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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

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Visita inesperada - 15 -
      Com grande lucidez a mente começou a informar-me, sobrepondo-se aos assuntos da realidade, ao conhecimento e especulação sobre tudo o que se passava no início deste outro dia. Como escrito em letras de fogo ou gravadas em granito apareciam-me frases em catadupa, com sequência lógica. Que o Jesus de agora, de acordo com os seus governantes, regressara ao seu planeta, o mesmo sucedendo com a centena de outros patrícios, outros Jesus que haviam viajado para a Terra com a mesma missão:  que em todos os reinos imperasse a bondade. Julgavam que a sua missão dispunha de campo fértil, que existiria evolução desde que o outro Jesus aqui estivera.Mas a observação dos efeitos da obra do outro Jesus, o de há dois mil anos,  nos habitantes da  Terra, a observação de como vivem os habitantes da Terra no presente, levou-os a essa decisão. Que a situação não é muito  diferente da de há dois mil anos. A tecnologia avançou muitíssimo porém, continuam a matar por prazer, continuam com guerras, continuam bastante alheios às recomendações das mulheres boas e dos homens bons, entre eles o papa, continuam escravos do dinheiro e muitos, escravos de outros. Desapareceram alguns amantes do mal, desapareceram Stalin, Mao Tse Tung, Hitler, mas surgiram outros, na Venezuela, em Cuba, na Coreia do Norte. Muitos continuam a matar por prazer. A pobreza aumentou, a bondade parece diminuir. Daqui a mais ou menos outros dois mil anos voltarão a visitar-nos, talvez já estejamos em melhores condições para aceitar o que nos querem oferecer. Esperam que os que cá vieram tenham deixado uma semente que germinará se unirem as mãos e as almas.
    Estas frases continuaram a surgir-me e a repetir-se na mente, como se outro espírito imperasse  sobre ela.
    E sobra-me a tristeza dessa ausência de Jesus. Mais que a morte dum ser querido.
    Espero que acreditem e que sigam o que os Jesus recomendaram.
 FIM
   
  
* Esse juiz que entende que um homem pode assassinar a esposa, invocando a biblia, não se lembra que tem ou teve mãe. Parece que foi parido por um homem.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Será que algum dos sabios que decidem sobre as florestas irá um dia fazer um inquérito nas zonas de Portugal onde não se registaram incendios de vulto, ou mesmo nenhuns? Indagando p.ex. porque essas regiões são contempladas com o privilégio de não serem infestadas por incendiários?
*Visita inesperada - 14 -
             O Frederico, entretido com o smartfone nem um monossílabo  disse mais. Tem quinze anos. Quando eu tinha aquela idade ainda era mais calado, entretido comigo, afastado dos mais velhos. Raramente, contam-se pelos dedos apresentava, aos mais velhos. questões, dúvidas, preocupações. Por isso não estranho nele, a falta de comunicação comigo. Decerto terei de ser eu a incentivar as conversas com ele. Porque os avós também aprendem alguma coisinha com os netos.
             E a imagem do cilindro dourado surgiu-me de novo, Esqueci o inquérito à família, a mente derivou, sem inflexão alguma, para Jesus. Nela radicou-se a certeza de nova aparição. E dessa certeza parti para mais reflexão, mais imperativa, mais contundente, como suplemento obrigatório. E suspeito que Jesus não volte a visitar-me por aguardar, sabendo o que vai no meu pensamento, que a razão me auxilie o espírito  de maneira a compreender, abranger e aprender tudo o que me dirá, que esteja preparado para aceitar sem reservas, reagir da forma mais útil e aplicar sem demora o que me recomende.
        Essa sua primeira visita ou aparição - aparição lembra qualquer coisa de sagrado até aí não vou - ou apresentação, penso que foi no sentido de me tirar o medo, o receio como se receia um fantasma aparecido na forma tradicional dos fantasmas, um lençol esvoaçante voando à nossa volta definindo um corpo no interior.
        A voz plácida serena, insinuante, num português correcto, sem nota discordante, afastou-me da surpresa, suprimiu-me as dúvidas, imprimiu-me a convicção sem reservas de que era um ser pensante e real que estava presente.
             Penso que o outro Jesus falava dessa maneira para os seus acólitos. E fiquei a desejar uma nova visita deste outro Jesus, aparecido no século vinte e um. 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

