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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ala! para Lisbos, para a casa de Fernando Pessoa. Para a nossa terceira aula, da Patricia Reis. sobre literatura, sobre coisas da vida dela, da vida de muitos dos que participam e se enriquecem ouvindo-a falar, conversar, provocar-nos, entreter-nos, fazer-nos pensar, partilhar aqueles bons momentos e sair de la´ surpresos e aborrecidos por a hora e meia ter decorrido em tao poucos minutos, como aconteceu nas duas aulas passadas.
O homem descobre tanta coisa inutil, quando descobrira´ o po´zinho que fara´ alongar o tempo agradavel?
Uma surpresa agradavel, das mais agradaveis, quando outra pessoa nos fala recordando com carinho factos passados com os nossos pais, com os nossos avos, com os nossos amigos desaparecidos deste universo.
Encontrei ha´ poucos dias a Lucinda. Uma velhota que ha´ cincoentae oito anos cuidava da casa da minha Mae, na Praia da Rocha. Recordou muita coisa que eu ja´ esquecera. Mas o que mais me comoveu foi referir-me a alegria e a bondade permanentes da minha Mae, das cartas que lhe escrevia, perguntando por ela, pelo Jeronimo,o marido e pela pequena Maria da Gloria, sua filha.
"Ai minha senhora - dizia ela para a Mari, a minha esposa - nao imagina o que ela fez pela minha familia, ajudou-nos muito, tirou-nos da fabrica, ajudou-nos muito ate´ morrer!"
Pelo meio do quotidiano surgem estas surpresas agradaveis.

domingo, 29 de maio de 2011

Olho para o meu pulso
Vejo a pele
Entro, passo pelas celulas mortas e encontro as vivas
Entro numa
Atravesso o citoplasma, entro no nucleo
Atravesso mais plasma, entro num cromossoma
Mais plasma, grande actividade
Tudo se expande tudo se reproduz
Quantas que saiem,quantas que entram
Entro num quanta
Uma estrela ao longe
Tudo e´ espaço
Nada e´ tempo
Espaço/tempo, infinito.
Tanta coisa bonita que eu nao sei escrever
Pede um conselho quando nunca penses segui-lo
A saudade nao se perde com o sonho
Os sonhos resultam da reaçao quimica da fantasia com desejos e tentaçoes

sábado, 28 de maio de 2011

Os sonhos fazem-me por vezes sentir a realidade do passado. Combinam cinicamente desejos, frustraçoes, anseios. Nao existe Prozac que os impeça dde surgir.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

"Corpo sem idade, mente sem tempo"

É um livro da vida, um livro maravilha. De Chopra.
Entre o muito que nos diz, aconselha-nos a irmos até aos quantas das nossas células, meditando. Mostra-nos como estamos ligados ao universo através dos fotões que emitimos e dos fotões que recebemos das estrelas e de todo o universo. Como abstrairmos do tempo, do espaço e dos preconceitos que teimamos em conservar sobre a vida, sobre a morte, sobre o tempo e sobre o espaço-tempo.
Uma criança pensa no tempo?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Despesa a menos é receita a menos

Li num jornal de hoje: "Despesa a menos é receita a menos, logo o defice fica igual" atribuindo a frase ao senhor José Pinto de Sousa ( a quem teimam só chamar José Sócrates, parece que querem que o senhor esqueça os seus apelidos).
E assim aprendemos mais um pouco de economia.
Só me fica uma dúvida: para onde foi a "receita a menos"?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Excepcionando, uma citação

Do meu genro chileno, que parece ser rico na palavra, transcrevo uma frase (não sei se é citação) que nos fez sorrir: " não há mulheres feias, há maridos pobres".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Que faria?

