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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Hoje e amanhã

Hoje não sonho. Amanhã terei mais sorte.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014



                O que é que não fiz
Mas o que é que não fiz para estar aqui
Como se dispuseram os astros no meu destino
Onde me encontrei antes de regressar
Das circunvalações emaranhadas dos adeus perdidos
Onde ficou registado o meu deve e haver
Para onde estou condenado a seguir
Onde está o arco-íris que habitei
Onde deixaram a jaula onde me confessei?


Desconheço as nuvens que percorri
Lembro-me da cara fresca, de aspeto intrigado
Que me mostraste quando te conheci
Eramos crianças, ficámos admirados
Tu com as tuas tranças,
Eu com o cabelo rapado
E o teu tão bonito, naquele frisado
Onde eu via tudo, até via o mar.


E hoje continuamos
Com fé incontida
A nos dar as mãos
A brincar às escondidas
Naquele quarto escuro
Sem paredes e portas
Do nosso passado

domingo, 26 de outubro de 2014

Desperdícios de tempo
Estou convencido que quando temos consciências do minuto que passa com agrado, quando sentimos que o estamos vivendo com deleite, estou convencido que o tempo se duplica. Que esse minuto passa a  durar dois ou três ou muitos mais minutos. E, pelo contrário, também creio que um minuto mal vivido, é um desperdício de tempo. O que se dá quando estamos vendo e  escutando e aturdindo-nos com um desses filmes horrendos que as TVs nos pespegam nos nossos aparelhos, sem pagar aluguer, sem nos pagar o tempo perdido. Que os vemos porque queremos, o que não é verdade. Essa droga em que estamos metidos, que se insinuou em milhões de seres por todos o mundo, serve--se de artifícios sub-reptícios para nos engajar, aliciando-nos com alguns raros programas culturais, entrevistas de interesse, por vezes de comentários contratados para que aguentemos a publicidade mais ou menos enganosa, notícias da atualidade - dum modo geral da atualidade mais tenebrosa e dos filmes que atraem as massas de espetadores.
Mais uma maneira do senhor dinheiro imperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Estou sentindo que o meu intelecto está desconstruído com anedotas e com receitas de  cozinha, agora que os concursos de cozinha estão na  moda cada dia que passa desaparece uma das receitas antigas como o bacalhau à Bulhão Pato, ameijoas à Bulhão Pato, qualquer coisa e muita coisa à Bulhão Pato,  que era uma senhor amante das letras, que de pato, de galinha ou de burro nada tinha, mas que inventava e comunicava à sua tertúlia de amigos e inimigos receitas que perduraram até hoje, como as sobrecujas e sobreditas, que ainda se mantêm no anonimato conhecido por toda a gente mas que ninguém confessa,nem segreda. No tempero é que está o ganho, a mostarda que não sabe a mostarda é aquela mostarda especial que não tem mostarda mas que sabe a mostarda e que mantem todas as vitaminas do ruibarbo, do mexilhão e da alcachofra. O que foi autenticado pela análise de água, pela observação com microscópio electrónico, e pela desconfirmação efectuada pelos sete sábios que vivem na lua nova.
Não concordo com o novo desacordo ortográfico, nem com a dialética parnesiana e panteista dos
distintos deputados da oposição deles.
Estou enfronhado no meu novo livro, um de versos mais ou menos malucos. Até ao fim deste ano tenho que termina-lo. Se outro bem não me atingir.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Só sabios...

Anda pelo nosso país uma gentinha avarenta, relapsa, contumaz, que se mantem silenciosa apenas referindo que tem soluções para todos as males que assolam Portugal, não os referindo,  explicando e comunicando que não é oportuna a sua divulgação, poderão os ouvintes adotar interpretações defeituosas, que poderão deturpa-las por execução deficiente.
Fazem-me lembrar aquele ilustre professor que, referindo-se a um congresso onde tinha comparecido, declarava com ênfase: "só sábios éramos sete. E entre todos o que mais brilhou foi um que a modéstia me impede de mencionar".