*Visitante inesperado - 13 -
             Principiei pela matriarca da família. Descrevi a aparição.  Escutou-me sem manifestar qualquer surpresa,  mantendo-se calada apenas falou quando principiei a relatar o que primeiro escutei do visitante, informando-me donde vinha, como se desloca e viaja, A minha esposa quando lhe descrevia o cilindro doirado, só nessa altura sorriu, dizendo:
                  - Foste influenciado por aquele filme na televisão...
                  - Já esperava essa tua reacção, mas repara que o visitante que me apareceu, primeiro  surgindo-me naquela voz calma e só depois de alguns minutos das suas informações, aparecendo no tal cilindro doirado,com aqueles diamantes unidos por fios de ouro, diamantes semelhantes aos que os indianos incrustavam as colunas dum templo que visitámos quando fomos à  India. Lembras-te que nessas colunas só víamos os buracos onde estiveram os diamantes, destes nem um, não sei se era uma treta do nosso guia. Mas aquele cilindro dourado...
           Não me deixou continuar :
                   - Olha, leva os pratos, vamos trazer o almoço.
           Na tarde desse dia,como quase todos os dias, esteve connosco o nosso neto Frederico. Desviei-o dos seus jogos no telemovel. Escutou-me com atenção, nem me deixou chegar ao cilindro doirado:
                  - Avô parece-me que já vi essa história na televisão.
                  - Tu viste os étês do costume, com um olho ou dois, com corpo, braços e pernas, quartos num laboratório enviando tipos para séculos anteriores ou posteriores ao nosso, etecetera. Mas este visitante é diferente. E voltou ao seu smartfone.
(continua)
                             
   

terça-feira, 24 de outubro de 2017

* Visitante inesperado - 12 -
       Passam-se os dias, a minha mente continua com a imagem persistente do cilindro dourado, da sua derradeira forma encimada por uma cabeça do mesmo material, pequenos diamantes oblongos unidos por fio dourado. No rescaldo daquela aparição e durante estes dias da sua ausência ficou a serenidade que me invadiu durante aquele encontro. E passei a sentir, em catadupa, sentimentos de ausências profundas, de frustrações ténues, de vibrações estranhas, de perturbações vibrantes. Logo traduzidas em várias interrogações. 

      Que fim tivera aquele encontro? Será que este Jeuss veio só para mim, não creio que eu fosse o único escolhido.
      Que pretenderia ele, escolhendo-me a mim, para aparecer na Terra?
      Que verdade existiria nas suas explicações?
       Mas decerto  é que estive consciente, bem desperto e atento, durante o encontro. E que não fiquei assustado quando ouvi a sua voz que, de imediato, abriu-me a razão antes de sentir qualquer perturbação ou abalo mental, não sentindo nunca, perplexidade nas suas respostas. E agora, sinto um desejo infrene de noticiar a aparição daquela visita, fazendo-o com suavidade, com a convicção que sentia ao ouvi-lo, como os primeiros cristãos encaravam os milagres do outro Jesus.
     Tenho de preparar-me para que me chamem mentiroso, louco, que a resposta mais suave seja uma palmadinha nas costas acompanhada duma galhofa e gracejos e risota bem sonora.
    Começarei dando a notícia à familia. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

* Visitante inesperanado - 11 -
         Poucos segundos após o desaparecimento de Jesus, começou a afluir à minha mente um turbilhão de perguntas, dúvidas, hesitações. Mas de súbito senti-me invadido por uma placitude, uma tranquilidade imensa como estivesse num banho morno que me provocasse esse êxtase que sentia.Seria uma alucinação a visita de Jesus,  uma fantasia toda aquela conversa, um sonho estando acordado? Na realidade eu não tocara naquele cilindro dourado que via à minha frente, a poucos passos de mim.
       Não sei se era apenas uma visão, mas de facto ele falou-me e bastante. Numa voz que me seduziu, que me levou a aceitar, a  acreditar em tudo o que me disse. Não, agora  a razão parece que  começa a bater-me à porta, muito do que me disse  é pura fantasia da minha imaginação e, continuo pensando, a fantasia também tem limites, a fantasia não produz sons, não faz soar uma voz cativante nos ouvidos. E o meio de transporte que ele, Jesus, me disse usar só seria possivel se apenas o seu espírito viajasse, cavalgando electrões da luz reflectida no planeta Dukleks. E porque não? Um homem da pre-história ou mesmo um da idade média, se visse surgir á sua frente um boeing 747 também pensaria que estava alucinado, ficaria transido de medo como eu fiquei quando vi surgir à minha frente aquele cilindro dourado que me falava com  voz serena e insinuante.
      Mas, se calhar é  ele que agora está controlando o meu pensamento, será que onde agora se encontra, pretende continuar a dialogar comigo?
(continua)