Se ganhasse as próximas eleições, um primeiro ministro honesto que faria? Talvez:
1.- Abrisse um concurso imediato, a realizar no prazo máximo de l mês para todo os lugares ocupados nas direcções oficiais, nas empresas públicas e público-privadas e em todas as instituições dependentes do Estado. Seria obrigatório que todos os admitidos nos últimos dez anos, sem concurso, por indicação ou proposta dum governante ou administrador, concorressem, pondo de imediato os respectovos lugares à disposição do governo. Os que não concorressem perderiam de imediato o lugar e a remuneração respectiva.A Assembleia da Repúiblica proporia uma lei nesse sentido. Os quadros de pessoal não seriam alterados.
2.- o governo nomearia tantos grupos de trabalho quantos fossem necessários( de três colaboradores cada um) , para analisar todas as instituições oficiais ou semi-oficiais (direcções gerais, institutos, empresas públicas, empresas publico-privadas, fundações subsidiadas pelo estado) com prazo de um mês. Esses grupos de trabalho apesentariam relatórios e a remuneração seria establecida por acordo, nunca ultrapassando os cinco mil euros. Os relatórios deveriam conter uma análise contabilística, uma análise técnica, uma proposta envolvendo a extinção do organismo em questão, a diminuição dos quadros de pessoal e o destino dos funcionários excedentes. E uma proposta para deminuição das despesas, na alternativa de coinuação daactividade do organismo em análise.
E faria muito mais...

domingo, 22 de maio de 2011

Continuando...

Terceiro: mas ainda dentro da economia e à carraça do dinheiro, a ela lligado. As mulheres e os homens cujos momentos mais felizes estão ligados à família, à cultura, aos amigos, ao interesse pelo conhecimento e pela sabedoria - momentos em que ensina os filhos, brinca com eles, conversa com eles, aprende com eles; momentos em que conversa com os amigos; momentos em que admira o que nos deixaram e legaram os que passaram pela Terra; momentos em que descobre o que tem gratis à sua disposição, na rua , nos museus, nos monumentos, na Natureza; momentos em que sente o prazer de comunicar com outros o que aprendeu na vida: as mulheres e os homens, em todos esses momentos, esquecem a carraça do dinheiro e não trocam esses momentos por essa carraça, quando muito arrancam parte dela para conseguir o que mais lhes agrada.
Alguns sinais começam a surgir, reveladores duma tendència para combater essa carraça. Sinais ténues, é verdade, mas sinais que revelam algum nascer de uma nova luz. Ontem, num programa que ouvi na TV, numa conversa, um dos personagens disse, mais ou menos, esta frase: "êle tem pouco dinheiro, mas tem muito mérito!". E deixaram de falar no dinheiro, na carraça que os estava incomodando. E continuaram a conversa, cada vez mais divertidos.
Têm valôr, em carraças, digo, em dinheiro, todos esses momentos em que disfrutamos a vida? Para mim nao tem. Mais: quanto mais os aprecio, mais sinto que o dinheiro, digo, a carraça, vai-me picando menos e roubando-me menos sangue, menos vida.
Suponhamos agora que dividimos a população que nos redeia por uma fita, como aquela que a policia emprega quando isola um acidente do público que passa. Suponhamos então que para um dos lados da fita,digamos a zona encarnada, vão todos os que o dinheiro, a carraça, os desvia dos momentos, felizes para mim, que atrás referimos; e que para o outro lado da fita, a zona verde, vão os que não permitem que o dinheiro, a carraça, os faça esquecer o disfrute esses bons momentos. Portanto na zona verde, o dinheiro incomoda menos, as carraças diminuiram, incomodam menos. Na zona vermelha passa-se o contrário, as carraças cada vez mais engordam.
E, numa primeira observação do que se passa nas duas zonas, reparamos que na zona vermelha, cada dia que passa morre mais gente por causa das carraças, digo, do dinheiro, sucedendo o inverso na zona verde.
Na zona vermelha, também se nota que, dia a dia, a maior parte dos que lá estão, teem, como objectivo principal, aumentar o dinheiro que teem(aumentar as carraças). E na zona verde nota-se , cada dia que passa, um desinteresse crescente pelo dinheiro.
De assinalar que na zona vermelha, muitos dos que estão no fim da vida, por doença incuravel ou por senilidade e incapacidade crescente, muitos senão quase todos, lamentam não haver extirpado o dinheiro das suas vidas, (arrancado mais cedo as carraças) ocupando mais o tempo das suas vidas noutras actividades diferentes do amealhar o dinheiro. Enquanto também se nota que os da zona verde,tmorrem mais tarde, teem mais esperança de vida, menos se preocupam com a saúde, antes tentam sempre aproveitar mais e mais o que a vida lhes proporciona, tendo eliminado ou muito reduzido, sem grande esforço, o ataque das carraças.
Amanhã, continuo.

