comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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sábado, 22 de outubro de 2011
A vida é isto
E aquilo e aqueloutro
O que vale a vida
Mais que aquilo ou que o aqueloutro
É o que encontramos entre o isto e o aquilo
Que nos faz vibrar, sentir e exaltar
Permanecer um pouco ou um muito dentro da luz
Pairar etéreo nesse entretempo
Não peço meças ao tempo
Nem lhe estabeleço primazias nem inferioridades
Não me satisfazem tais frivolidades
Pela mesma razão de que não conto as pedras do caminho
Só conto que não me abandone esta insatisfação
De encontrar no meio dele outra realidade
E descobrir e encontrar a capacidade
Do canto ou alguma arte destas palavras
Passo por aqui
E aquilo e aqueloutro
O que vale a vida
Mais que aquilo ou que o aqueloutro
É o que encontramos entre o isto e o aquilo
Que nos faz vibrar, sentir e exaltar
Permanecer um pouco ou um muito dentro da luz
Pairar etéreo nesse entretempo
Não peço meças ao tempo
Nem lhe estabeleço primazias nem inferioridades
Não me satisfazem tais frivolidades
Pela mesma razão de que não conto as pedras do caminho
Só conto que não me abandone esta insatisfação
De encontrar no meio dele outra realidade
E descobrir e encontrar a capacidade
Do canto ou alguma arte destas palavras
Passo por aqui
Quando me sento à mesa
Quando me sento à mesa, sejeito à rotina do pequeno almoço que me saca da modorra do despertar, sinto-me agarrado a uma rotina adquirida nos sáculos da minha existència, séculos de chávenas de café com leite ou de leite sem café, de papos secos com manteiga ou com outra variante comestivel que agora saquei ou saqueei do frigorícico, levei anos e anos habituado a encontrar o pequeno almocinho resignado e bem preparado à minha espera, servido por um fâmulo no colégio militar ou por uma menina e esta contava-me, era eu miúdo: vim de lá da serra de Monchiqçue para servir uns senhores ricos daquela vila lá em baixo para onde os meus pais me mandaram para servir uns senhores ricos daquela vila que casa mais grande ca horta donde o meu pai, a minha mãe e eu e os meus irmãos trabalhamos com as enxadas ou apanhando as ervas à roda das couves e dos nabos da horta donde os meus pais e eu e os meus manos trabalhamos até cum dia apareceram por lá uns homens e levaram o meu pai preso porque disse a minha mãe porque o meu pai tinha ildo lá abaixo à vila junto ao mar ca gente vê cá de cima da serra e cas minhas amigas dizem que é todo salgado, tão salgado caté lhe tiram o sal ca minha mãe tem na cozinha eu não acredtito pudera lá ser o sal é sal a água é água põe-se o sal na água fica a água salgada, não acredito caquela água toda do mar ca gente vê cá de cima da serra seja toda salgada não acredito caja tanta gente a pôr sal naquela água toda que se v^cá de cima da nossa serra.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Vou fazer de conta
Vou fazer de conta que não estou aqui
Agarrado à terra por força da gravidade,
Que de grave sabemos que ela pouco tem
E muito pouco merecedora de alguma curiosidade
Só me puxa para baixo, sem outras intenções,
Nada tem de interessante ou de outras qualidade.
Sem tirar a conta do que desconto
Sem inventar um conto para criticar
Sem me empregar mais do que a conta
Vou escrever uma história que tenha a tal da gravidade
Sem grandes cautelas nem justificações
Mas com prudentes responsabilidades.
Sou teimoso, fico-me na minha, não saio daqui
Entrando em força, saindo para o ar livre
Tenho as costas largas, gosto da minha idade
Respiro fundo o aroma das minhas flores
Proponho-me não desisitir de boas intenções
Sem petulâncias nem quaisquer vaidades.
Agarrado à terra por força da gravidade,
Que de grave sabemos que ela pouco tem
E muito pouco merecedora de alguma curiosidade
Só me puxa para baixo, sem outras intenções,
Nada tem de interessante ou de outras qualidade.
Sem tirar a conta do que desconto
Sem inventar um conto para criticar
Sem me empregar mais do que a conta
Vou escrever uma história que tenha a tal da gravidade
Sem grandes cautelas nem justificações
Mas com prudentes responsabilidades.
Sou teimoso, fico-me na minha, não saio daqui
Entrando em força, saindo para o ar livre
Tenho as costas largas, gosto da minha idade
Respiro fundo o aroma das minhas flores
Proponho-me não desisitir de boas intenções
Sem petulâncias nem quaisquer vaidades.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Por isso, dá-me um grande abraço
Para além dos sentidos que o corpo me concede
Depois de sentir tudo o que sinto fora do meu corpo
Ficam algumas coisas muito estranhas
Criando nuvens de ilusões no pensamento
Que mais não são que breves interrupções
Sobre tudo o que me dão o futuro e o presente.
