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segunda-feira, 12 de maio de 2014

         A ocupação dos tempos livres é uma das formas de despertar as mentes ressequidas pela inércia.

domingo, 11 de maio de 2014

Esperança de vida

              Qualquer obra de arte, de valor reconhecido pelos peritos especialistas, é sempre digna de boa conservação, isolando-a de qualquer agressão que lhe retire o mérito, prejudique a beleza, ou a sujeite a condições desfavoráveis. Assim vamos  conservando as esculturas, pinturas e construções célebres, muitas com séculos de existência. No entanto, o Criador, nosso Deus que lançou neste mundo a máquina mais maravilhosa que existe e que possui a qualidade de se reproduzir, não mantem esta sua obra de arte por mais que algumas dezenas de anos, sem qualquer possibilidade de se conservar viva por muito tempo, tal como se conserva a "Pietá" ou a "Mona Lisa". Claro que a diferença está na vida que o Criador concedeu aos nossos corpos e que é independente destes - não sabemos nem o Criador deixa que o saibamos, se a vida do nosso espírito termina quando o corpo se fina e volta à  terra.
             Porém, quem nos criou, deixa-nos em liberdade depois de nascermos, tal como procede com qualquer dos outros animais que criou ou deixou criar - embora o homem muitas vezes a anule. Deu no entanto, à mulher e ao homem, a faculdade de evoluir em vários sentidos, quer no corpo quer na mente, transmitindo muitas dessas melhorias quando se reproduz. Deu-lhe a liberdade de estudar, de investigar, de transmitir conhecimentos à descendência, deu-lhe inteligência para coordenar ideias, dedicar a memoria e organizar o ensino de forma que nada do que encontrou e descobriu, se perca como objecto inútil.
             A esperança de vida vem aumentando numa progressão quase geométrica. Há setenta anos uma sexagenária era considerada  de idade próxima da morte, a reforma dum trabalhador era concedida nessa idade. Há cem anos a esperança de vida era de pouco mais de quarenta anos. Hoje,  ronda os oitenta. Há setenta anos, na minha cidade vivia apenas um homem com oitenta anos; hoje, com mais do que aquela idade contam-se uma dezenas.
             Mas nestes nossos tempos, também tem aumentado a esperança de tratamento e cura de muitas dores, achaques e doenças que atingem os mais velhos. O meu Pai, morreu com sessenta e sete anos, após o quinto enfarte que o atacou. Nesse tempo - no ano de 1943 - nem ainda se usavam os comprimidos de nitroglicerina. Hoje, descoberta a causa dos enfartes, com cuidados na alimentação e uma vida saudável - um mínimo de exercício físico todos os dias - a mortalidade pelos enfartes diminuiu de forma espectacular, de tal forma que a esperança de vida dum doente cardíaco  aumentou dezenas de anos. E, segundo li algures, a esperança de vida dos que nascem hoje, ultrapassará os cem anos.
              Portanto, e concluindo: Deus deu-nos liberdade à nascença, para evoluirmos no sentido de nos podermos conservar com vida como qualquer obra de arte que a mulher ou o homem criem ou tenha criado.
              Com a grande diferença, que é a oferta da vida.                    

sábado, 10 de maio de 2014

Lendo e escrevendo

            Os que visitam este blog são avarentos nas críticas. Digo-o porque gosto de as ler quando elas, muito raras, surgem. Não para me preocupar se são desfavoráveis, nem me envaidecer, se me elogiam. Atingi a idade em que avisadamente,  com pouco me preocupo e com nada me envaideço.
            Quando  escrevo uma mensagem obsoleta, anacrónica, louca( as duas últimas...) estou dando liberdade a muito que não presta que tenho dentro da imaginação, esta o miolo duma caixa incómoda, inútil, bastas vezes insensata, quase sempre sem a luz, o brilho e o vigor que tudo o que escrevemos deve conter.
            Lendo conhecemos muitas realidades alheias. Escrevendo, expomos muito que desconhecíamos de nós e que salta da caixa da memória aberta e camuflada pela imaginação e pela fantasia.
             Mais ou menos há sessenta anos comecei a escrever. Um pequeno poema "Carta ao menino Jesus", que então publiquei numa revista (e que se chamava"Revista" ) em Luanda e agora no meu segundo livro que acaba de ser editado. Foram esses primeiros versos,  o início desta actividade tão maravilhosa que é escrever - maravilhosa como a de ler -  para mim bem complementando e com mais valor, satisfação e resultado, que a leitura.