sábado, 21 de maio de 2011

Continuando a descoberta

Segundo: a mulher e o homem terão no futuro de pôr de lado as preocupações do presente(após resolvê-las), a doença, a justiça, a educação, a economia. E começar por esta última: reconhecer de vez que o dinheiro é o maior mal que aflige a humanidade, que por ele se têm cometido os maiores crimes, que notas e moedas são as piores carraças que existem. As mulheres e os homens continuam a lutar pelo poder sobre as outras mulheres e sobre os outros homens. Dando maior valôr a esse poder que à família, que aos amigos, que a todos os que habitam este planeta, que é o único lugar onde podemos viver. Pondo esse poder acima da instrução, da educação, da sabedoria. E no fim da vida pouco deixando mais que alguns bens materiais, à maior parte da descendência, que passe a ocupar a Terra..
QUANDO A MULHER OU O HOMEM SOFRE A ATAQUE DUM PIOLHO OU DUMA CARRAÇA, QUE FAZ? Nem sequer discute, procura o animal e liquida-o. Isto parece ser a prática corrente. Mas não é.
Seis biliões de habitantes da terra continuam sujeitos ao dinheiro. Talvez uns 60 milhões ^(um por cento dos 6 biliões) possuem fortuna, possuem mais do que necessitam para viver folgadamente. O dinheiro, desde que existe, cada vez origina mais miséria entre os restantes, mais fome, mais concições degradantes nas suas vidas. Entre os cinco biliões e novecentos e quarenta milhões restantes, muitos passam, todos as anos para a pobreza.
E o dinheiro, e o sistema internacional ligado ao dinheiro, vai prosseguindo a sua acção maléfica.
Sem que se discutacomo acabar com a carraça.
E, como é finito, existe, tem limites, assim o lançam, em circulação, todos os paises.
Mas, quando a inflação aparece, quando o dinheiro começa a ser infinito, (como aconteceu em diversos paises, (para comprar um pão enchia-mse uma mala de notas) os governos aplicam um insecticida à carraça, substituindo-a por outra variedade de dinheiro.(e de carraça), ficando mais pobres os pobres e o país com mais pobres.
E falando cada vez menos da praga.
E educando os filhos de forma a conseguir poucas, cada vez menos "mentes sem tempo".
Se me perguntarem porquê, eu explico.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

E, por ter descoberto...

E por ter descoberto que começo a ter uma mente sem tempo, vou de certeza começar a descobrir uma data de coisas que a mente sem tempo me está, me pode proporcionar, e que decerto, como tudo o que me acontece, poderá modificar a minha vida.
Primeiro: não existe pouco tempo nem muito tempo. Quando dizes: corta-me um terço desse bolo, vês, sentes, pesas, comes o que cortas. E se o bolo fosse infinito, ou fosse um infinitésimo, poderias vêr, sentir nas mãos, pesar,cortar e comer um terço do bolo? Logo: não existe esse bolo infinito ou outro bolo infinitésimo, nem podes imaginar como será qualquer um dos dois.
Curioso, né?

Descobri !

