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sexta-feira, 6 de maio de 2011

O dr. Mario Soares

O dr. Mario Soares por quem não tenho nenhuma antipatia pessoal, já ccomenta.Leiam.

Manias de azuis

Mas oh senhor Januário nós combinamos que a cor da tinta para as paredes deveria ser a do azul do céu poente e o senhor pespega-me aqui com um azul que eu só posso classificar de eléctrico dona Laura cá pra mim este azul é como o do ceu olhe tenho aqui outro no catálogo este é o azul da Prússia quero eu cá um azul da Prússia eu quero é o azul do ceu poente o senhor Januário já viu um quadro do Rubens dona Laura se é o Rubens tanoeiro nunca mamostrou nenhum quadro azul não é isso senhor Januario, Rubens foi um pintor flamengo oh dona Laura eu de flamengo só conheço e muito gosto daquele q' a minha patroa sempre me dá ao almoço senhor Januário um pintor flamengo é um pintor nascido na Bélgica pintava uns azuis como o azul que eu quero para estas paredes, nada da Prússia, mas senhora dona Laura também aqui dentro de casa com pouca luz não se aprecia bem esta minha pintura oh senhor Januário tenho mais que fazer veja lá se me arranja a tlinta azul do ceu e já agora veja se me pinta aquelas letras amo-te Laura, que um engraçadinho pintou na parede que dá para a rua, mesmo ao lado da porta de entrada cá da casa mas não se esqueça que aquela parede está pintada com cor verde de feno não me ponha lá aquele verde garrafa horroroso que lá usou da primeira vez nem o verde limão desmaiado que usou da segunda nem o verde gaio de que faziam tanta propaganda no tempo do Salazzar ai senhor Januário já estou confundindo tudo verde gaio era uma ballet já sei já sei dona Laura o verde gaio é a cor das penas dum pavão que eu já tive há muitos anos a minha patroa guardou umas penas desse animal coitadinho foi o gato da velhaca da minha vizinha que o matou um dia que entrou no galinheiro olha a dona Laura já abalou sem se despedir esta madama tem-me cá umas manias de azuis!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Política

Política
Podemos sentarmo-nos à mesa?
Polític
Valha-nos Deus!
Políti
O que aí vem...
Politi
Para onde vamos?
Polit
Começo a ficar cansado!
Poli
Muito mais do mesmo!
Pol
Quase sem sentido!
Po
Falta-lhe o acento, o caracter, para ter alguma importância
P
Raro passa do projecto

Não

O pai chegou a casa desabotoando a gabardine cinzenta, molhada e com pedaços de lama da rua salpicando-lhe a franja da gabardina meninos prá mesa já cá está o papá o papá foi lavar as mãos lembrando-se das instruções dadas na TV sobre a arte de lavar bem e conscenciosamenrte as mãos, sem esquecer de ensaboar os intervalos entre os dedos e os pulsos, o papá sentou-se à mesa e de imediatos começou a falar à família tenho muito para vos dizer e que vai mudar a vossa vida do avesso papá não me interrompas e escutem-me, que o que vou dizer é muito importante, pode mudar as nossas vidas, o vosso destino, a vossa sorte,ora bem começo por vos dizer que não vou pedir-vos o que não possam fazer, não quero de hoje em diante deixar de vos atender nos vossos projectos, não vou faltar, Isabel, com o dinhiro da casa, não vou impedir que se levantem da cama quando acordarem de manhã cedo nem que vão para a cama quando tenhham sono, nem sequer tentar que não saiam de manhã para a escola, que se vistaqm e apertem os atacadores dos sapatos mas papá eu não filho não me interrompas que ainda tenho muito para vos dizer tudo isto aliás está dentro dos projectos que eu e a mamã fizemos para a nossa família e que vai ajudar e salvar a nossa vida olha lá José mas afinal o que é Isabel deixa-me continuar até acabar, já falámos disto noutras vezes e continuando eu não vou de forma alguma interferir como nunca interferi com o governo da casa pela vossa mamã a mamã esbugalhada e amparando a cabeça com as duas mãos mas olha lá José tu não Isabel deixa-me continuar isto é muito importante que se diga aliás já o disse algumas vezes isto é muito importante para o nosso e o vosso futuro mais ainda como a crise é a grande culpada eu não posso deixar de referir que não pretendo ser um ditador cá em casa,ao contrário dos nossos vizinhos da direita e da esquerda fartome de dizer aos meus subordinados que não deixarei de comparecer todos os dias no emprego e que não espero que eles também não compareçam, com isto e frizo-o bem disse-lhes como sempre o frizei embora por vezes o esqueça, continuo a não perturbar a vossa paciencia nem o vosso descanso porque não me interessa o que não digam de mim nem da minha família a Isabel continuando arregalada e atónita balbuceou um mas atrevido não Isabel deixa-me acabar dizendo uma vez mais que nesta casa somos cinco mais a Varela a nossa empregada doméstica óh papá oh mamã o que é que a Varela é para aqui José António não me interrompas porque o que eu quero dizer é que não vamos fazer uma porção de coisas não vamos contratar mais pessoal não somos nós que teremos de diminuir o desemprego...
Na realidade todos nós não vamos fazer muita coisa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Daqui a cem anos

