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sexta-feira, 6 de março de 2015

Duas quadras

Nunca me sobram virtudes
Nem pretendo tolerâncias
Ando por caminhos rudes
Não sustento inconstâncias














           Agradeço a quem me ensina
           Nesta idade bem madura
           A temperar a rotina
           Com o sabor da aventura



quarta-feira, 4 de março de 2015

Receita

Frito as decepções, junto-as às contrariedades, dissolvo  os malogros e guardo tudo na geleira das águas passadas..
Amasso as ilusões com o fermento da fantasia, junto uma pitada de sorrisos, e outra de esperança, cozinho a mistura a fogo brando e sirvo como prato único à mesa da vida.

Destino

E a ponta dum ramo da palmeirinha chegou ao nível do primeiro andar do prédio à minha frente.
Assim crescemos todos no nosso planeta: para cima.
Ainda não apareceu um animal ou outro ser, sem sequer a toupeira, que crescesse para baixo.
De igual forma a nossa mente deveriá crescer: para cima.
Desde a idade da pedra que a mente da mulher e do homem não para de crescer.
Foram necessárias algumas mutações para que o nosso cérebro atingisse o que é hoje.
Igual ao que era, quando se deu a última mutação.
Parece que mais ou menos há um, dois ou três milhões de anos.
E nesse cérebro novo estavam lá, em potencial, tudo o que a mulher e o homem inventaram até hoje.
Todas, as artes, todas as maquinetas, todas as leis
Mas também todos os vícios,  o álcool, as drogas, o jògo
Todas as maldades,  a crueldade, a escravidão, o dinheiro
Mas muitas e muitos aprenderam a conquistar a sorte de ser felizes
De saber sorrir, agradecer a vida e amar.

terça-feira, 3 de março de 2015

          A vida é um momento de espera entre dois silêncios.

Vento

O vento, esse descarado senhor vento !
"Palavras leva-as" o vento, diz o povo
E o povo é sempre sábio nos seus ditos
Por isso quando o vento me atinge
Sinto-me rodeado por palavras por todo o lado
Mas não as ouço, não as percebo
São "confettis" ténues, estranhos, atirados à minha cara
Trazem segredos, trazem confissões, trazem alegrias
Ou apenas meras frases, vulgares sensaborias?
E porque é que a hipotenusa une sempre os dois catetos?

segunda-feira, 2 de março de 2015

Primavera algarvia

Ontem começou a primavera, no Algarve.
Não embarquem nesse sorriso manhoso, desdenhoso, invejoso.
Não é o calendário que traz a primavera
A minha amiga palmeira agita os ramos na maneira mais alegre
O ceu pintou-se do azulo de Ticiano.
Aquela gorda entrando na frutaria arregaça as mangas, suando.
Uma rapariga chilreia com o namorado, acenando para outro
As gaivotas vão-se entretendo no mar
A vizinha do terceiro esquerdo pendurou três arames de roupa
Há pregões vencendo o ruido das motorizadas
Apareceram andorinhas

domingo, 1 de março de 2015

Preocupação

A minha mente vagueia perdida em crepúsculos
Entre as teclas desta máquina onde escrevo
E as perspectivas do almoço que me espera
Acompanhado por alguém que amo e adoro
Que vibra comigo nos bons e nos maus momentos
Com fulgores das lágrimas que sentimos
Ateados por vezes pela chama da paixão
Ou por arroubos que nos traz a indignação


Não é o peixe, o vinho ou os acepipes
Que me ocupam a fonte das preocupações
Nem a beleza daquelas flores aprisionadas
E a morrerem lentamente nessa jarra
Nem sequer a luz deste dia de quase primavera
Que entra em vivos borbotões pela janela
Mas é, sim, o profundo e ledo sentimento
De um dia perder-te, sem poder mais querer-te