Sem esfregar as manchas negras com qualquer mézinha, vejo que essas manchas quase desapareceram das minhas mãos.Parece-me que descobri porquê.
Por, pouco a pouco, sorrindo, sem me preocupar, só me ocupando no que a vida me vai dando, começar a possuir uma "mente sem tempo".
Tudo o que é infinito, como tudo o que é infinitésimo, não se vê, não se apalpa, não se sente. Porque os nossos sentidos são finitos, só chegam ali onde está a coisa, só sentem o que se apalpa, só reagem com o finito.
Numa das células vivas do nosso corpo, desencandeiam-se inúmeras reações de que não nos apercebemos. Os nossos neuróneos originam em cada instante milhentas influências que são transmitidas às células de todo o nosso corpo, modificando e criando reações que se reflectem no comportamento das células. Reações que não se podem localizar no tempo. Como o nosso tempo de vida na terra, como o tempo de vida DA terra, são tempos que não se podem localizar no tempo - porque este é infinito, não podemos referenciar a terra (e qualquer um de nós) no tempo, mais para cá ou mais para lá, dizer onde está o tempo zero, onde está o tempo x ou o tempo y. Porque não sabemos quando ou onde começou o tempo. Nem onde poderá acabar.
Portanto começo a acreditar que o tempo não existe, não tem qualquer importância falar dele ou pensar nele. As horas, os dias, os anos , o calendário, etc., são meras referências da nossa mente limitada.
Portanto, sem tempo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

As minhas faltas neste blog

O curso de Patricia Reis ocupa-me em Lisboa e cá, com os TPC, com as leituras que me induz. neste blog. São meias desculpas para não lançar mais umas linhas, exprimir alguns pensamentos e dar a minha versão de alguns acontecimentos. O que vou retomando quando posso, quando quero e quando tenho disposição para tanto.
Na passada segunda-feira, Patricia Reis ofereceu-nos mais uma aula. Bôa. Se a primera a classifiquei com 20 valores (na antiga classificação de 0 a 20), esta valeu 19.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A minha Mae

A minha Mae completaria hoje, se a morte nao a tivesse levado tao cedo, cento e vinte e um anos de vida. Estara´ hoje fazendo a sua ginastica matinal, tocando piano e cantando as suas areas de opera acompanhada ao piano pelo meu Pai, atravessando o Arade a nado, saindo `a noite, entrouxada e mascarada para um bailarico de carnaval, dando-me um beijo antes que eu adormecesse.
E intrigando na rua todo o cidadao que encontre. Nunca foi, por ca´, uma pessoa austera.
Com a sua alegria, no Ceu, todos os dias sao dias de carnaval !

Escrever...

Hoje, mais logo ao fim da tarde, mais uma aula do curso de Particia Reis, na casa de Fernando Pessoa.
Quando estive la´ , no passado dia 10 deste mes, percorrendo a casa, vi por acaso inesperado, o quarto onde Fernando Pessoa tantodormiu e tanto sonhou, fiquei um pouco chocado com a indiscriçao involuntaria. Nao sei se foi ali onde F.Pessoa dormiu durante grande parte das noites da sua vida. O quarto, em minha opiniao , deveria estar fechado, parece-me deselegante expo-lo `a vista de tanto visitante que por ali passa. Creio que a ele, lhe daria nausea saber disto. E que isto ontribuiria, ou,quem sabe, contribuira´ para mais um pensamento amargo e revoltante, com sofrimento e dor. Nao esta´ certo.
Fechem aquele quarto!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Cinco minutos

Ontem participei num curso "escrever...". Oferecido e conduzido por Patrícia reis. Na prática foi baratíssimo. A primeira aula valeu o custo da inscirção. Ficou a inveja de não sabermos comunicar tão bem, tão fácil, tao leve que duas horas duraram cinco minutos. Pareceu-me sentir o mesmo que quando gozava férias.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mais, minhas

Mais, minhas(perdoem a cacafonia, se isto é cacafonia).
Quando vou e volto fica lá um pedaço de mim.
Sempre que me decido pensar, encontro qualquer coisa.Por vezes inusitada.
Quando olho para algum dos meus filhos, lembro-me dos meus pais. E das minhas mães.
Nunca chego à hora certa a nenhum sítio. Ainda bem. Se chego atrasado, porque fiquei lá,donde vim, mais tempo. Se cheguei adiantado, porque parei mais uns segundos, ampliei, distendi o tempo, eis um novo invento. E, quando chego à hora exacta, é horrível, porque nunca percebo como o consegui e quando reparo, já passa da hora.
A minha Mãe chegava sempre atrasada. Mas nunca perdeu um comboio. Alguns esperavam por ela. Outros chegavam atrasados.

domingo, 8 de maio de 2011

Pensamentos

Seguem-se quatro pensamentos da minha imaginação pobre, sem modéstia.