Vestia uma saia listada, com folhos negros, a amiga olhava para os folhos, Francelina adonde comprastes tu essa saia, a Francelina abanando a saia, olha, Augusta, eram a trinta euros no inverno o home da loja aquela loja de roupa na praça vendeu-ma por cinco mas na va´s la´ quera a ultema o autocarro parou adeus Franacelina tenho que apanhar este, adeus, ai esta Maria do O´ deixa-me la´ tamem tenho dirme pra casa passou uma moldava loura mais loura que todas as moldavas louras empurrava um carrinho de criança parece-me que modelo 1990, vazio com a displicencia de quem esta pensando no emprego que perdeu estes portugueses nem sabem a sorte que teem a sorte que tiveram nem sabem o que e´ parir um filho na Moldavia, traze-lo para ca´começar a apanhar o lixo que deitam na rua e que eu tinha de varrer no emprego que larguei para ir trabalhar para a Sonia russa passa um cigano palitando os dentes a cigana que vai com ele sempre sisuda como todos as ciganas sisudas pensando na barraca que a camara lhe deitou abaixo do outro lado da rua uma mulher com cara melancolica arrastada por um lulu incansavel na azafama de cheirar cada esquina ja´ olhando para a esquina seguinte dentro do seu territorio bem marcado do amarelo do seu inesgotavel xixi.
Nao tenhais duvidas. Daqui a cem anos seremos todos calvos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cuata aprender?

Pertenço àquela classe de indivíduos que não se cansam de aprender. Alguém disse, parece-me que foi Sócrates(o grego não o P. de Sousa), alguém disse que aprender é recordar o que está na memória da alma. Eu acredito. Porque só assim se justifica que aprendamos muito mais facilmente umas matérias que outras, e que algumas as memorizamos com muita facilidade. Quando fiz as cadeiras de Matemáticas Gerais e de Cálculo, admirava-me a facilidade com que compreendia tudo, todos os teoremas, como decifrava com facilidade os problemas que o professor Carvalho Araujo(um neto do célebre oficial da nossa marinha de guerra, agrónomo e doutorado em Matemáticas em Inglaterra), nos apresentava nas aulas práticas, e a rapidez com que decifrava algumas charadas matemáticas. A ponto de por vezes, depois de eu responder, me dizer: o Quadros já conhecia esta charada? Com a honradez dos meus dezasete ou dezoito anos eu respondia-lhe que não e, se já conhecia a resposta, antes que ele perguntasse pela solução eu dizia-lhe: "essa já eu sei, senhor engenheiro."
Daquele volumoso calhamaço, a "sebenta" da cadeira de Cálculo Integral e Diferencial, pouco consigo recordar. Mas o que nunca mais esqueço é a forma como aquele professor nos dava as aulas, explicando para que servia todo e qualquer
daqueles teoremas, toda aquela teoria matemática, para a nossa futura profissão de engenheiros agrónomos. Com exemplos práticos, e referencias úteis.
E todos compreendemos porque era tão exigente no conhecimento das bases dos programas daquelas cadeiras.

Começando Maio

Mal começou o Maio continuei a descansar, isto é a não fazer o que tinha de fazer e que já esqueci o que era. Isto de ler muito, de escrever alguma coisa e pensar em tanto, são hábitos - há quem, cheio de torpeza, lhes chama vícios condenáveis prejudiciais para as camadas (que palavra horrivel)jovens - são
hábitos tão agradáveis como os sorrisos que nos oferecem. Desta forma decidimos cá em casa, que o primeiro de Maio, passa a ser o Dia do Descansadão, ou seja o dia dos pachorrentos, dos que não têm o vício da pressa, não sofrem com o tempo que levam, que não levam para lado nenhum, nem trazem para onde quer que seja.
Sou um reformado com uma pensão(magra, quase transparente) do Estado, qualquer dia reformo-me da minha reforma se antes a crise não acabar com ela para que o Estado actual( no futuro é provável que se chame Estado Velho, Estado a Que Aquilo Chegou, ou outro epiteto "formidable","fantastique", "redoutable"(àlém do latim também arranho o francês, (tenho que matricular-me no chinês)) para substituir outra vez o nome à ponte 25 de Abril( inaugurada em 1962, se não estou em erro e com nome de Salazar), para que o Eatado actual possa pagar as reformas de mais de l500 euros mensais.
Grátis esta ideia: acabar com as reformas inferiores a 1500 euros mensais, para acabar com o "deficit" e com a vergonha nacional de que em Portugal existem reformas tão baixas.
António Ferro escreveu: "a ironia é a arma dos falhados". Talvez, mas por vezes é um manjar doce para quem escreve.(Alguém escreveu isto antes?)