A nossa vidinha

       A vidinha que levámos constou de sucessos, alegrias, prazeres entremeados de alguns desaires, azares, problemas. Mas se formos honestos teremos de concordar que disfrutamos do que dispusemos, nos anos que decorreram desde que nascemos até hoje, de incontáveis benesses, inúmeras situações felizes, incontáveis acontecimentos favoráveis. Pouco sabemos agradecer a quem cá nos colocou, ao sabor das condições do planeta que o destino nos presenteou para vivermos.
       No entanto não podemos esquecer, assobiar para o lado, encolher os ombros perante as agruras por que passam tantos que nos acompanham por cá, menos contemplados pelo destino. É muito fácil dizer "elas e eles que se desenrasquem, não tenho nem sinto culpa das diferenças, se a elas ou eles a vida lhes corre mal, o Senhor lá terá as suas razões, são imperscrutáveis os seus desígnios, talvez noutra vida estejam melhor. E outras "plaisanteries" semelhantes. Não. Eu não esqueço nem me sinto indiferente sobre todos os que estão pior do que eu, dos que passaram pior do que eu, dos que sofrem do frio da fome, de torturas de injustiças. Embora encontre as tais justificações para tantas diferenças, embora encontre muitas razões que podem justifica-las, embora o comodismo tente levar-me para uma indiferença insensível, sempre procuro encontrar razões para tantas diferenças.
     Uma das conclusões a que sempre chegue, procurando que não me ofusque a honestidade devida, uma das razões é a de que tem sido o homem a criar as condições nefastas que tocam tantos dos seus semelhantes. A mulher e o homem das cavernos, pelo que sabemos ou imaginamos das suas vidas, tinha uma vida saudável, o seu emprego resumia-se ao aproveitamento dos recursos naturais para
se alimentar e abrigar. As famílias cresciam, nasciam as desavenças, os conflitos, as guerras. E a partir daí, os humanos forma inventando mais e mais motivos para desavenças, para conflitos, para guerras.
      É o que nos conta toda a  história .
      Mas que não chega para justificar o tal encolher de ombros.     

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Afinal não paro !
Anda prá'i uma data de gente a falar sem dizer nada, pura retórica, sem uma ideia útil, sem sequer uma ideia inútil, sem um lampejo de projeto sem sequer uma simples profecia otimista e que expresse alguma luz, uma pequena ilusão, um simples desígnio útil. E os governantes que temos, insistem na ausência duma esclarecedora informação, sobre a situação em que estamos, na economia, nas finanças, na assistência, no ensino. Com palavras que toda a gente compreenda, dentro das duas mil palavras que a maior parte do povo percebe e pelas quais pode avaliar a situação, pensar um pouco e formar uma opinião suficiente para que expresse uma atitude consciente.


Pausa

Vou parar, Pelo menos por um dia ou dois. Estou envolvido nas olimpíadas do xadrez, não, irritado por não ser participante, mas a irritação é má, sei combate-la, um abraço grande, daqueles que se podem dar a qualquer hora.

domingo, 19 de outubro de 2014

Um dia mais, um vestido menos

         
            Entrou em casa depois de um dia de contrariedades, o chefe a exigir mais três informações sobre as avarias em catadupa no parque de máquinas, aquele operador da grua que o ameaçava dia sim, dia sim com mais greves.
            A esposa levantou-se do sofá. Sêca, séria, sem a alegria doutros tempos, desfechou-lhe:
                     - Francisco, não tenho roupa nenhuma, tens de me comprar um vestido, não posso mais sair à rua com este, se pudesses íamos agora...
            O marido fez um gesto apaziguador, ao mesmo tempo tentando exibir grande cansaço, a grua do operador de máquinas zurzindo-lhe na cabeça:                   
                     - Cristina, desculpa, venho com a cabeça em água, no emprego...
                     - Francisco, desde há uma semana que venho falando-te nisto. Olha, se não tens disposição para sair, dá-me quinhentos euros.
            O marido atirou-se para o sofá, suspirou e começou com o rodeio costumado:
                     - Olha, Cris querida, não trago tanto dinheiro comigo, reconheço que necessitas de mais roupa, mas essa que trazes vestida não me parece que esteja assim tão mal, aliás tu conservas tão bem o teu guarda-roupa, estragas tão pouco o que vestes e o que calças, considero-me um marido privilegiado, não és como essas vizinhas cá de cima ou as outras do segundo direito, sempre a pavonear-se em vestidos novos, não sei onde aqueles maridos arranjam tanto dinheiro, realmente os negócios correm-lhes bem. Ontem falaram-me...
             Cristina, atónita, testa franzida, olhar de incredulidade, procurou mais argumentos:       
                     - Francisco, ainda não é tarde para ir aquela loja do centro comercial onde eu reservei o vestido que quero comprar, podias passar-me um cheque...
                     - Ai filha, deixei de usar livros de cheques, os bancos, é uma roubalheira com os cheques, imagina que agora por cada cheque o banco me  cobra um euro e ainda por cima, sabes o que se passou com o Ricardo? Imagina que passou um cheque para pagar a prestação do carro e o gerente do "stand" hoje não teve a lata de ir lá a casa dizer que o cheque não tem cobertura, imagina tu, o Ricardo, milionário e herdeiro duma fortuna daquela tia francesa que faleceu no mês passado coitada da senhora...
                     - Francisco, lá estás tu com a lenga- lenga  do costume, daqui a pouco fecha o centro,
passa-me o cheque, querido, vou arranjar-me para sair...
                     - Parece-me que tens razão, o centro comercial já deverá estar fechado quando ali cheguemos, querida podemos deixar para amanhã, um dia mais com um vestido a menos, não me parece um grande problema. Problema é o que me surgiu no emprego imagina que aquele mestre de obras que esteve ontem aqui visitando-nos com a esposa, então não queres crer que...            

