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sábado, 30 de junho de 2012

O parlamento europeu

               Existe o parlamento europeu e o seu conselho julgo que composto pelos representantes dos governos dos 27 países europeus. Existe? Está funcionando? Intervem nas principais decisões?
               Nos ultimos tempos, em particular nos últimos dois anos, não parece que êsse conselho intervenha nas decisões que mais interessam aos países europeus. As recentes cimeiras mensais dessa comissão parecem resumir decisões da Alemanha, quando muito da Alemanha e França. Dos seus representantes, dos seus primeiros ministros ou presidentes. Constando na prática e para a amior parte dos conselheiros, pelo que se vê na televisão e nos jornais, com muitos apertos de mão e fotos em grupo,  sorrindo para as cãmaras de televisão e para os microfones e algumas declarações sem sumo e que nem quem declara penso que compreende, nem são para compreender porque não houve decisões, não foram decretadas ou votadas quaisquer medidas, nem sequer houve recomendações sérias. Excepto nesta última cimeira.
               É para isto que os 27  países europeus são representados no parlamento por quinhentos e muitos deputados que, todas as semanas ajudam as companhias aéreas a preencher os lugares de luxo dos seus aviões?  E o Conselho Europeu, dizem ser o orgão que tem maior poder político das decisões.Não está segundo se tem visto, submetido ao tratado constituciional europeu. Consequência principal: muda o governo dum país europeu, mudam-se as vontades de todos os outros. Se a senhora Merckel fõr despedida, o que resolverá e imporá  o senhor seguinte, presidente dos destinos da Alemanha?  Bem pensado, talvez chegassem 27 deputados, os dos conselhos ou os seus representantes. E talvez chegassem a essa decisão se a constituição europeia em vez do intrincado emaranhado de centenas de artigos e alterações contivesse , como a constituição americana dos Estados Unidos, apenas sete artigos e 23 emendas(apenas uma revogada).
                              

Bateu outra vez à porta o vendedor

            Ontem, ao fim da tarde o vendedor dos frasquinhos bateu outra vez à minha porta. Trazia a mesma malinha castanha, de couro, bem limpa e reluzente.
                   -Bom dia - disse-me ele ajeitando o nó da gravata e abrindo a malinha - diga-me, obteve bons resultados com o pó da esperança?
                   - Olhe, senhor Miguel, não foi mau, mas durou pouco.
                   - É natural, foi uma amostra o que lhe deixei. Se comprar o frasco inteiro os efeitos serão  ainda mais benéficos e se seguir a receita, talvez sejam permanentes.
                   - Bem, senhor Miguel, venda-me um frasquinho desse pó da esperança .
              O vendedor tirou do bolso uma caixinha embrulhada com todo o cuidado num papel verde de fantasia e disse-me:
                   - São quarenta euros e a receita está dentro. Sempre que  nos compre outra embalagem dêste ou doutro produto terá um desconto de vinte por cento.
              Não resisti à minha curiosidade e  espicacei o homem:
                   - Não terá um frasquinho com o pó ou líquido da fortuna ?
              Não se desconcertando e sem hesitar respondeu-me:
                   - Na minha empresa há investigadores trabalhando noutros produto, e êsse é um dos mais procurados e investigados, parece muito difícil de descobrir. Dizem-me que deve ser um antídoto para a água da felicidade, essa sim, vendemos foi das primeiras descobertas, é um sucesso de vendas, essa e a água da fé são as mais vendidas se quizer...
                   - Olhe deixe-me uma amostra das duas - disse-lhe, não perdendo a oportunidade.
                   - Temos instruções rigorosas, apenas podemos oferecer, em cada visita, uma amostra dum  destes produtos. Houve um colega meu que não respeitou esse regra e o resultado foi catastrófico.
                   - Não entendo porque a fé e a felicidade possam ser incompativeis!
                   - Não se admire - disse ele, entrando na mais pura filosofia - há muitos produtos para a saude, para a nossa alimentação e até para o nosso espírito que, tomados ao mesmo tempo, são perigosos e que tomados simples são benéficos para a saúde,  Veja o que se passa com o champanhe, a aguardente e o vinho tinto.
            Paguei-lhe os quarenta euros. E optei por receber uma nova amostra, a da fé.
            Se isto continua com bons resultados, vou arruinar as minhas finanças mas espero enriquecer a minha vida.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Efeitos do pó da esperança

          Prometi-vos, aqui estou a relatar o resultado de ter tomado um pouco do pó da esperança que aquele indivíduo que apareceu à minha porta, me ofereceu para experimentar.
          Dilui o pó num copo de água que ficou muito azul, sem cheiro suspeito nem aspecto duvidoso não resultando qualquer precipitado. Provei com cautela, um médico aconselhou-me muita cautela,  há por aí maraus que se entretêem a provocar diarreias e outros acidentes, até galhofou comigo dizendo que talvez eu ficasse de esperanças. Nada mau seria respondi-lhe, entrava para o guiness e tinha a vida económica resolvida. Entretanto  nada senti de especial, aguardei e quase me esquci. Mas, ao fim de duas horas, para meu espanto não isento de algum alarme, comecei a sentir uma concentração especial nalgumas esperanças, que se sucederam na forma, na  variedade, na intensidade.
          Primeiro as esperança e quase certeza de flores, muitas flores no meu jardim. Via à minha frente um mar branco e imenso de rosas, a leste um campo de girassois voltando para o Sol as suas corolas enormes, circulares, amarelas; a oeste, jasmins de cheiro inebriante e a norte, papoilas escarlates que inundavam o restolho duma seara de trigo. Êsse panorama foi-se esbatendo, talvez que a fraca concentração do pó nada mais permitisse, pensei. E na realidade, as imagens seguintes, apareceram bastante mais esbatidas que as primeiras. Mas suficientes para ver surgir, uma nova esperança, um grupo de bébés e crianças, os primeiros mais nítidos que as segundas, todos no meio dos campos de flores então quase invisíveis e rodeados pelas figuras das minhas netas e netos e todos demonstrando enorme  felicidade bem patente nos sorrisos permanentes.
           E nêsse momento, como um flash que se extingue, a imagem desapareceu.
           O vendedor dos pózinhos encontrou um cliente. Aguardo, ansioso, que me bata de novo à porta.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O fabrico do dinheiro

         Os bancos fabricam dinheiro a partir do nada,
  cada vez que concedem crédito.
         Não acreditam?
         Se querem uma explicação detalhada, façam o favor de ir ao You Tube e  procurem o "site"- "Dinheiro à grande, dinheiro à portuguesa". 