Confiança nos polícos

A confiança nos políticos é inversamente proporcional ao sucesso das nossas digestões mais profundas.

Saudade

A saudade nunca desaparece quando sonhas porque nunca há um sonho que a desfaça.

Fita métrica

Desenrolei a fita métrica e guardei os centímetros de ilusões dentro da caixa dourada da fantasia.

Conselho a seguir

Pede um conselho sempre que não pretendas segui-lo.

sábado, 7 de maio de 2011

A escrivaninha da memória

É bom pensar, é bom percorrer a nossa base de dados mental, navegar por entre os escaninhos da memória, abrir a escrivaniha cerebral onde guardamos os melhores momentos no nosso passado, as melhores recordações, as imagens da vida que mais nos impressionaram. Voltar a ver o quadro negro da sala de aulas da universidade onde eu e mais cento e oitenta e um provaveis futuros agrónomos aguardávamos com grande curiosidade a chegada do professor de física agrícola, um professor catedrático quase em idade de reforma que nos parecia um velhote nos seus sessenta anos e que nos encarou a todos sem sorrir, de ar condescendente, a primeira coisa que nos disse era que estávamos numa aula universitária e que a primeira coisa que exigia era que todos teríamos de vestir correctamente, não esquecendo a gravata, a "gabadine" despida nos dias de chuva, todos de pé quando entrasse na aula, etc. cinco minutos de avisos e recomendações, podem levantar-se está terminada a apresentação, boa tarde e até amanhã.
Eu tinha então dezasete anos. Foi o que mais me impressionou na entrada para o Instituto de Agronomia.E a imagem desse dia continua numa gaveta daquela escrivaninha.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O dr. Mario Soares

Nem simpatia, nem antipatia. Vi-o uma vez, quando, por acaso, saíamos do mesmo avião que nos levou a Paris. De resto só o avistei e avisto na televisão, o que não é a mesma cousa. Ver alguem na televisão pode provocar-me algum comentário, não simpatia ou antipatia, nem concepção sobre quem nela se apresenta e fala. Não confundo política com humanidade.

O dr. Mario Soares

O dr. Mario Soares por quem não tenho nenhuma antipatia pessoal, já ccomenta.Leiam.

Manias de azuis

Mas oh senhor Januário nós combinamos que a cor da tinta para as paredes deveria ser a do azul do céu poente e o senhor pespega-me aqui com um azul que eu só posso classificar de eléctrico dona Laura cá pra mim este azul é como o do ceu olhe tenho aqui outro no catálogo este é o azul da Prússia quero eu cá um azul da Prússia eu quero é o azul do ceu poente o senhor Januário já viu um quadro do Rubens dona Laura se é o Rubens tanoeiro nunca mamostrou nenhum quadro azul não é isso senhor Januario, Rubens foi um pintor flamengo oh dona Laura eu de flamengo só conheço e muito gosto daquele q' a minha patroa sempre me dá ao almoço senhor Januário um pintor flamengo é um pintor nascido na Bélgica pintava uns azuis como o azul que eu quero para estas paredes, nada da Prússia, mas senhora dona Laura também aqui dentro de casa com pouca luz não se aprecia bem esta minha pintura oh senhor Januário tenho mais que fazer veja lá se me arranja a tlinta azul do ceu e já agora veja se me pinta aquelas letras amo-te Laura, que um engraçadinho pintou na parede que dá para a rua, mesmo ao lado da porta de entrada cá da casa mas não se esqueça que aquela parede está pintada com cor verde de feno não me ponha lá aquele verde garrafa horroroso que lá usou da primeira vez nem o verde limão desmaiado que usou da segunda nem o verde gaio de que faziam tanta propaganda no tempo do Salazzar ai senhor Januário já estou confundindo tudo verde gaio era uma ballet já sei já sei dona Laura o verde gaio é a cor das penas dum pavão que eu já tive há muitos anos a minha patroa guardou umas penas desse animal coitadinho foi o gato da velhaca da minha vizinha que o matou um dia que entrou no galinheiro olha a dona Laura já abalou sem se despedir esta madama tem-me cá umas manias de azuis!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Política