sábado, 18 de outubro de 2014

Distâncias

Penso que todos passamos pelo mesmo. Todos fazemos autocrítica, mais suave se somos auto complacentes, mais dura se somos menos egoístas, percorrendo o tempo que passámos a viver, se somos algo meticulosos, evitando os escolhos das tentações e as pausas que sabemos comprometedoras.
Há uma época da vida em que nem pensamos no assunto, talvez porque pouco nos dedicamos a pensar. Pensamos no que fazemos, naquilo a que nos dedicamos para ganhar o sustento e, se possível um pouco mais, pensamos nos vetores que influenciam o nosso dia a dia, pensamos na família, sim confessemos que é assim, pensamos na família em último lugar - depois da saúde, do sustento, dos amigos.
Eu julgo que um pouco de autocrítica é salutar, aproxima os dois eus que existem em todos nós, o mais ligado a Deus e o outro mais ligado ao diabo. Insistir em despreza-la, ignora-la como assunto inútil, esquece-la porque somos fortes, superiores, a vida não está para maçadas e outros brilhantes, costumados e excelsos argumentos, é aumentar aquela distância entre eles, tornando mais demorada a vitoria de quem sempre vence.
Deus, na sua infinita sabedoria, deita sempre água na fervura, a água é coisa odiada pelo diabo. E maior a distância, menos o efeito da água sobre a fervura. E menor a distancia do bombeiro, mais depressa se evita, se reduz.       

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Supresa !

             A rapariga ajeitou a bolsa debaixo do braço e olhou para  trás, há quatro ou cinco minutos que ouvia passos, ao mesmo ritmo que os seus. Apressou um pouco o andamento, fazia-se noite, a rua deserta, a iluminação ténue, a esquadra da polícia três quarteirões adiante. Dentro da bolsa o telemóvel soou. Não parando, abriu-a um pouco nervosa, sacou o aparelho e atendeu, depois de observar no mostrador a proveniência da chamada:
                      - Fernando, estou a chegar a casa, já te ligo.
                      - Escuta Manoela, é urgente, volta já para a igreja, não entres em casa!
                      - Fernando estou mesmo a chegar, já é noite, mas por que diabo é que não posso entrar na minha casa ?
                      - Não, não, não entres, eu estou aqui na igreja, recebi há poucos minutos um telefonema da tua mãe pedindo-me para vir à igreja. Volta se fazes favor, , não entres, volta já !
           Ela parou, olhou à sua volta. Que teria acontecido, estivera com o Fernando de manhã, ele esteve muito alegre. contou-lhe o seu último projeto . Voltou para trás, seguiu um pouco contrariada para a igreja.
            Fernando esperava-a e recebeu-a com um grande abraço.
                      - Ora diz-me lá porque é a urgência, porque me fizeste voltar ?
                      - Espera, está aqui uma pessoa que quer ver-te.
            Manoela olhou para a porta e disse:
                      - Mãe, vieste para a igreja, que aconteceu.?
             E a mãe com alegria respondeu-lhe:
                       - Filha, é uma surpresa, os pais do Fernando acabam de pedir-nos, a mim e ao teu pai, que está lá dentro conversando com eles e com o senhor padre, acabam de pedir-te em casamento, para que cases com o Fernando, Aceitaram, claro, espero que estejas de acordo!    