O pó da esperança

           Há dois dias apareceu-me à porta da nossa casa um indivíduo que me despertou muita curiosidade, embora misturada com muita dúvida, muita suspeita. Trazia uma mala de pequenas dimensões que abriu assim que eu lhe abri a porta de casa. Dentro da malinha  alinhavam-se, cuidadosamente  metidos em pequenos cacifos, frascos pequenos semelhantes aos das injecções de antibióticos, com rótulos brilhantes e de côres variadas. E aquele personagem patusco, bem vestido, bem calçado e de penteado cuidado, informou-me  :
                 - Desculpe-me incomodá-lo, mas trago-lhe aqui diversas substâncias, umas simples, outras complexas, mas que muito contribuirão para conservar ou melhorar a sua saúde física e mental.
                 - Não me deve interessar - respondi-lhe eu - estou de perfeita saúde.
            Dei corda e o homem aproveitou:
                 - Mas o senhor decerto tem desejos, tem esperanças, tem sonhos, além de ter boa saúde. Se me permite, digo-lhe o que contêem alguns destes frascos. Por exemplo - disse extraindo dum cacifo um frasquito com um pó duma linda côr azul - èste frasco contem pó da esperança. Faça -me o favôr de experimentar um pouco num copo de água, nada me paga, dentro de dois dias passarei por cá e dir-me-á se sentiu algum resultado. - E sacou outro frasquito do bolso, vedado com estanho, abriu-o e deitou para dentro um pouco do pó azul da embalagem que me mostrara.
            E despediu-se atenciosamente.
            Amanhã ou depois vos contarei o resultado.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Não foi nem será tempo perdido

          Ocupamos a maior parte do tempo das nossas vidas em coisas simples, triviais, rotineiras mas a maior parte delas obrigatórias no dia a dia. Sair da cama, a barba, a higieme corporal, vestir e calçar, ler o correio, o pequeno almoço, alguns trabalhos de casa para os menos preguiçosos e mais colaborantes. E ainda outras pequenas ocupações de quem tem família,  a ida para o emprego ou para o ganha pão dos que vivem sem emprego, sem patrões mas que têm que produzir o necessário para o pão nosso de todos os dias. E nessas pequenas coisas ou trabalhos, consumimos uma boa parte do dia. E os que são  reformados, daí sacando o essencial para a vida, êsses, para viver sem estagnarem mentalmente, sem enquistar o espírito, sem anular a capacidade de pensar e de se divertir com o pnesamento próptio, êsses têem que se socorrer dos chamados "hobbies", afazeres mais ou menos agradáveis. para auxiliar o côrpo e a mente,
           Para mim ler e escrever são bálsamos imprescindíveis. O tempo agradável que dispendi .a escrever mais de mil mensagens no meu blog e  no meu livro! 

domingo, 24 de junho de 2012

"Dinheiro à grande, dinheiro â portuguesa"

             Façam o favor de ir ao You Tube e procurar o vídeo que indico no título desta mensagem.
             Se querem uma boa lição de economia visando o dinheiro, ao que estamos sujeitos pelo dinheiro, como os bancos e os governos fabricam dinheiro a partir do nada, quem são os mais prejudicados pelo dinheiro, o que representa a inflação, e outras noções de economia que nem a imprensa, nem a rádio nem a televisão nos elucida tudo isto apenas ao de leve, vão ao you tube e vejam e escutem êsse video. Que deveria constar dos programas de todas as escolas inferiores e superiores.
            Até parece que o autor dêsse video leu o  meu livro "Sonho de sorte"  publicado em Outubro de 2010 e reproduzido no folhetim, reprodução dêsse livro,  que acabei de publicar no meu bloge  há poucos dias.          

Outro curso que quero frequentar

           Queridos:na minha ansia de conhecimentos novos, ando à procura dum curso (não é o curso de falar aos ventos, imagem que a minha filha caçula gostou muito) a frequentar na minha próxima vida a seguir a esta que ainda gozo. Suponho que terá  secções de bondade, de amòr, de suportar a saudade. Talvez tenha outra secção de fantasmas, de aparições, e doutras malvadezas. E outra, estou seguro, de guiar a mão, o jeito, a intenção dos que cotinuem a querer-me com alegria. E outra finalmente, de organizar, induzir, soltar a chispa de pressentimentos importantes.

sábado, 23 de junho de 2012

Paradigmas

               Passa um motociclista espalhando milhares de decibeis pela rua, decibeis que devassam as casas por onde ele passa, paciência os motociclistas são quase sempre assim, que se há de fazer, não podemos fazer nada contra isto...
               A vizinha põe-se aos gritos desenfreados com o marido, não tens vergonha na cara, um pai de trés filhas, pra qé queu casei contigo, vais gastar a reforma naquele bar da praia, inda por cima refilas ca feijoada está ensonsa, quem mavera de dizer a mim...- E os gritos continuavam como
 sucede quase  todas as duas da manhã das madrugadas dos domingos, não conseguimos pregar olho...que é que se há de fazer, são costumes, não podemos fazer nada contra isto.
               Cortaram aqueles bonitos plátanos com mais de quarenta anos de idade, para calcetar à portuguesa o largo, atiraram com o coreto para um lugar qualquer, para no seu antigo lugar construir um tanque de água,onde estava o coreto. Paciência, não podemos fazer nada, dizem que votemos noutros, Que é que se há de fazer, a vida é assim...
                É proibido buzinar, mas as caravanas publicitárias passam atordoando-nos os ouvidoa com propaganda insistente, repetida, contundente.
                Que é que querem, a vida é assim, não podemos fazer nada contra estas coisas... 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Visão perfurante