Uma delas, talvez a mais estranha
Talvez a incógnita desta vida, na sua equação
Que surge implacavel, bem firme e persistente
Sem dar tréguas à esperança ou à saudade
Roubando todo o valor às críticas e aos luvores
Passando ao lado de qualquer publicidade.
Será por fim algum dia conhecer
A razão de aqui estar, de tudo o que acontece
De uns dias feliz, por acordar,
De uns dias levantar-me cheio de alegria
E noutros, pelo meio das tarefas que me ocupam
Mais não pensar que voltar a adormecer
Por isso, dá-me um grande abraço.
Depois de sentir tudo o que sinto fora do meu corpo
Ficam algumas coisas muito estranhas
Criando nuvens de ilusões no pensamento
Que mais não são que breves interrupções
Sobre tudo o que me dão o futuro e o presente.
Uma delas, talvez a mais estranha
Talvez a incógnita desta vida, na sua equação
Que surge implacavel, bem firme e persistente
Sem dar tréguas à esperança ou à saudade
Roubando todo o valor às críticas e aos luvores
Passando ao lado de qualquer publicidade.
Será por fim algum dia conhecer
A razão de aqui estar, de tudo o que acontece
De uns dias feliz, por acordar,
De uns dias levantar-me cheio de alegria
E noutros, pelo meio das tarefas que me ocupam
Mais não pensar que voltar a adormecer
Por isso, dá-me um grande abraço.
Versos pouco equiláteros
Farto-me de pensar mesmo quando não penso,
Olho para tudo quando nada vejo,
Tenho a ambição de lá chegar aqui ficando
E ficar preso, soltando-me do meu desejo.
Escrevendo com uma caneta daquelas antigas,
Uma pena branca duma pomba, aguçada numa ponta.
Usando a tinta dum tinteiro cheio do meu sangue
Que eu tirar duma borbulha, das muitas que obtenho,
Coçando, coçando, até chegar o ardor,
Provocado pela unha aguda, do dedo indicador.
E tudo isto pela usual e velha pretensão
De escrever alguns versos originais,
Que só serão originais na condição
De sairem bem de dentro do coração.
Olho para tudo quando nada vejo,
Tenho a ambição de lá chegar aqui ficando
E ficar preso, soltando-me do meu desejo.
Escrevendo com uma caneta daquelas antigas,
Uma pena branca duma pomba, aguçada numa ponta.
Usando a tinta dum tinteiro cheio do meu sangue
Que eu tirar duma borbulha, das muitas que obtenho,
Coçando, coçando, até chegar o ardor,
Provocado pela unha aguda, do dedo indicador.
E tudo isto pela usual e velha pretensão
De escrever alguns versos originais,
Que só serão originais na condição
De sairem bem de dentro do coração.
Duas pedras
Nunca passo duas vezes pelo mesmo pensamento,
Há sempre qualquer pequena diferença.
A mesma que existe entre duas pedras da calçada
Ou entre estas duas, que apanhei, polidas pelo mar,
Que vieram aqui parar à minha frente, imperturbáveis.
Encontrei-as juntas, passeando pela praia,
As ondas vinham morrer em cima delas,
Rolando-as e polindo-as um pouco mais.
Batiam uma contra a outra e cantavam
Uma canção que se unia à canção do mar.
Apanhei-as num intervalo entre as ondas
Meti-as no bolso direito das minhas calças
Parece-me que ficaram quentes e incomodadas
Pelo cheiro do dinheiro que saía das moedas
Tão diferente do do mar e da maresia.
Mas quando repararam onde as pousei
Num sjítio que escolhi, não em quaquer lado,
Ficaram contentes e suspiraram de brilho e de alívio
Por eu não as ter metido e condenado
Por muitos anos, para dentro dum betão armado.
Há sempre qualquer pequena diferença.
A mesma que existe entre duas pedras da calçada
Ou entre estas duas, que apanhei, polidas pelo mar,
Que vieram aqui parar à minha frente, imperturbáveis.
Encontrei-as juntas, passeando pela praia,
As ondas vinham morrer em cima delas,
Rolando-as e polindo-as um pouco mais.
Batiam uma contra a outra e cantavam
Uma canção que se unia à canção do mar.
Apanhei-as num intervalo entre as ondas
Meti-as no bolso direito das minhas calças
Parece-me que ficaram quentes e incomodadas
Pelo cheiro do dinheiro que saía das moedas
Tão diferente do do mar e da maresia.
Mas quando repararam onde as pousei
Num sjítio que escolhi, não em quaquer lado,
Ficaram contentes e suspiraram de brilho e de alívio
Por eu não as ter metido e condenado
Por muitos anos, para dentro dum betão armado.
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