           Dantes era assim que sucedia. Quase sempre.
                       

Quadras

Vês TV, lá se vai a inspiração
Enches o prato lá se vai a dieta
Perdes a cabeça, vai-se a razão
Bebes demais, vais para parte incerta


Mas se a tristeza te invade
Por qualquer coisa perdida
Não percas tu a vontade
De pronto volver à vida


Porque a vida são dois dias
Invade-me a preocupação
Se o primeiro já é passado
Se o segundo é uma ilusão


Fogo no tojo e no brejo
E fogo no teu olhar
A minha alma ensandece
Logo te quero abraçar


quinta-feira, 16 de outubro de 2014









Dúvidas, desaforos, desalentos, desastres, dores, destruições, desfaçatezes, derramas, drogas.
Bondades, bem-aventuranças, belezas, bonanças, bem-vindos, beijos, benditos, benfazejos, belos.
Pessimismos, otimismos.Negativos, positivos. Para traz, para a frente. Sérios e graves, sorridentes e alegres.
Os primeiros devem ser aceites, que a vida deve ser encarada a sério. Que a vida é uma cruz,z, os parvos estão sempre a rir, etc..
Que os segundos são o sal da vida, que a vida são dois dias, que sorrir uma vez é mais um dia de f de dia de vida, rir é o melhor remédio.
Quais preferem?







Poema " Vida" - XVI -

Aos dezasseis ou dezassete anos
 Não guia a sua vida o adolescente
 Por toda a fortuna sorte ou enganos
 Que nos seus passos surgem à sua frente
 Impulsivo, despreza os desenganos
 É sagaz, entusiasta e bem valente
 Se em casa e na escola, no dia a dia
 Assimila as lições de valentia

Poema "Vida" - VI -

Todos à nascença somos iguais
Em oportunidades e condições
Aquilo que herdamos dos nossos pais
Foram bondades, poucas tentações
Sem muitos defeitos, bem pouco reais
Anulados por boas condições
Assim, a criança entra no mundo
Aos bons pais dando prazer bem profundo
   O homem entrou na loja e disse:
           - Senhor Evaristo, venho cá buscar a encomenda que já levei !
           - Ah sim, senhor Estaquio ? Olhe, depois de a pagar pode levá-la outra vez !

   São diálogos destes que tornam o comércio interessante, fora dos interesses materialistas do lucro, da ganância, da ambição desmedida. E que elevam tanto o nível intelectual dos negociantes como o dos seus clientes, transportando-os para uma plataforma de alta cultura, para um gabarito invejável, e para altas manifestações de profunda e proveitosa sabedoria.
    Assim é natural que dentro de algum tempo a maioria dos nossos comerciantes tenha assento na sociedade de geografia, ocupem altos postos na sociedade de autores e contribuam com artigos filosóficos, de nível elevado, publicados nas revistas mais conceituadas e  mais bem classificadas pelos próceres das nossas letras e ciências.        

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

De remendos

Um vestido de remendos pode ser original, bonito, reforçar a elegância de quem o veste, ser barato (lembram-se dos antigos "vestidos de chita"?), simples, cair bem a muitas, de cores garridas, ser um conjunto agradável, se bem escolhidos os remendos.
Muito mais difícil será que os "remendos duma vida remendada" - aquele verso genial que a Fernanda de Castro escreveu ("A velha tinha uma saia. De remendos de vida remendada.)  - contribuam para enriquecer a vida de quem os sofre e com que tem de se resignar.
Ainda que esses remendos sejam bem escolhidos.