            Cosegui por fim, obter visão perfurante.
            Não foi fácil. Havia lido,num ensaio dum cientista japonês,  que a visão perfurante se pode obter com menor esfôrço que aspirar uma brisa marítima. Desencantei o ensaio num periódico coreano, como sabem os coreanos odeiam os japoneses, o que os leva a criticar, motivados pela inveja, todos os avanços científicos que os investigaqdores japoneses anunciam. Algo assim como os jornalistas portugueses raferindo-se  a  nuestros hermanos espanhois. E êste artigo, o da visão perfurante foi um dos mais criticados. Mas aqui para nós, o método da visão perfurante é uma realidade.
            Cheio de curiosidade e de interesse, consultei a imprensa científic a japonvesa. Encontrei por fim um artigo que descrevia,  aos  mais leigos,  como pode ser  obtida visão perfurante. E verifiquei que desta vez os coreanos não têem razão nas suas críticas. Segui todos os passos aconselhados pelo autor do artigo e, sem muito esfôrço, estou senhor de visão perfurante. Ainda com pouca prática, mas com resultados surpreendentes,  após a aplicação do método.
            A técnica consiste, em resumo.e sem comunicar mais pormenores que são essenciais, mas enfadonhos para os leigos que se interessem. por ver mais longe do que a sua vista alcança: fixa-se sem telescópios, microscópios, binóculos, lentes ou qualquer acessório, fixa-se um ponto numa paisagem ou num objecto onde  pretendemos aplicar a nossa visão. Recomenda-se não aplicar a visão a uma pessoa ou animal, o nosso raio visual pode perturbar essa pessoa ou êsse animal e provocar uma reacção tempestuosa, da pessoa visada, um pedido de satisfações, uma imposição de duelo, um risco de  vida; dum animal uma dentada, uma perseguição feroz, uma patada tratando-se dum quadrúpede.
Aplicada a visão num ponto do  objecto a perfurar, em concentração profunda, ao fim de 47 segundos  constatamos que estamos mirando o interior do objecto. Atenção: o tempo de 47 segundos é igual para qualquer indivíduo dotado de mediana inteligência e de razoável poder de concentração Mas basta um segundo de desvio e perde-se a perfuração.
              Passo a descrever a minha primeira experiância de visão perfurante: fixei um ponto na parede do quarto andar  esquerdo do prédio na minha frente. Ao fim dos quarenta e sete segundos  via o interior daquela sala, o marido e a sua patrôa dormindo no sofá, a televisão ligada e transmitindo discursos  na assembleia da república, o gato tigrino sentdo na carpete e lambendo as patas. A visão perfurante continuou a devassar o apartamento e passou á cozinha onde a empregada doméstica provava a sôpa, deitava sal na panela e misturava-o no caldo com uma colher de pau. Continuei concentrado e a visão passou à casa de banho onde um rapazote alto e magro abria o chuveiro e atirava para o esgòto a água ansabonetada com que completava a higiene.
              Perante a vulgaridade do que ia observando, desconcentrei-me e regressei à visão normal.
              Quando será que um investigador consiga descobrir a arte de aplicar a visão perfurante na alma duma mulher, dum político, dum poeta?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

            Ser passageiro dum cruzeiro, é ser cliente dum hotel de luxo, pagando muito menos que num de cinco estrelas e tendo à mesa ou em "self-service" refeições incluidas, de boa qualidade, de ementas variadas e em quantidades que satisfazem os mais exigentes.
            A bordo surgem tentações semelhantes às que se nos deparam em qualquer grande localidade e as viagens permitem conhecer diversas cidades e seus arredores. E os paquetes modernos, são tripulados por empregados impecáveis, amáveis, atenciosos.
            O único problema reside no que se passa antes e depois dos cruzeiros, para os que têem que se deslocar ao porto onde o cruzeito se inicia. Quem vive em Portugal, para um cruzeiro que parte de Barcelona, tem que se deslocar de avião. E fica submetido às contrariedades que por vezes surgem nessa viagem até ao porto de embarque. Atrasos dos vôos, problemas nos aeroportos, etc.. 
             Nesta última viagem que fizemos, no regresso encontrámos um casal que participou no mesmo cruzeiro. Fizeram a viagem de avião, do Pôrto para Barcelona. E quando foram levantar, em Barcelona,  as duas malas que levavam para o cruzeiro, faltou-lhes uma. A senhora é doente cardíaca, e o marido tem uma doença crónica. Pelo que, em viagem, levam sempre os medicamentos necessários. E que, por azar, iam na mala que lhes faltou. Imaginem o que passaram a bordo, sempre a caminho do hospital do barco.
             Claro que muitos e diversos azares podem surgir quando vamos a caminho do nosso destino turístico.Mas quem, como nós, gosta muito de viajar, pensamos sempre que tudo correrá pelo melhor.   

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Somos vergastados, somos resignados.

             Se querem uma análise económica séria, daquelas que não se publicam, uma das que deveriam constar dos programas de todas as escolas , da primária à universitária, façam o favor de ir ao You Tube procurar um programa, em video, intitulado "DINHEIRO À GRANDE, DINHEIRO À PORTUGUESA". Não é de futebol, não é de culínária, não é de religião.é um exemplo de atitude generalizada sobre o dinheiro, sobre as finanças, sobre a microeconomia e a macroeconomia. Explorando a resignação de quase todos perante os malefícios do dinheiro, resignação que ninguem combate  e que deveria ser atenuada e eliminada pela divulgação e informação dos motivos e causas das crises que temos vivido. Onde está o mal, quem o apoia e porque não se combate.
             Que remédio, há tanto tempo que é assim, que havemos de fazer...

domingo, 17 de junho de 2012

Regresso

           Depois de sete dias sem assistência a êste meu blog, recomeço. Estive de passeio num cruzeiro. Regresso carregado mas não farto de mar. O mar nunca me farta, nunca me saturo de mar, de maresia, das suas ondas, tempestades e bonanças. Porque sei que obedece a Deus, o seu filho Cristo provou-o às mulheres e aos homens do seu tempo, ordenou.-lhes, ao mar e aos ventos que aplacassem e ambos serenaram, findando a tempestade. Como ordenou ao mar que desse peixe a todos os famintos, multiplicando o seu número como, noutra ocasião , multiplicou o pão, para todos os esfomeados presentes.
            Por êstes e por muitos outros milagres, Cristo está na alma de toda a gente há mais de dois mil anos. 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Animais em cativeiro

