comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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terça-feira, 31 de março de 2015
Nova revisão dum novo livro
Estou revendo outro livro, o meu terceiro. Para efectuar a revisão dum livro, de nossa autoria. o mais difícil é sermos imparciais, críticos e modestos. Imparciais , por admitirmos que um livro sempre está incompleto, crítico para reconhecermos as fraquezas da obra, modestos para verificarmos com isenção, as falhas. Por isso ´tem de ser um trabalho árduo, sem proveito especial mas obrigatório. e sempre admitindo que falta muito para ser completo..
segunda-feira, 30 de março de 2015
O dia em que eu saí do colégio
Foi em 15 de Julho de 1944.
O meu Pai morrera um ano antes, no dia em que eu cheguei à casa dos meus pais com a boa nova de que tinha feito os exames do sexto ano( correspondente ao décimo de hoje, no liceu) e aprovado. E quando saí do colégio, acabado o sétimo ano, ao tomar o eléctrico para me dirigir à estação do Cais do Sodré afim de regressar a Portimão, lembrei-me do dia em que entrara no colégio, perturbado, desconfiado, temeroso, levado pelo meu Pai , sete anos antes, ao mesmo tempo que sentia um alívio imenso: tinha acabado a prisão que para mim o colégio sempre significou, tinha acabado o toque de caixa, as formaturas, marcar passo por tudo e por nada, marcar passo antes de ir para qualquer sitio, ao chegar a qualquer sítio, ver-me livre daquele idiota do capitão Casais, aspirar a liberdade, tomar banho todos os dias.(no colégio tínhamos banho duas vezes por semana) - e para o balneário também seguíamos a marchar. Perdoem-me, é um desabafo, que me agrada e alivia.
Porém, há que dizê-lo, para mim, o grande valor do colégio e para quase todos os que o frequentaram, foi o da esplêndida formação que nos proporcionou no domínio da cultura geral e da base intelectual para tudo o que necessitávamos aprender, base nesse tempo, difícil de obter na maioria dos liceus.
Nesse dia, aliviado, comecei a apreciar Lisboa.
O meu Pai morrera um ano antes, no dia em que eu cheguei à casa dos meus pais com a boa nova de que tinha feito os exames do sexto ano( correspondente ao décimo de hoje, no liceu) e aprovado. E quando saí do colégio, acabado o sétimo ano, ao tomar o eléctrico para me dirigir à estação do Cais do Sodré afim de regressar a Portimão, lembrei-me do dia em que entrara no colégio, perturbado, desconfiado, temeroso, levado pelo meu Pai , sete anos antes, ao mesmo tempo que sentia um alívio imenso: tinha acabado a prisão que para mim o colégio sempre significou, tinha acabado o toque de caixa, as formaturas, marcar passo por tudo e por nada, marcar passo antes de ir para qualquer sitio, ao chegar a qualquer sítio, ver-me livre daquele idiota do capitão Casais, aspirar a liberdade, tomar banho todos os dias.(no colégio tínhamos banho duas vezes por semana) - e para o balneário também seguíamos a marchar. Perdoem-me, é um desabafo, que me agrada e alivia.
Porém, há que dizê-lo, para mim, o grande valor do colégio e para quase todos os que o frequentaram, foi o da esplêndida formação que nos proporcionou no domínio da cultura geral e da base intelectual para tudo o que necessitávamos aprender, base nesse tempo, difícil de obter na maioria dos liceus.
Nesse dia, aliviado, comecei a apreciar Lisboa.
O dia em que o meu Pai me entregou no colégio
Aos onze anos entrei para o Colégio Militar. O meu Pai levou-me a Lisboa, mostrou-me o caminho que depois sempre haveria de seguir quando regressasse de férias, andei pela primeira vez de carro eléctrico, pela primeira vez conheci o cheiro a gasóleo, do fumo que deitavam os táxis de Lisboa, pela primeira vez dormi num hotel, pela primeira vez, só com o meu Pai, comi um almoço num restaurante da baixa lisboeta. Restaurante conhecido pelo "farta brutos": por dez escudos, o custo de dez jornais, começavam por nos apresentar uma quantidade de tigelinhas com vários acepipes, que no cardápio do almoço figurava como "acepipes variados". Mais um prato de peixe, mais um de carne, fruta e doce. O Pai, bom garfo, comeu de tudo com abundância e incentivou-me a não deixar nada nos pratos servidos.
E depois do almoço levou-me ao colégio, apresentou-me ao oficial de serviço e ali me deixou. Espantado, secretamente um pouco magoado, mas resignado, que remédio. Mais tarde compreendi porque ali fiquei.