Um novo medicamento

     Julgo que será lançado em breve um novo medicamento que resolverá grandes problemas de muitos pacientes e ao mesmo  será uma ferramenta valiosa para os que cuidam das almas e dos físicos.
     Chama-se curatufol.
     A base química é o nefertudogerefarmicol.
     Recomenda-se para casos ou excessos de anemia espiritual, diarreia mental, AVC da inteligência, política, ossificação acelerada do entendimento, perdas de memória dos compromissos, pulsação acelerada na sonolência, pulsação irregular nas decisões, arritmias frequentes na bondade, intestinos obstipados pelas preocupações, fígados infetados pelos maus hábitos, excessos de fezes provocadas pelas maldades.
      A dose que se recomenda: a metade dum comprimido partido ao meio tomado vinte quatro a trina e seis horas, antes de cada refeição- 

Num copo

Num copo puz os meus desejos
E noutro todas as saudades
Aproveito qualquer ensejo
Na expulsão de quaisquer maldades


Tenho esperança de encontrar
Sem nenhuma dificuldade
E sem precisar de rezar
Os que me tratem com bondade


Porque na vida eu sigo um rumo
Sem necessitar de cuidado
Uso o espírito com aprumo
Sempre venero a liberdade


terça-feira, 14 de outubro de 2014

As duas primeiras bisnetas

Nesta nossa quarta idade, nesta segunda juventude
Quis o destino contemplar-nos com duas flores
Não devidas a nossa habilidade ou virtude
Nasceram lá bem longe esses dois amores






Num pais distante e com pais  dedicados
Nessa juventude vão crescendo e espigando
Mais e mais beleza juntando á sua idade
Melhor espírito cada dia mais as habitando






Mas cá bem longe estes seus bisas
Sempre as referem com imensa vaidade
Sempre sentem que por essas meninas
A distância vai ampliando a saudade



Palavras que me saltam dos dedos

Quando as palavras me saltam dos dedos
Quando o que os meus dedos escrevem é diferente
Do que eu sinto, do que eu penso, do que eu pratico
Julgo que uma mão irmã afável e caridosa os guia
Talvez seja o meu anjo da guarda que me auxilia
Ou talvez seja uma origem que eu não suspeito
Ou outra coisa forte, permanente, que me assalta
Ou ainda mais não seja que uma suave aragem
Doutro espírito meu parente ou doutro que eu já fui
Que me persegue sempre firme e persistente
Que me assalta nos momentos de tédio ou de loucura
Que me perturbam e me eliminam toda a solidão
Não rasgo os papeis que contam toda a história
Desta vida plena que vou  tendo e disfrutando
Sei que todos são conservados, catalogados e ordenados
Em lindas encadernações e soberbas estantes de régias salas,
Dum palácio desencantado e obtido do fim da memória 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Vadio que sou

Sou um vadio no meio das minhas ideias
Mas não sou um traficante de maldades
Gosto de ter os meus santos de paredes meias
E nunca me importo com a minha idade
Abro portas em busca de fantasia
Derrubo paredes que tapam a realidade
Tento não me perturbar no meu dia a dia
E roo as unhas por sentir tanta saudade


As mágoas que tive já as esqueci
Os prazeres na lembrança bem conservo
Se virtudes possuo não as sinto
E os defeitos que tenho sempre lembro
Só sei viver esta vida que me deram
E ao ver tanta miséria neste mundo cão
Admiro-me da sorte que me entregaram
Não obrigado a qualquer compensação

Quadras ao vento

Não viajo pró futuro
Nem me fico no presente
Eu sou um fruto maduro
Por vezes um pouco ausente


Não me canso de cantar
Nem me canso de viver
Não gosto de recordar
Tudo o que me fez sofrer


Não gosto de despedidas
Ou de acenar um adeus
As primeiras são sofridas
Sejam de ti ou dos meus

As minhas ausências

Surgiu-me um contratempo este meu amigo computador lento, teimoso, renitente, mas barato, eficaz e proveitoso, resolveu pedir-me para "iniciar a sessão". Depois de muitas tentativas falhadas, devido á minha imperícia - o que, devem todos concordar, é difícil de admitir - este computa( raio de nome)resolveu enviar um número de código para o telemóvel da minha adorada ( adorada por mim, pelos meus filhos, para a prole de descendentes e por alguns desconhecidos para mim desconhecidos). Ora aquele dito telemóvel, objeto que não é alvo do meu agrado, está por vezes em lugar desconhecido da sua possuidora, embora, como mulher sensata e de sorte manifesta ( salvo no euromilhões e ainda bem. Porquè? depois explicarei se a tanto " me ajudar o engenho e arte"), sempre acabe por encontra-lo, por vezes nos lugares mais recônditos( frigorífico, dentro duma gaveta mistério, namorando à janela) deste mundo que é a nossa casa, neste alfobre de felicidades que é o nosso lar, neste lugar privilegiado  que habitamos - gostamos de viajar, entre outras razões por nos agradar imenso quando aqui regressamos e entramos. Por isso nos passados dois dias e por outras razões  que o orgulho me impede de confessar, não apontei mensagens.
Vou redimir-me, hoje escreverei três, se o sono não me invadir, como desculpa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bons tempos se avizinham