            Na noite passada, em sonho, recordei a excursão ao jardim zoológico, quando estava no colégio.
            Voltei a sentir a mesma tristeza quando observava, presos nas suas jaulas, ou numa liberdade muito limitada, os animais que lá se encontravam. Daí resultou ou deverá ter começado a definir--se o sentimento cada vez mais profundo de insatisfação, de não concordância, de contrariedade sentida pelo cativeiro imposto a qualquer dos aqueles que habitam a Terra e têem tanto direito à liberdade, como nós, humanos, na Terra.
             Desde que me conheço que não gosto de gaiolas, jaulas, prisões, amarras forçadas, grilhetas.
E lembro-me, que muito mais tarde, quando regressámos de Angola, fui com a Mari a êsse jardiim. E que uma das lembranças que hoje mais recordamos é a dum gorila, numa jaula fortíssima e que nos atirava com tudo o que tinha à mão, logo que via os turistas entrarem na sala onde a jaula se encontrava.
             Os jardins zoológicos deveriam ser proibidos. Se o homem continuar a evoluir, não para a barbárie mas para a bondade, querendo conhecer os outros seres cá da Terra irão em excursões até à natureza onde vivem em liberdade ou, quando muito, os conservarão embalsamados depois de morte natural ou vê-los-ão em filmes e fotos.
            

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A prateleira de pedra

            A mulher entrou na dispensa, arrumou a um canto o balde, a pázinha do lixo, a esfregona, com o mesmo ar resignado, amorfo e automático de todas as donas de casa quando fazem os trabalhos de casa, bateu com a cabeça numa das prateleiras de pedra, hás-de bater mais, hás de bater, dêxa-te  estar ai qestás bem, ê já tedigo, não te disse nada e já respingas, esfregou a testa à procura dum galo, batia na magana da prateleira sempre no mesmo sítio da testa, ´inda hás de bater mais, bates sempre que lá ponho  a esfregona, devias era bater no Ismael, pr'a qué cu parvo do Ismael fez uma dispensa tão pequena, mais pequena cuma barraca da praia, ó menos lá não há prateleiras, a areia é a prateleira  ali s'arruma tudo, qaundo a gente vai pr´á praia
            Assim ela murmura e pensa pra dentro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aladino

       E aqui estamos. Resignados com as desobrigações, pouco mais tendo de interessante que a vida, que a visão do prédio em frente de fachada que  já sei que alli está e não se altera a não ser que um terramoto oportuno a destrua. Cá estou, esperando o funcionário que vcm recolher o material que, como todos os materiais, tem sempre razão, e porque razão a visita do funcionário não me sai do pensamento, era mais engraçada a forma como a minha tia avó Berta o dizia -  "não me sai do bestunto!", com ponto de exclamação e tudo, nunca percebi como ela o conseguia, eu nunca consiigo que os outros percebam oa meus pontos de exclamação. Não constumo ter lapas no pensamento, sou igual no xadrês, gosto  de fugir à teoria, tantas teorias que não passaram disso, que esqueceram a prática, as teorias encheram inúmeros livros, as práticas , de acordo, são mais esquecidas por quem não as pratica, o bibelot em cima da cómoda é, em teoria, uma prática usual, passa a categoria especial se fõr uma caixinha com as cinzas do parente falecido que, por acaso do destino, foi seu marido. Não aceito que ali se sinta confortável, reduzido a essa condição de marido dentro dum "bilbelot" e às espera do seu Aladino. Que de novo o trnsforme em fumo e depois em gigante. Todos fomos gigantes, não vale de nada ser modestos.  
          Nem tristes, por mor da derrota contra a Turquia. 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mãe

          Arranho a memória à procura dos teus olhos
          Deixo que a inceteza cante o meu fado
          Embalo-me na suavidade das carícias
          Que me concedias, Mãe, a meu lado.

          VIro mil páginas em branco do passado
          Procuro nesses escaninhos o teu coração
          E procuro reviver os passos dados
          Ao encontro feliz das tuas mãos

          Deixáste-me uma noite e saiste com suavidade
          Sem qualquer condição sem qualquer promessa
          Deixaste bem gravada a tua bondade

          Foste para o céu que sempre mereceste
          Para bem longe, mais longe que a saudade
          Que no resto da minha vida me deixaste.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Estou regressando

                                    Estou regressando.
             Abri as malas e deitei a preguiça no balde do lixo das inutilidades, agitei as asas do pensamento, abri a janela da saudade, procurei recuperar a alegria de escever.
             As blogotecas - não sei se inventei esta palavra, mas ainda não existe, não conheço outra- são bibliotecas sem estantes, de borla, muito mais fáceis de consultar que as que temos em casa e onde acumulamos a livralhada que vamos comprando e a que nos vão oferecendo. Tem o inconveniente de não ormamentar paredes da mansão com obras belamente encadernadas.Para mim é muito útil, não ocupa espaço e tem regras fáceis de cumprir. Até, sabemos quantas visitas tivemos à nossa blogoteca, os comentários que nos ofereceram, e as datas em que escrevemos as mensagens que lá pespegámos. Podemos eliminar as que não nos interessa conservar, as que nos envergonham hoje porque naquele tempo pensávamos diferente, podemos eliminar ou até não permitir a publicação dos comentários que não aprovamos ou que apenas não nos agradam. Sem qualquer quota a pagar.
             Esta invenção dos blogs foi melhor que a das autosestradas em tempos de crise, deixo à inteligência dos visitantes vislumbrar porquê.     