Política
Podemos sentarmo-nos à mesa?
Polític
Valha-nos Deus!
Políti
O que aí vem...
Politi
Para onde vamos?
Polit
Começo a ficar cansado!
Poli
Muito mais do mesmo!
Pol
Quase sem sentido!
Po
Falta-lhe o acento, o caracter, para ter alguma importância
P
Raro passa do projecto

Não

O pai chegou a casa desabotoando a gabardine cinzenta, molhada e com pedaços de lama da rua salpicando-lhe a franja da gabardina meninos prá mesa já cá está o papá o papá foi lavar as mãos lembrando-se das instruções dadas na TV sobre a arte de lavar bem e conscenciosamenrte as mãos, sem esquecer de ensaboar os intervalos entre os dedos e os pulsos, o papá sentou-se à mesa e de imediatos começou a falar à família tenho muito para vos dizer e que vai mudar a vossa vida do avesso papá não me interrompas e escutem-me, que o que vou dizer é muito importante, pode mudar as nossas vidas, o vosso destino, a vossa sorte,ora bem começo por vos dizer que não vou pedir-vos o que não possam fazer, não quero de hoje em diante deixar de vos atender nos vossos projectos, não vou faltar, Isabel, com o dinhiro da casa, não vou impedir que se levantem da cama quando acordarem de manhã cedo nem que vão para a cama quando tenhham sono, nem sequer tentar que não saiam de manhã para a escola, que se vistaqm e apertem os atacadores dos sapatos mas papá eu não filho não me interrompas que ainda tenho muito para vos dizer tudo isto aliás está dentro dos projectos que eu e a mamã fizemos para a nossa família e que vai ajudar e salvar a nossa vida olha lá José mas afinal o que é Isabel deixa-me continuar até acabar, já falámos disto noutras vezes e continuando eu não vou de forma alguma interferir como nunca interferi com o governo da casa pela vossa mamã a mamã esbugalhada e amparando a cabeça com as duas mãos mas olha lá José tu não Isabel deixa-me continuar isto é muito importante que se diga aliás já o disse algumas vezes isto é muito importante para o nosso e o vosso futuro mais ainda como a crise é a grande culpada eu não posso deixar de referir que não pretendo ser um ditador cá em casa,ao contrário dos nossos vizinhos da direita e da esquerda fartome de dizer aos meus subordinados que não deixarei de comparecer todos os dias no emprego e que não espero que eles também não compareçam, com isto e frizo-o bem disse-lhes como sempre o frizei embora por vezes o esqueça, continuo a não perturbar a vossa paciencia nem o vosso descanso porque não me interessa o que não digam de mim nem da minha família a Isabel continuando arregalada e atónita balbuceou um mas atrevido não Isabel deixa-me acabar dizendo uma vez mais que nesta casa somos cinco mais a Varela a nossa empregada doméstica óh papá oh mamã o que é que a Varela é para aqui José António não me interrompas porque o que eu quero dizer é que não vamos fazer uma porção de coisas não vamos contratar mais pessoal não somos nós que teremos de diminuir o desemprego...
Na realidade todos nós não vamos fazer muita coisa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Daqui a cem anos