Avizinham-se melhores tempos. Não que os passados tenham sido maus não sei nem quero saber disso. Para quê? Para quê pensar em maus tempos? Nem sequer pensei alguma vez que esse tempo que estava passando seria mau. Nem quando me serraram o externo, nem quando passei por algumas das chamadas contrariedades. Sempre acabei pensando, concluindo que todas fazem parte da vida. Quer as simples e normais como no banho, o sabonete escorregar-nos das mãos ou num dia de chuva o carro que passa veloz ao nosso lado nos salpicando e molhando com a água. Quer as mais contundentes: sempre penso que se assim nos contemplou o supremo ser que nos governa, lá terá as suas razões, que não posso nem quero discutir e- que termino quase sempre por compreender.
E serão melhores tempos os que se avizinham porque reconhecendo que a curva da minha,,,, satisfação tem sempre vindo a crescer, por vezes mais, por vezes menos, não penso que possa ser ao contrário. A vela que contemplo quase todos os dias, diz-me o mesmo - não compreendo porque ouço tanta gente dizer que se passa o contrário nas suas vidas. Talvez seja porque quem caminha às cegas sempre bate numa parede, entra no mar ou cai num precipício. Ou talvez seja porque essas pobres almas muito se entretêm a falar dos defeitos dos outros, como aqueles intervenientes que vemos e ouvimos em certos programas televisivos  e que são incapazes dum louvor, duma apreciação favorável, duma crítica entusiástica (no bom sentido).
O não. o nunca, o jamais, devem ser evitados, não é difícil, tentem. Devem ser substituídos pelo talvez, pelo tacto, pelo agrada-me doutra forma, pelo penso doutra maneira.
           Quem pensa só em desgraças cai-lhe sempre a desgraça em cima. É o que sempre verificámos durante a nossa vida.
("Desgraça atrai desgraça", dizem os brasileiros. )

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mudam-se os tempos...

            Todos os tempos são tempos de mudança. De mudanças de fortuna, de hábitos, de mentalidades, de costumes, de vícios, de paixões. Mudanças que resultam em novas formas e novos sentidas de vida, novas sociedades.
             Já Camões nos deixou:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
  Muda-se o ser muda-se a confiança
  Todo o mundo é composto de mudança
  Tomando sempre novas qualidades
  Continuamente vemos novidades
  Diferentes em tudo da esperança
  Do mal ficam as mágoas na lembrança
  E do bem, se algum houve, as saudades"

Os "transistors"

