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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sei não

       Vou deixar de fazer aquilo - tanta coisa! - que não fiz, aplicar-me com denodo às batalhas perdidas e nunca travadas, estou nesse campo com o meu cavalo pigarço, a galope suave ou a trote modesto, a caminho do passado, sem qualquer incómodo, sem pensar no futuro e apenas esquecendo outra vez, tudo o que esqueci no dia de amanhã.
As circunvalações do cérebro, não sei se sabem, são tantas como as dos intestinos, as reacções aos alimentos espirituais são semelhantes às reacções aos alimentos que a mesa familiar, o orçamento e as decisões da nossa chefa de família, decidem.
Não pretendo dar uma lição de anatomia; mas não se esqueçam que para um rio ter água, esta terá de nascer ou cair de algum sítio, nem que seja do regador que o nosso Criador empunha de vez em quando, sempre que está bem disposto. A que vem tudo isto a propósito? Sei não, como dizem os angolanos. Ou os brasileiros.
          As expressões que o povo inventa para facilitar a compreensão dos artistas e dos patrícios, têm sempre a base da experiências mais ingénua, por vezes até derivando da língua de trapos duma criança, tantas vezes arremedada pelos amigos ocasionais, pelas amas, pelos pais, estes em jeito da gracinha dos meninos.

terça-feira, 29 de novembro de 2016



A arte de defenestrar

Para que saibam os meus desconhecidos leitores e os ignorantes comentadores do alheio meu, vou ocupar-me despreocupadamente - lindo adverbio de modo (insano) - em defenestrar das minhas águas furtadas ( tenho três assoalhadas , três casas de banho e uma esposa linda), em que vivo, como ia dizendo, como soe dizer-se ou como queiram dizer sem ser para aqui chamados, ditos ou mal pagos, todavia (porque será que deixaram de usar esta proposição digo preposição, proposição é uma coisa feia quando é feita fora do lar conjugal,ou estarei enganado?)fiquem sabendo, já que falaram disso, eu devo alguma coisinha a alguém e a modos daquele grego  Tsipras ou como raio se chama , a modos dele eu vou-lhe exigira pagar-lhe o que lhe devo até ao ano dois mil cento e quarenta e três nesse ano comemoraremos a nossa independência e a minha dependência da minha esposa e dos meus descendentes que, segundo a pitonisa que eu sempre consulto, segundo ela terei nessa altura, comprimento e largura de vistas, mais ou menos 2748 descendentes e eles terão um antepassado vivinho e fresco porque sempre fiz a dieta da beterraba, do manjericão e do tal do chocolate que tenho sempre na gaveta da mesa de cabeceira para o que der e comer. E , como ia dizendo, ao meu credor pedirei mais uns cobrezinhos emprestados, exigindo-lhe que me perdoe a dívida antiga e esta de agora e que não me fique devendo o que lhe peço emprestado, não queira ser apontado como antidemocrata. 
E descansem, satisfazendo a vossa curiosidade, informo-vos que jamais defenestrarei o defenestrado.    

segunda-feira, 28 de novembro de 2016



Dizer asneiras
Tenho esta mania de fazer ou dizer asneiras, aparafusar para a esquerda, martelando no dedo, perdoar a quem não me ofende, entrar pela porta para dentro, andar à chuva sem e molhar, escrever chucha em vez de chuva como antes ia fazer, mas não gostaria eu de amgora ter e agarrar a chucha, uma chucha das antigas, não eram de plástico os plásticos ainda estavam dentro dos petróleos e os petróleos à espera de que aparecesse aquela telenovela sobre a vida exemplar dum magnata do petróleo, onde é que eu ia, ah! já sei, ia na chucha, esta mania que tem a gente de pensar e lembrar a chucha, na realidade estamos bem necessitados de ser governados por um Stipras ou lá que raio de nome

grego tem aquele grego que quis saber com um referendo quantos gregos são patriotas e nada mais que pouco mais de sessenta por cento deles assim o são, cá na nossa casa portuguesa com certeza, eu e o meu parente Costa, temos um mesmo trisavô, ou seria um pentavô? isto de altos pergaminhos a mim ninguém me vence, mas como ia dizendo sobre andar à chuva e não fechar a porta para entrar isso é cá comigo, se quiserem eu pedirei um subsídio para a formação de desempregados, porque formar empregados é muito fácil, difícil, difícil é formar desempregados para que facilmente continuem desempregados, deveria ser promulgada uma lei que obrigasse e impusesse a

obrigação( que são coisas diferentes) de qualquer governo estabelecer cursos superiores de desemprego, cumprindo o estabelecido num decreto impar( ou par, para variar) do parlamento europeu, entre outros artigos e dois preâmbulos de 739 páginas, uma de cada um dos deputados daquele parlamento,  que definisse em quarenta e sete directivas esse curso de cinco anos do desemprego básico, com um estágio obrigatório no fundo de emprego chinês. Mas, voltando à vaca fria(vejam na Internet o que é isto da vaca fria) esta mania de não asneirar que não é o mesmo que não fazer asneiras, deixa-me hesitante, se hei-de levar a minha sombra à frente da tua ou ao lado da outra.
Há por aí quem me dê emprego? Sei fazer uma data de coisas com as mãos, algumas com os pés, poucas com a cabeça, tirei uma data de cursos não digo quais para que não me chamem de petulante, vaidoso, ou "mentiroso relapso e contumaz" como um dia chamaram a um distinto senhor que não tinha ou não tem culpa de o ser.
Isso de ser político tem as suas vantagens.