domingo, 3 de junho de 2012

O mérito e os méritos

            Desculpem a insistência: o mérito e os méritos não podemos trazê-los nos bolsos, o mértito e os méritos não desaparecem com as asneiras de certos senhores, o mérito e os méritos não podem ser roubados a quem os têem. E ainda: o mérito e os méritos não se podem conseguir por favôres, por corrupção, por interesses; o mérito ou os méritos não é moeda de troca, é qualidade por serviço honesto prestado; o mérito ou os méritos avaliam a qualidade, o carácter, a personilidade dos que os possuem.
            Ainda que os méritos, num novo sistema financeiro possa servir para avaliar o valor de cada objecto ou de cada serviço, na base dessa avaliação está a actividade do ser humano, um mérito poderá significar, representar ou equivaler, por exemplo, a uma hora de trabalho, de aplicação, de actividade de ocupação duma mulher ou dum homem. E, não sofrendo os efeitos da inflação ou deflação, não muda de valòr, não está sujeito às decisões dun senhores que decidem como querem sobre a circulação da moeda.         
            As ideias sobre o novo sistema irão surgir, sendo aplicadas com mais ou menos êrros, com maior ou menor sucesso. Por mais que o queiram impedir, a mulher e o homem quererão mais tarde ou mais cedo deixar de usar dinheiro. Poderá tardar um século ou mais, poderá ocasionar guerras ou conflitos locais. Mas terá de apararecer um grupo de mulheres e de homens que atentem nos malefícios do dinheiro para uma parte cada vez maior da humanidade.
            No dia em que se publicarem as listas de quem foi mais prejudicado com as crises talvez então comecem a surgirmais ideias e intenções de modificar o sistema actual. Ou talvez nem seja necessário chegar a tanto.
            No Brasil surgiu já um " Partido do mérito". Se vos interessa, consultem a internet. Desconheço o êxito que teve. Mas aí está um dos primeiros passos.

Terminou o meu folhetim

               Terminou o meu folhetim. Aguardo as críticas. Importa-me que alguém diga, a propósito, que não interessa responder a  fantasias. Mas eu gostaria de saber, desses cavalheiros, o que pensam do dinheiro. O mais provável é que me respondam, que não interessa pensar nisso(ou será que não interessa pensar?), que não se pode substituir, temos de viver dentro desse sistema do dinheiro, não existe outro melhor, etc.. Argumentos de quem não quer pensar nos malefícios que o dinheiro vem causando, desde que existe, sempre a mais e a mais habitantes, em qualquer parte da Terra. Se perguntamos a esses senhores se alguma vez leram ou se recordam o que disse Jesus Cristo no sermão da montanha, duvido que a resposta seja afirmativa ou que não seja do mesmo teor. Que foi uma fantasia, etc..  E que julgam, o que sentem dos que vivem não dependentes do dinheiro? Os que vivem não se sentindo perturbados com a conta bancária?
              Que o sistema dos méritos é outra modalidade de dinheiro. Não é. Os méritos não se trazem no bolso, os méritos não se perdem pelas asneiras que outros senhores cometem, os méritos não se podem roubar.
              Que será muito difícil e demorado passar para outro sistema e abandonar o do dinheiro. Não dizemos o contrário. O sistema do dinheiro não levou séculos a se implantar como existe nos dias de hoje?  E o que existe nos dias de hoje, ao fim de mais de dois milénios? Existe um sistema, o do dinheiro, que dia a dia são mais prejudicados os que menos têem; um sistema que não promove uma grande difusão de conhecimentos, dessa forma camuflando e não explicando, para a maioria dos habitantes, tudo o que decretam sobre o dinheiro, todas as políticas e acções dos governos, sobre o dinheiro. Porquê a informação nos jormais, nas rádios e televisões, nunca explica senão ao de leve e poucas vezes o que significa inflação, os perigos dos bancos, as decisões sobre a moeda? E o que é que o dinheiro consegue que não se possa conseguir com o sistema dos méritos? De forma honesta, nada. de forma desonesta, muito. E se informassem hoje, os cidadãos, tal como aconteceu após o 25/4/1974, sobre as contas bancárias de quem tem mais de vinte ou trinta mil euros depositados?.
Nêsse tempo, até informaram que Salazar, ao fim de 48 anos de fascismo e de primeiro ministro, tinha 130 contos no banco. E exigem, com o que concordo, o seguro obrigatório contra terceiros, mas a quem tenha automóvel, não aos bancos, que têem e governam como lhes apetece, as contas que lá temos.
             Querem um exemplo contundente? Ei-lo: porquê os bancos não têem um seguro que garanta  aos depositantes os seus depósitos? Porquê não é provável que alguma companhia de seguros o faça?
              Êsses senhores, que falam de fantasias, não falam nem explicam certas realidades. Querem um exemplo? Ei-lo: nunca disseram que quando um governo em Portugal, há dezanove anos, aumentou a quantidade de dinheiro em circulação, provocou uma inflação de 35% e ao mesmo tempo, com grande propaganda, concedeu magnânimamente 10% de aumento nos ordenados dos trabalhadores. Foi um roubo. Compreendem o roubo?  Não explicaram que os que viviam do seu trabalho perderam 25% do poder aquisitivo do dinheiro que tinham e do que auferiam com o seu trabalho. O que compravam antes com  cem passou a custar-lhes cento e trinta e cinco. E hoje, jactam-se com grandes parangonas do que fizeram nessa época. Sabendo-se que a isso foram forçados pelas asneiras dos governos, não lhes atribuindo nem sentindo qualquer responsabilidade.
             Não querem que a população adquira mais conhecimentos e esteja mais informada, embora com enorme hopocrisia bradem que o governo deve informar bem.                          

Folhetim - Sonho de sorte - 134 -

                                                                          LXX              



               O primeiro ministro, chegando ao seu gabinete no ministério, determinou ao secretário:
                         - Convoca com urgência o ministro das finanças e o ministro da administração interma para uma reunião, às dezasseis horas. Prepara-me um "dossier" com o essencial sobre a fundação que visitei, enquanto eu almoço. Deixa-o aqui na minha seretária.