Vestia uma saia listada, com folhos negros, a amiga olhava para os folhos, Francelina adonde comprastes tu essa saia, a Francelina abanando a saia, olha, Augusta, eram a trinta euros no inverno o home da loja aquela loja de roupa na praça vendeu-ma por cinco mas na va´s la´ quera a ultema o autocarro parou adeus Franacelina tenho que apanhar este, adeus, ai esta Maria do O´ deixa-me la´ tamem tenho dirme pra casa passou uma moldava loura mais loura que todas as moldavas louras empurrava um carrinho de criança parece-me que modelo 1990, vazio com a displicencia de quem esta pensando no emprego que perdeu estes portugueses nem sabem a sorte que teem a sorte que tiveram nem sabem o que e´ parir um filho na Moldavia, traze-lo para ca´começar a apanhar o lixo que deitam na rua e que eu tinha de varrer no emprego que larguei para ir trabalhar para a Sonia russa passa um cigano palitando os dentes a cigana que vai com ele sempre sisuda como todos as ciganas sisudas pensando na barraca que a camara lhe deitou abaixo do outro lado da rua uma mulher com cara melancolica arrastada por um lulu incansavel na azafama de cheirar cada esquina ja´ olhando para a esquina seguinte dentro do seu territorio bem marcado do amarelo do seu inesgotavel xixi.
Nao tenhais duvidas. Daqui a cem anos seremos todos calvos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cuata aprender?

Pertenço àquela classe de indivíduos que não se cansam de aprender. Alguém disse, parece-me que foi Sócrates(o grego não o P. de Sousa), alguém disse que aprender é recordar o que está na memória da alma. Eu acredito. Porque só assim se justifica que aprendamos muito mais facilmente umas matérias que outras, e que algumas as memorizamos com muita facilidade. Quando fiz as cadeiras de Matemáticas Gerais e de Cálculo, admirava-me a facilidade com que compreendia tudo, todos os teoremas, como decifrava com facilidade os problemas que o professor Carvalho Araujo(um neto do célebre oficial da nossa marinha de guerra, agrónomo e doutorado em Matemáticas em Inglaterra), nos apresentava nas aulas práticas, e a rapidez com que decifrava algumas charadas matemáticas. A ponto de por vezes, depois de eu responder, me dizer: o Quadros já conhecia esta charada? Com a honradez dos meus dezasete ou dezoito anos eu respondia-lhe que não e, se já conhecia a resposta, antes que ele perguntasse pela solução eu dizia-lhe: "essa já eu sei, senhor engenheiro."
Daquele volumoso calhamaço, a "sebenta" da cadeira de Cálculo Integral e Diferencial, pouco consigo recordar. Mas o que nunca mais esqueço é a forma como aquele professor nos dava as aulas, explicando para que servia todo e qualquer
daqueles teoremas, toda aquela teoria matemática, para a nossa futura profissão de engenheiros agrónomos. Com exemplos práticos, e referencias úteis.
E todos compreendemos porque era tão exigente no conhecimento das bases dos programas daquelas cadeiras.

Começando Maio

Mal começou o Maio continuei a descansar, isto é a não fazer o que tinha de fazer e que já esqueci o que era. Isto de ler muito, de escrever alguma coisa e pensar em tanto, são hábitos - há quem, cheio de torpeza, lhes chama vícios condenáveis prejudiciais para as camadas (que palavra horrivel)jovens - são
hábitos tão agradáveis como os sorrisos que nos oferecem. Desta forma decidimos cá em casa, que o primeiro de Maio, passa a ser o Dia do Descansadão, ou seja o dia dos pachorrentos, dos que não têm o vício da pressa, não sofrem com o tempo que levam, que não levam para lado nenhum, nem trazem para onde quer que seja.
Sou um reformado com uma pensão(magra, quase transparente) do Estado, qualquer dia reformo-me da minha reforma se antes a crise não acabar com ela para que o Estado actual( no futuro é provável que se chame Estado Velho, Estado a Que Aquilo Chegou, ou outro epiteto "formidable","fantastique", "redoutable"(àlém do latim também arranho o francês, (tenho que matricular-me no chinês)) para substituir outra vez o nome à ponte 25 de Abril( inaugurada em 1962, se não estou em erro e com nome de Salazar), para que o Eatado actual possa pagar as reformas de mais de l500 euros mensais.
Grátis esta ideia: acabar com as reformas inferiores a 1500 euros mensais, para acabar com o "deficit" e com a vergonha nacional de que em Portugal existem reformas tão baixas.
António Ferro escreveu: "a ironia é a arma dos falhados". Talvez, mas por vezes é um manjar doce para quem escreve.(Alguém escreveu isto antes?)