida saudável, o seu emprego resumia-se ao aproveitamento dos recursos naturais para
se alimentar e abrigar. As famílias cresciam, nasciam as desavenças, os conflitos, as guerras. E a partir daí, os humanos forma inventando mais e mais motivos para desavenças, para conflitos, para guerras.
É o que nos conta toda a história .
Mas que não chega para justificar o tal encolher de ombros.
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