Vou remar contra a maré? que disparate.! Eu aproveito todas as marés, as da vida, as da alegria, as da saúde. Para quê essa hipocrisia de remar contra a maré, como o outro Não, não remarei contra a maré, vou plácido e sereno,  na corrente, assim entro no porto descansado, refrescado, fresco de corpo e de espírito, sem preocupações, que são ocupações muita néscias, muito parvas, quase sempre com o carimbo de inutilidades perversas . E não há menor prazer, maior sensaboria que entretermos- nos com inutilidades, quase sempre o reverso perverso  de nada.
Mas também não quero pertencer ao universo da Maria vai com as outras, antes encontrar uma Maria que vá comigo, não, esqueçam isto. isto não se confessa nem se deve hipotesar - que tal acham este verbo que inventei agora, na moda em que estamos de acordos ortográficos a torto e a direito, ponham lá, se fazem favor, mais este verbo no dicionário, não confundindo com hipotecar, uma palavra vetusta, antiga, de pergaminhos consagrados no auxílio de gregos e de troianos e portugueses para remendar as finanças depauperadas pela gozo da vida alegre a que todos, mas todos sim senhor, temos direito.
Está na hora da maré virar, das reinvindicações. Vou aproveitar.
Hipotesar: verbo transitivo, levantar hipóteses, vem do latim hipotesae ou hipotesabus, também se diz da pessoa que está com hipo, com garganta ou falar desonesto.. Verbo proposto à Academia das Ciências em Portimão, na data de onze de Julho de 2015, com 40 graus à sombra.

domingo, 27 de novembro de 2016


      
      Sei não
      Vou deixar de fazer aquilo - tanta coisa! - que não fiz, aplicar-me com denodo às batalhas perdidas e nunca travadas, estou nesse campo com o meu cavalo pigarço, a galope suave ou a trote modesto, a caminho do passado, sem qualquer incómodo, sem pensar no futuro e apenas esquecendo outra vez, tudo o que esqueci no dia de amanhã.

As circunvalações do cérebro, não sei se sabem, são tantas como as dos intestinos, as reacções aos alimentos espirituais são semelhantes às reacções aos alimentos que a mesa familiar, o orçamento e as decisões da nossa chefa de família, decidem.

Não pretendo dar uma lição de anatomia; mas não se esqueçam que para um rio ter água, esta terá de nascer ou cair de algum sítio, nem que seja do regador que o nosso Criador empunha de vez em quando, sempre que está bem disposto. A que vem tudo isto a propósito? Sei não, como dizem os angolanos. Ou os brasileiros.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016


Estranho e mau exemplo para a juventude é a actuação dos sábios bonzos  da União
Europeia. Nada de admirar porquanto a constituiJção em que se apoiam parece-me que tem qualquer coisa como quinhentos e trinta e nove artígos. Portanto para resolverem seja o que for, levam dias a consultar a dita constituição e nada resolvem, e quando querem resolver algo, não a consultam.
Os americanos, promulgaram a deles com, se não estou em erro, com vinte e três artigos, completados posteriormente com algumas, não muitas, emendas.  Dessa forma, em poucos minutos resolvem o que têm de resolver. A Europa não. Entre outras curiosidades fundaram o banco europeu com nada menos de vinte e nove administradores, duvido que a razão de tanta gente na administração é a de o presidente alegar não ter tempo e paciências de os ouvir quando quer tomar  uma decisão. Quando nada tem que fazer e quer passar o tempo, consulta-os em reuniões intermináveis.
Por tudo isto, agora não se entendem e preferem ver-se livres da Grécia por cinco anos.
O que talvez seja melhor para os gregos. Ainda não demonstraram o contrário. Aquela constituição permite sempre que se siga o sim ou se opte pelo não. Ou nem por um nem pelo outro, deixando passar o tempo confiados que  este, sem constituição, sempre resolve tudo.

terça-feira, 22 de novembro de 2016


Aguardo com ansiedade que o espírito dum poeta aumente a riqueza da minha criatividade

Passo os dias ansiando
Esta fome mitigar
 Eu sempre ando pensando
Sair deste triste lugar 

E se eu tiver a sorte de ele andar por aqui

Nessa hora eu dir-lhe-ei
Dê-me num dos seus papelinhos
Conselho que eu seguirei
Em qualquer dos meus caminhos

E no papelinho que me deu eu li uma quadra da autoria de F.Pessoa :

"Tivesse eu conseguido
Nunca saber de mim
Ter-me-ia esquecido
De ser esquecido assim"