                O PM abriu a reunião  marcada dizendo:
                        - Esta manhã fiz uma visita surpresa à fundação com a sede próximo do Dafundo, referida em tantos artigos de jormais, revistas e televisôes. Aqui trago o essencial da minha visita, peço-vos que o leiam. Confirmei a opinião generalizada de que aquela fundação iniciou uma obra notável, com reflexos marcantes nas populações dos concelhos que vem beneficiando. O senhor presidente da república, que me aconselhou esta visita, apoia uma decisão favorável do governo para a concessão duma subvenção a essa fundação, o que eu irei propor ao conselho de ministros no montante de um milhão de contos.
                 Os dois ministros entreolharam-se aguardando que o PM continuasse:
                       - Senhores ministros, tive conhecimento de diversas acções contra a FAP praticadas por serviços ligados aos vossos ministérios. De hoje em diante, suspendam-nas. Passaremos a conceder todo o apoio possível a essa fundação, falaremos mais tarde sobre isto. Aconselho-vos, logo que vos seja possível,  visitar essa fundação - disse, terminando a reunião com frieza inusitada.

                 Pouca demora houve na chegada à FAP das noícias sobre a reviravolta. As visitas de inspectores ou de polícias pelos mais variados motivos, cessaram por completo a partir do dia seguite.
                 Durante a manhã, informados do que ocorria na fundação, Fernando e Júllia, entusiasmados com a situação, encontraram-se com os colaboradors mais directos, comunicando as notícias e pedindo projectos e ideias novas para implementar.
                 No restaurante quase cheio, Júlia, interrompendo o almoço, pediu silêncio batendo ao de leve no megafone:
                           - Parece que as últimas boas notícias são conhecidas. A FAP deixou de ser perseguida, tudo leva a crer  que será cada vez mais respeitada. Temos de aproveitar a maré e  conseguir que esta não pare de subir. Ainda não sabemos a quem devemos a visita que ontem o primeiro ministro nos fez, devemos sabe-lo e agradecer. Esta obra da FAP começa a ser compreendida! - e Júlia, entusiasmada, continuou:
                           - A direcção propõe-se dar a conhecer a toddos os meios de comunicação, os projectos que temos em elaboração e os que foram entregues para aprovação. O mais importante para todos nós é o do que iremos chamar Centro Atlântico de Cultura e Inovação , se não surgir ideia melhor para o seu nome e que envolverá a construção da zona escolar, da zona de saúde e dum bairro habitacional.
              Ouviam-se alguns aplausos e palmas, de pronto interrompidas por Júlia:
                            - Os aplausos merecem ser concedidos a todos os colaboradores da FAP, o importante é a felicidade crescente que todos sentimos. É a maior riqueza  que vamos adquirindo e que  nenhuma crise poderá apagar.
              Todos sorridentes, caímos num silênco de segundos contados no nosso tempo, sem medida no tempo da alma, bem impressos no sentido da vida.

                                                                    ######

         Por fortuna estive presente nesse almoço. Por fim compreendi tudo. Compreendi a beleza e a razão da felicidade que via na cara de todos os que estabem no restaurante, desde os directores até aos colaboradores que exerciam as funções mais modestas, na FAP. Parecia que uma corrente selenciosa, mais intensa e vibrante que qualquer outra, prendia e fazia sorrir os que estavam no refeitório, com um perfume de sabedoria e exaltação, sem duração limitada, pelo meio do tempo e da vida de todos nós.
         Aqueles segundos de silêncio que a felicidade sentida iimpôs a todos de forma inconsciente, definiram um pouco do mistério do tempo. COmpreendi por fim porque Júlia e Fernando me haviam dito que, dar sem pensar, nos faz entrar, vivendo, noutra dimensão: a da alma.




                                                               EPÍLOGO

             Cinco anos depois, o Centro Atlàntico de Cultura e Inovação ficou completo.
             A FAP deixou de depender de prémios ou de jogos, vive das receitas próprias e das compensações que o governo lhe entrega pela dininuição do desemprego, pelo ensino nas suas escolas, pelos seus serviços de saúde. Disseminou a sua acção por outras regiões do país e implantou-se com sucesso no estrangeiro. Sempre com o mesmo espírito e irradiando a mesma felicidade que referi. E conseguindo a mesma união, voluntária e desprendida, de todos os beneficiados e colaboradores.
              Apareceram e aparecerão alguns inimigos, mais e mais beliscados dia a dia nos seus negócios, nas suas ideias, no seu orgulho e egoísmo. Talvez até nos tentem eliminar e eliminar a FAP. Com todos procurarei encetar a polémica, utilizando argumentos leais.
              Julgo ter deixado bem explícita a mensagem objecto deste livro: acabar com o dinheiro e diminuir a pobreza até que esta também acabe.
              Aceitam-se controvérsias, argumentos contra ou a favor, críticas. Não recusarei respostas, que serão dadas pela ordem de chegada das mensagens.

                                                                   F  I  M 
                
                                                               


















sábado, 2 de junho de 2012

Folhetim - Sonho de sorte - 133 -

                                                                     LXIX

              Eu conhecia o primeiro ministro. Com muito boas qualidades mas que, após três anos de governação  não conseguia encobrir alguns defeitos, o maior dos quais, em minha opinião, era a demagogia frequente.
              O poder ressalta as qualidades mas cria quase sempre, em quem o possui, a ilusão da diminuição  ou ausência dos defeitos. Esbatem-se e desfarçam-se os prejuizos ou problemas que causam ao servir-se das alavancas de que dispõe. Existe sempre uma legião de simpatizantes recentes, em maior número que os mais fieis, que se deslocam para o lado donde sopram os ventos favoráveis. Representam uma percentagem considerável do eleitorado, agrupando indivíduos muito pouco conscientes de se próprios. São quase todos os que vemos vociferando palavras de ordem nas ruas, em manifestações orgnizadas ou entusiasmadas num jogo de futebol.
              Mas eu também reconhecia algumas boas qualidades ao primeiro ministro: não menosprezava a condição de católico praticante, respeitava os adversários, dialogava com seriedade, sendo incapaz de prejudicar quem auer que fosse, servindo-se dos poderes conquistados nas eleições. Pelo que me convencera que a tempestade política que desabara sobre a FAP não fora de sua iniciativa nem teria o seu apoio. Não foi difíícil conhecer a origem dessa guerra, faltava-me descobrir o motivo.