            Nos anos sessenta do século vinte, barcos-fábrica japoneses apareciam com frequência no pôrto de Luanda, comprando aos barcos de pesca locais todo o peixe que traziam do mar. Quando ali chegavam funcionários da polícia marítima e das alfandegas subiam a bordo e controlavam todo o peixe comprado. Esses barcos adquiriam durante a curta estadia, muitas centenas de toneladas de pescado variado, que de imediato era limpo e preparado para entrar nos frigoríficos do navio, sofrendo congelação rápida e assim congelados com rapidez, após a prévia preparação para eliminação das cabeças, espinhas, barbatanas e até da pele nalgumas espécies. O peixe era pago em dólares e uma pequena parte em artigos que a indústria japonesa lançava então no mercado internacional. Um desses artigos, um dos mais preferidos era o "transistor" nome porque então se conheciam os rádios electrónicos , a pilhas
              André, um mestre e dono duma traineira de pesca, era um dos vendedores que quase sempre  acudia ao barco-fábrica e vendia o que havia pescado na noite anterior. O seu pai, trouxera de Portugal a traineira, partira de Lagos com o gasóleo e os mantimentos necessários para a viagem de vinte dias até Luanda, onde chegara dois anos antes de estalar a luta pela independência. E um amigo, o Jorge, comprava-lhe em Luanda, a bom preço, todos os rádios que  recebia dos japoneses.
               Um dia o Jorge propôs-lhe um negócio:
                    - André, podes ainda conseguir maiores lucros se trocares estas pedrinhas por transistors" - e mostrava-lhe um saquinho  com as tais pedrinhas reluziam lá dentro.
                     - Que pedrinhas são essas, não me digas que são...
                     - São isso mesmo, é feijão branco da Lunda, trouxe isto ontem de lá - nesse tempo em vez de diamantes, por precaução, em Angola chamavam-lhe feijão branco.
                     - Mas então queres que eu leve isso aos japes, eu não sei se eles os querem !
                     - Olha André, querem, um amigo meu, em Mossãmedes vendeu-lhes uma garrafa de água do Castelo, cheia, recebeu um montão de dólares e umas centenas de rádios.
                     - E a polícia marítima não me vai prender, porque não tentas leva-los  para a Holanda?
                     - Impossível, meu caro. A Diamang controla, tem muita gente bem paga para os não deixar sair, a legislação portuguesa mete na prisão por muitos anos os que são apanhados. No barco-fábrica é muito mais fácil passa-los, até há uma senha para o comandante os receber e pagar.
                     - E qual é a senha?
                     - Olha é apenas: " café bom café", metes estas três palavras na conversa e pronto, o comandante já sabe do que se trata, resta definir com ele, os pormenores.    
            Depois de conhecer e aprofundar mais sobre a operação, André anuiu. Parecia fácil: pedia-se ao comandante do navio para tomar um café metendo as três palavras senha na frase do pedido. Meia dúzia de pequenos diamantes e André obteve na troca,  umas dezenas de "transistors" e uns milhares de dólares, além do produto da pesca que vendeu nesse dia.
             
         Dois meses depois o mesmo barco-fábrica voltou a Luanda e André resolveu convidar de novo o comandante do navio para um café. E meteu na frase do convite a mesma senha que era "café, bom café"
                    - Senhor comandante - disse o André - gostaria de tomar consigo um café bom café...
            E ele respondeu-me de imediato:
                    -  Nem café bom café nem feijão bem branco, hoje não posso,
            Era outro comandante, a senha não pegou, André compreendeu.
  

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Encontro com um solitário

Fernando parou o "jeep" um pouco fora da picada. Uma pequena ravina e a uns quarenta metros uma linha de água seca, entusiasmou-o, encontrara o que necessitava para o projeto. Desceu um pouco e estacou surpreso. Uma restolhada forte lá para diante, do outro lado da ribeira seca, alertou-o. Estava na reserva de caça, a uns dez quilómetros do acampamento e da sua casa, na povoação. Pensou nas histórias de leões, de famílias de leões famintos, não tinha uma espingarda de caça grossa para se defender dum ataque súbito. Principalmente se no grupo de felinos houvesse crias. Mas aquela mata diante dos seus olhos não era mata de leão, não era a característica anhara de espinheiras, pelo contrário abundavam maciços de hiparrenias e erva abundante. A restolhada cessara, Fernando com a arma, uma vinte e dois longo, a tiracolo, começou a prospeção da linha de água, acompanhado pelo ajudante moreno.
        - Moisés, ouviste?
        - Ouvi patrão, aquilo deve ser burros do mato, gazelas ou búfalos não haver neste mato.
        - Então vamos para baixo, quando chove, lá para baixo deve levar muita água, que achas?
        - Deve patrão, mas patrão eu não ir, eu ficar no "jeep" ...
        - Bem espera lá, no carro. Não me demoro.


Seguiu pela mulola, inspecionando as margens, sempre atento, com a arma pronta a disparar. O administrador da empresa tinha-lhe recomendado: descubra-me uma boa ribeira, onde possa construir uma pequena barragem com uma albufeira que nos permita agua suficiente no cacimbo para plantarmos uma horta e termos hortaliças frescas, pouco abundantes no local.
Mais duas ou três sinuosidades da linha de água, fizera talvez uns dois quilómetros. E ao entrar numa área bastante plana, as margens afastadas umas centenas de metros, de súbito estacou, fitou com preocupação um vulto grande que emergia da vegetação densa da planície. Apenas via a cabeça enorme do elefante, uns trinta metros à sua frente, as gramíneas hiparreneas tapando-lhe o corpo. Felizmente o vento contra batia-lhe na cara e o animal, um solitário de dentes bem grandes e recurvados,, não se apercebeu da presença de Fernando.