             Em sessenta anos foi muito pouco o que li e ainda menos o que  escrevi. Vou tentando agora aproveitar melhor o tempo que disponho.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Palpos de aranha

  Os palpos de aranha são vendidos à uma ou à dúzia nas feiras e nas barracas dos ciganos, Nas primeiras os palpos são genuínos, reais, com certificado de origem, e pagam 23,25 por cento de IVA. Nas segundas os palpos são mais baratos e são vendidos em promoção com uma aranha grátis.
           Eu ficava sempre muito atrapalhado quando os comprava, derivado a que o meu neto todos os dias me pedia um, na loja já me conheciam e me tratavam como um bom cliente aqui para nós com toda a razão porque eu deixava sempre cair o palpo no chão e comprava outro, o mesmo sucedia, e outro e outro, até que o cigano lá vinha com uma caixa de sapatos com um palpo e uma aranha grátis dentro.
            Por vezes ainda perdia ou me roubavam a caixa no autocarro. Ou a carteira, distraído que eu ia com o palpo e a aranha grátis dentro da caixa. 
            O pior é que o meu neto passou a pedir-me para lhe comprar um elefante, eu estava distraído a ler uma revista e disse-lhe que sim. Ora eu sou muito cumpridor  das promessas que faço aos netos.               E para cúmulo ou para mal dos meus pecados, o elefante não coube na porta de entrada da casa do meu filho e do meu neto. Há muita falta de carpinteiros, não há meio do meu neto ver a porta da casa do pai alargada.
            E o elefante vai crescendo. 
 O Joaquim Silva levou a bicicleta eléctrica para a estrada, desapertou o selim, colocou-o mais alto, apertou a porca subiu e abalou electricamente. Ia encontrar-se com Germana que lhe tinha telefonado antes do almoço, O Joaquim conhecia-a e namorava-a  desde aquele ano do vendaval que arrancara as chapas de zinco da praça do peixe, uma das chapas caira sobre o vidro da frente do automóvel do presidente da câmara, um carro do tempo da Maria Castanha, que tinha uma colecção de carros antigos guardados no armazém do município onde o Marcelino, o  guarda careca recebia delas uns cobres que lhe arredondavam o magro vencimento como contínuo, função contínua como a mais simples função contínua do cálculo diferencial, com a diferença que influía directa e não diferencilmente na economia familiar do Marcelino este, no entanto, sempre com boas informações de desempenho, o que  se reproduzia na opinião dos vizinhos que teria no entanto  ser relevada pelo povo da freguesia e revelada no diário local que sempre saia só uma vez por mês e quando não era feriado nem imperava o Carnaval. Naquele ano a terça - feira de carnaval fora à segunda, não por causa do mau cheiro mas porque não havia sardinha assada em qualquer restaurante que tivesse as portas abertas para a rua porque além da ventania, o calôr era intenso e chovia a càntaros partidos que é uma chuva muito incómoda, os cacos dos càntaros partidos levados pelo vento estampavam-se  e estilhavam-se no quintal do Eleutério enquanto este lia o jornal da noite porque esse dia tinha amanhecido de noite  apesar de ser um novo dia visto que era meia noite e um do dia seguinte ao anterior .
         O Joaquim Silva, chegou ao portão da casa da Germana. Esta disse:+
             - Não abras o portão, Fran...
         Foi ´quando o pai da Francisca deu um tiro no Joaquim.
         Esta notícia, como todas as notícias que dão as televisões, teria de ser dramática.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Erradicação da pobreza