              O livro que começei a escrever sobre a FAP refere a obra, também deverá referir as dificuldades, as oposições e os inimigos encontrados.
              Tendo oportunidade de falar com Júlia, perguntei-lhe:
                         - Doutora, qual a origem de todos estes problemas que afligem a FAP?
                         - Não tenho a certeza mas tudo parece ter origem no ministério da administração interna. Porém, a parte mais importante da resposta, a de descobrir quais os mentores e os seus motivos para essa acção, deve ser mais complicado, mais difícil de enumerar. Talvez por razões políticas nada relacionadas com a direcção, talvez porque apenas tenha origem em sentimentos recalcados provocados por factos que atingiram esses dirigentes num passado mais ou menos distante, deixando-lhes desejos de desagravo, desforra e retaliação inconfessados.
                          - De imediato o mais importante é saber o resultado da vossa diligência no tribunal. Qual foi?
                          - O juiz deferiu a providência cautelar, já arrancámos os selos das portas da fábrica, amanhã teremos o nosso páo quente ao peequeno almoço.
                          - Não continuaram as tentativas para fechar as outras fábricas?
                          - Tetarem, nada consiguindo até hoje. O doutor Manuel Macedo tem comseguido abortar tudo o quer intentaram!

               No dia seguinte, de manhã, o primeiro ministro, no seu gabinete, iniciou uma revista rápida aos diários que um seu assessor, como sempre, lhe colocara sobre a secretária. Se alguns artigos lidos nos dias anteriores lhe haviam despertado a curiosidade, esta última, que lia no jornal à sua frente, fê-lo tomar uma decisão. Chamou o seretário:
                           - Traga-me tudo o que consiga sobre esta fundação a que os jornais tanto se referem. Avise o condutor do meu carro para estar aqui à porta às onze horas. Iremos os dois, não se esqueça do gravador.
                O PM era impulsivo, sem ser precipitado. Tomava por vezes decisões simples sem antes as comunicar,  mesmo essas após reflectir durante alguns minutos.
                Ao entrar no carro, disse ao condutor:
                           - Vamos para o Dafundo, para a sede da fundação que fica perto, deve conhece-la pelos jornais.
                Quando chegou à FAP, fizeram-se anunciar na recepção. Laura atendeu-os mal disfarcando a surpresa inesperada de tal visita.
                           - Senhor primeiro ministro, muito bom dia, que boa surpresa ter aceite o nosso convite. Sou a subdirectora desta fundação, Laura Azevedo, os directores não estão, não foram avisados da sua visita.. Acompanhem-me para combinarmos a agenda para hoje.
                 Entrando na sala de reuniões Laura indagou:
                           - Não sei quanto de quanto tempo dispõem, o que proponho...
                 O PM,  abrindo a pasta que trouxera, interrompeu-a:
                           - Tenho hoje a agenda muito carregada, teremos de vos deixar às treze horas.
                 Júlia e Fernando tinham dicidido que as visitas oficiais deveriam iniciar-se fora da sede , para um conhecimento directo e imediato das realizações e actividade da FAP. Pelo que Laura propôs:
                           - Senhor primeiro ministro, porque apenas despomos de duas horas, não sendo o trânsito muito intenso proponho-lhe que de imediato sigamos para a zona onde temos, com excepção desta sede, todos os nossos investimentos e onde exercemos as nossa actividades mais importantes.
                  Enquanto seguiam para a outra margem, Lura pegou no telemóvel. O PM, porém, interrompeu-lhe a intenção de telefonar, dizendo-lhe:
                           - Doutora Laura não avise ninguém da nossa chegada, prefiro observar como tudo se passa dentro da normalidade, sem interferências. E Laura, fechando o telemóvel. respondeu:
                           - De acordo senhor primeiro ministro.
                  Passaram pelas fábricas, detendo-se com brevidade em cada uma. Quando pararam nos pontos de venda, Laura informou:
                           - Senhor primeiro ministro, embora dispondo de  pouco tempo, ainda gostaria que vossa excelência observasse aqui muito perto, o trabalho das nossos colaboradores que procedem à distribuição das ofertas aos mais necessitados.
                  Perante a anuência do PM, pararam um pouco depois. Saindo do carro, Laura chamou um dos distribuidores que muito perto entregava um envelope a um dos moradores na rua. Ao reconhecer quem saía do carro, saudou:
                           - Muito bom dia senhor primeiro ministro!- ao ue o PM indagou:
                           - O senhor efectua esta distribuiçao desde quando?
                           - Desde dezembro de mil novecentos e noventa e sete.
                           - Vi que entregou um envelope àquele senhor, sabe o que o envelope contem?
                           - Um cheque de cinquenta mil escudos.
                    O PM fez mais duas ou três preguntas. Demonstrou interesse crescente em cada local onde paravam. E foi Laura que avisou o PM que haviam ultrapassado a hora para finalizar a visita:
                           - Embora sendo tarde, senhor primeiro ministro, ainda nos falta visitar os pontos de venda.
                           - Doutora Laura, o que vi e ouvi decidiu-me ficar mais algum tempo. Que me propõe que visitemos mais?
                           - Proponho-lhe que visitemos os pontos de vendas, regressemos à FAP e que aceite o nosso convite para almoçar.
                     Passaram pelos pontos de venda. Laura apresentou todo o processo de aquisição ou venda de bens sem dinheiro em circulação e regressaram à FAP. O PM poucos comentários fez ao que viu. E após felicitar Laura e toda a direcção pela obra realizada, recusou o convite para almoçar e prometeu dar resposta, dentro de poucos dias,  aos pedidos que a direcção lhe apresentou. Despediu-se em seguida.
                    Fernando e Júlia chegaram pouco depois. Laura relatou-lhes a visita, frisando que não os havia avisado por imposição do primeiro ministro.
(continua)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Folhetim - Sonho de sorte - 132 -

                                                                                  LXVIII

              Antes que a direcção saísse e se dirigisse à autarquia cujo presidente lhes marcara uma audiência, Júlia incumbiu a Maria dos Anjos da tarefa urgente  de comunicar às estações de rádio  e de televisão e às redacções dos jormais, tudo o que se passava, referindo que a obra da FAP estava em muito perigo e propondo entrevistas e reportagens.
             