A vida no colégio, as nossas deslocações para as aulas, para o refeitório, para fora da "companhia militar" onde me inseriram, eram sempre feitas a toque de caixa, em marcha disciplinada e obrigatória, nascendo no meu consciente uma repulsa por tudo o que fosse tropa, sentimento que foi reforçado e constante, em particular após a primeira aula da infantaria, dada por um tenente de mentalidade nazi, que declarou, com ar ameaçador, que indivíduos muito morenos, como eu e outro colega, éramos seres inferiores. Regressados dum verão onde as nossas peles morenas com o sol das praias, tinham adquirido o tom da pele dum africano, naturalmente tostada, a inteligência daquele oficial não foi suficiente para uma avaliação mais correcta das nossas origens. E para imaginarem o caracter desse oficial, basta referir que, mais tarde, frequentando o curso para coronel, foi chumbado nesse curso e, não suportando o facto dum oficial ter sido reprovado, suicidou-se.
Mas o colégio deu-me uma esplêndida preparação intelectual que me permitiu obter, com pouco esforço, o diploma do curso superior de agronomia.,
E depois do almoço levou-me ao colégio, apresentou-me ao oficial de serviço e ali me deixou. Espantado, secretamente um pouco magoado, mas resignado, que remédio. Mais tarde compreendi porque ali fiquei.
A vida no colégio, as nossas deslocações para as aulas, para o refeitório, para fora da "companhia militar" onde me inseriram, eram sempre feitas a toque de caixa, em marcha disciplinada e obrigatória, nascendo no meu consciente uma repulsa por tudo o que fosse tropa, sentimento que foi reforçado e constante, em particular após a primeira aula da infantaria, dada por um tenente de mentalidade nazi, que declarou, com ar ameaçador, que indivíduos muito morenos, como eu e outro colega, éramos seres inferiores. Regressados dum verão onde as nossas peles morenas com o sol das praias, tinham adquirido o tom da pele dum africano, naturalmente tostada, a inteligência daquele oficial não foi suficiente para uma avaliação mais correcta das nossas origens. E para imaginarem o caracter desse oficial, basta referir que, mais tarde, frequentando o curso para coronel, foi chumbado nesse curso e, não suportando o facto dum oficial ter sido reprovado, suicidou-se.
Mas o colégio deu-me uma esplêndida preparação intelectual que me permitiu obter, com pouco esforço, o diploma do curso superior de agronomia.,
sábado, 28 de março de 2015
Valha-nos Deus
Não busco o tempo perdido
Nem me afogo no meu passado
Apenas busco algum sentido
Nos meus caminhos andados
Porque o tempo não se perde
Não se tira nem obedece
Não é branco nem sequer verde
Mas a todos sempre aparece
O tempo a muitos contempla
O tempo não tem maldade
Mas o tempo sempre lembra
E a todos traz saudade
Nem me afogo no meu passado
Apenas busco algum sentido
Nos meus caminhos andados
Porque o tempo não se perde
Não se tira nem obedece
Não é branco nem sequer verde
Mas a todos sempre aparece
O tempo a muitos contempla
O tempo não tem maldade
Mas o tempo sempre lembra
E a todos traz saudade
Casamento
Pelas regras da santa madre igreja, quando um cardeal celebra missa deve ser acompanhado pelos seus acólitos. O cardeal de Toledo e quatro clérigos celebraram o meu casamento numa igreja de Madrid, já desaparecida. Por isso estava afixado, na porta da "iglesia del buen suceso" en Madrd, desde Fevereiro de 1953 um anúncio, onde se lia: " A las seis de la tarde del dia veinte y ocho de Março del año 1953 se celebrará la boda de Maria de las Mercedes Carmen Valderrabano Quintana con Alberto Mendes Quadros..."
Foi ontem, no dia de hoje.
E quatro filhos, seis netos e cinco bisnetos, até hoje.
Foi ontem, no dia de hoje.
E quatro filhos, seis netos e cinco bisnetos, até hoje.
sexta-feira, 27 de março de 2015
As coisas importantes
Quantas coisas importantes
Sem importância nenhuma
Desde essas mais infamantes`
Que mais não são que espuma
Se todas as importantes
Não têm importância alguma
Deixaram de ser constantes
Como é inconstante a espuma
Sem importância nenhuma
Desde essas mais infamantes`
Que mais não são que espuma
Se todas as importantes
Não têm importância alguma
Deixaram de ser constantes
Como é inconstante a espuma
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