                 Não entro na definição da pobreza, nem nas estatísticas a ela ligadas. O leitor terá completa informação consultando na Internet a Wilkipedia, para começar a sua pesquiza.  Depois, dispõe de muitos outros artigos sobre a pobreza.
                Mas o que eu pretendo salientar, em relação à pobreza, no nosso país e em todo o mundo é o outro lado do assunto, outra faceta desta discussão: como os humanos aproveitam os recursos naturais do planeta, e outros que têm sido inventados ou descobertos e postos à disposição  de todos nós. A antiga história do Robinson Crusoe é bem ilucidativa: uma mulher ou um homem abandonados numa ilha sem mais companhia humana e para viver dispondo apenas dos recursos naturais da ilha e do mar que o rodeia, consegue sobreviver e satisfazer as suas necessidades primárias. É claro que todos nós ansiamos e ambicionamos mais, pretendemos todos ter mais segurança na saúde, melhor educação, melhor vida na sociedade, bons transportes e governos eleitos pelo povo noutro sistema eleitoral distinto do actual em Portugal: a lista dos candidatos a deputados é organizada e cozinhada pelo chefe do partido. Resultado: a maioria da população desconhece os deputados que são eleitos, raramente os vê após a eleição, com dificuldade consegue ser ouvida só por acaso e em geral tarde, qualquer problema que interesse à comunidade, não chega a ser  apresentado na assembleia. A cidade do Porto deu um grande exemplo nas últimas eleições: elegeu um candidato independente contra todos os partidos concorrentes.
           A rua, a freguesia, o município, os distritos e províncias deveriam eleger, para todas as eleições, candidatos escolhidos entre os seus conterrâneos. seguindo um sistema eleitoral já bem conhecido noutros países e com bons resultados. No nosso actual sistema eleitoral, caminhamos para uma maior pobreza, mais desemprego, mais emigração. E mais envelhecimento da população.
         O primeiro passo deverá ser dado no sentido dum maior conhecimento da situação real do nosso país. Como o dr,Medina Carreira e o seu convidado no programa "Olhos nos olhos", aconselharam: o governo deveria promover e aconselhar todas as televisões a dedicarem  seis ou oito horas por semana, nas chamadas horas nobres, à informação sobre a situação económica de Portugal, em linguagem acessível a todos os ouvintes, com a publicidade suficiente que garantisse boas audiências.
         

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"Ponham uma folha llimpa em cima da carteira! "


               Cada um dos sapiens tem a pretensão de ir para onde quiser sem pensar que o espírito que o governa é independente da vontade como é independente da meteorologia ou das cotações da bolsa. O que foi que me trouxe e me impeliu a escrever estas baboseiras, a que chamei de baboseiras sem pensar no seu significado nem sequer descobrir a influência que poderei ter no movimento do bando de pardais que pousa na árvore da rua, o que me parece é que a migração daquele cardume de sardinhas que conseguia distinguir no mar quando era pescador, me afectou muitíssimo mais que a má classificação que fiz daquela oração subordinada constitucional ou condicional ou lá o que era, que nosso professor de português-latim, escreveu no quadro "O pedro foi constituindo pé depois do pé um monte de areia e calhaus com un quilo de comprimento e duas centopeias negras e vagarosa  de quatro patas em escorregação pelas bordas da mesa". E disse ele " Meninos,apontem nos cadernos os erros de escrita, de gramática, de sintaxe e de semântica,  quais os substantivos, os adjectivos, os verbos e os seus tempos, têm cinco minutos, podem começar! " e sentou-se , abriu o livro que sacou da pasta e pôs-se a ler, tão entretido que só um quarto de hora depois, quando a sineta tocou é que ele mandou parar com o exercício, apagou o que tinha escrito no quadro, meteu o livro na pasta  e "Até amanhã meninos, tragam esse trabalho  de casa feito, não se esqueçam!".
           Na aula daquele dia não tinha chamado ninguém ao quadro nem aplicado aos eleitos, os costumados  cachações.