              Ao entrar no gabinete do presidente da câmara, Júlia, de modo apressado, cumprimentou o presidente da autarquia e não esteve com rodeios:
                       - Senhor presidente, é inqualificável  o que o governo pretende.. Deve estar informado do que tem sido a acção da polícia juidiciária, dos discais de diferentes  direcções gerais, das tentativas de paralisação  das acrtividades de apoio a todos os que a FAP beneficia. Conseguimos que até agora só fechassem as portas da fábrica de pão e massas alimentícias. A imobilização desta indústria causou grande surpresa e revolta aos que ali se dirigiram. Por pouco não linvhavam os dois fiscais. O nosso contencioso apresentou uma providência cautelar no tribunal deste concelho, tentamos desta forma garantir o direito que nos assiste de manter a laboração, evitando uma lesão grave e difícil de reparar. Poderíamos ter evitado a selagem  das portas da fábrica mas a surpresa e a rapidez de actuação dos fiscais impediu uma reacção imediata. Prevenidos, conseguimos evitar a selagem noutras unidades.
                      - Resumindo - disse o presidente - sonseguiram evitar a acção desses cavalheiros?
                      - Conseguimos evitar que continuassem. Queremos reabrir o mais breve possível a fábrica selada, pelo que pretendemos que o doutor juiz do tribunal deste concelho defira o nosso requerimentoto. Como a cãmara e em particular  o senhor presidnte têem boas relações com o tribunal da comarca, pedimos-lhe que nos acompanhe, se é possível, ao tribunal, ainda hoje, para soliciar ao juiz o despacho  da providência cautelar.
           O presidente da câmara José Serrão, não é indivíduo de meias palavras, nem se serve de rodeios subtis, argumentos falaciosos ou conversa em tom amigável mas hipócrita e evasiva que disfarce um desejo íntimo de recusa a um pedido, com palmadinhas nas costas e promessas de se ocupar e preocupar com muita reflexão, etc., etc..De pronto respondeu:
                       - Tenho bastantes notícias do que se passa. Telefonemos para o tribunal e solicitemos ao juiz urgência para que nos receba. Vamos já para o tribunal. O juiz Pereira de Lemos conhece e aprecia a vossa obra e nunca recusou receber-me quando lhe anunciei uma visita urgente.

           O doutor Pereira de Lemos, juiz da comarca há quatro anos, era personagem bem aceite por todos cidadãos, muito considerado pela justeza e cuidado nas sentenças. Desde que iniciara ali as suas funções era notado por algumas atitudes enérgicas fora do tribunal. Ficara célebre, dois anos antes, quando impusera uma multa a um conheido deputado, por infracção resultante de manobra perigosa na via pública. Um polícia de trânsito em servipo no local, depois de reconhecer o político e o cumprimentar, perdoou-lhe a multa. O juiz Pereira de Lemos, que seguia no automóvel à frente, apercebendo-se do que se passara, parou, chamou o polícia, indenrificou-se e obrigou-o a autuar o deputado prevaricador. Muito trabalhador, despachando um número de processos acima da média, atendia todos os dias durante duas horas os que o procuravam para assuntos do tribunal e mantinha nos julgamentos a mesma atitude serena, firme e constante perante os advogados, os réus e todos os que participavam nas audiências.
            Depois de cumprimentar os recém chegados, disse:
                        - Julgo saber o que vos traz por cá, recebi hoje o requerimento para a providência cautelar que o doutor Manuel Macedo entregou aqui na secretaria.
            Assinando um requerimento que tinha à sua frente, mais referiu:
                        - Senhores directores da fundação, dei despacho favorável à vossa pretensão. Digam-me, estão mais calmos os ares lá pela fundação?
                        - Ainda não, ainda não, senhor doutor juiz. A situação parece melhorar mas ainda existe bastante desassossego e inaquietação. O senhor deve ter motícia do clima de apatia, descrença e incerteza que existia nesta zona e como se modificou desde que a FAP exerce aqui a sua actividade. A criminalidade diminuiu e é a menor , comparada com o resto do país. Os índices de pobreza e desemprego baixaram para valores ínfiimos. Desculpe o desbafo...Por agora, o que mais pretendemos saber é se poderemos arrancar o selo da porta da fábrica de pão.
                       - Engenheiro Fernando Gacia, podem fazê-lo de imediato, conheço bem os inconvenientes que o fecho dessa fábrica está causando - e o juiz, acompanhando-os até ao corredor do tribunal, acrescentou - aliás. segundo me contou o doutor Macedo, parece que os fiscais exibiram uma ordem dum tribunal. Nessas circunstâncias, essa ordem do tribunal que a emitiu, foi, em meu entender, ilegal. Também vos quero dar uma notícia que decerto vos agradará: o chefe da polícia informou-me e consultou-me, sem pedir segredo, sobre certas  instruções que recebeu dos seus superiores. Disse-lhe que só posso interferir na acção da polícia no que a lei me permite. Referiu-me dois ou três casos, todos relacionados com a fundação. A minha  resposta foi que deveria consultar o contencioso da polícia antes de tomar qualquer atitude de desobediência no cumprimento das instruções que recebeu.
                       - Senhor doutor juiz - disse José Serrão - como presidnte da autarquia e em nome dos milhares de beneficiados pela FAP agradeço-lhe o despacho da providência cautelar e a sua atitude perante êste caso. Tenho esperança que todos os seus colegas encarem a acção desta fundação com a mesma isenção e interesse.
                O juiz ainda preveniu:
                        - Atenção, podem abrir as portas seladas, mas, por força da lei, a fundação terá de apresentar neste tribunalo uma acção principal contra quem selou as portas. Sem essa acção, o meu deferimento pode ser anulado.


                                                                              #####

               Depois de rever muitas das notas que colhi, que ocuparam muitas folhas A4, reunidas em diversos "dossiers", lembrando-me das conversas com os directores e com muitos colaboradores da FAP, tinha perfeitamente percebido e definido tudo o que ligava o grupo e que constituia a força da fundação.    
 (continua)