Só tinha que recuar em silêncio e orar para que o elefante não notasse a sua presença. Os elefantes, em manada, são animais calmos, pouco agressivos, se alguém se aproxima a pé, não ataca, quando muito agita as orelhas e, erguida a tromba, avança uns passos, as orelhas agitando, ameaçador. E por aí fica se as visitas não insistem.  Porém um elefante solitário, excluído da manada pela idade ou por incapacidade física perante os mais novos, é sempre um animal perigoso, quase sempre ataca quem se aproxima assim que o divisa.


Pelo que, de seguida e lentamente, Fernando  iniciou o regresso, sempre atento. Apesar do vento favorável,  procurando não provocar qualquer ruido, seria um suicídio avançar pela planície, com uma arma que apenas faria cócegas ao animal. Os elefantes têm visão deficiente mas são, no mato, os animais de ouvido mais apurado.


Chegou ao local onde esperava encontrar o "jeep" e o Moisés mas nada. Nem "jeep" nem Moisés.
A noite não tardaria a chegar, não podia arriscar-se a regressar de noite. E voltou a pé, encontrando a família preocupadíssima. E o "jeep" á porta, o Moisés falando logo que o viu:
          - Patrão pensei que se tivesse perdido, vim logo na casa...
          - Moisés, devias ter esperado mais !
          - Patrão ouvi mais barulho no mato, aquilo era leão, era leão..
      Abri a porta do "jeep" para tirar de lá a pasta que levara. O cheirete lá dentro era intenso.
      Coitado, do Moisés, não resistindo ao medo, borrara-se  todo...
         

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Contar anedotas

Contar anedotas é um vício como outro qualquer. Quem gosta de as contar tem os seus motivos. Que podem ser de vária ordem:
            - Por vaidade, por gabarolice, por desejo íntimo de ser notado entre os ouvintes e apontado depois como grande comunicador, como indivíduo simpático, insinuante e popular.
            - Pela necessidade de se impor pela graça, pela chalaça, ou mesmo pela pornografia.
            - Pela inveja suscitada pelo êxito momentâneo que algum dos presentes está obtendo com o que diz, sobre o que fala, sobre o que comenta.
            - Pelo interesse em impressionar em particular algum ou alguma dos ou das assistentes.


Um contador de anedotas em geral é possuidor de boa memória. Tal como um contador de histórias. Mas difere muito deste último porque é sempre muito pouco ou nada profundo no que diz, na anedota que conta. O que conta uma história é sempre, no fim mais apreciado: o que conta pode ser um relato dum acontecimento, pode ser o relato duma vida, poderá ser apenas uma descrição dum objeto, duma pintura, duma paisagem. E que será tanto mais valiosa, mais apreciada, mais recordada se contem análise de caracteres, diálogos interessantes, opiniões fundamentadas.Uma anedota não é enriquecedora de nada, é sempre igual, as palavras são sempre iguais ou de igual significado. o seu relato poderá ser mais ou menos extenso, mas não passa do sempre igual desfecho anedótico, embora por vezes nos divirta um pouco..
Por isso esquecemos com facilidade a anedota que nos contaram e que só nos tocou pelo riso ou sorriso que nos despertou. O que já não é mau.


Pelo menos, é melhor que o bla bla bla demagógico ou a retórica quase sempre inútil de muitos discursos que ouvimos com frequência.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O segredo



Contra o meu costume vou transcrever uma anedota, encontrada num blog.




"O segredo é apenas saber beijar no lugar certo ...

Há dias, estava na esplanada quando entrou um velho amigo meu…da minha idade e médico, acompanhado duma escultural “gata”.

O ano passado, separou-se da esposa original e, com 55 anos, encontrou nova
cara metade; um bela garota de..... 22 aninhos e, com tudo "em riba".

Aproveitando a ida da moça ao WC, perguntei-lhe:

- Ó Azevedo, qual é o segredo pá ????... a tua namorada é uma mulher encantadora …

O meu amigo, com a maior calma do mundo, disse:

- "Para manter um bom relacionamento, com uma garota assim, o importante é
onde tu a beijas.

Imediatamente, perguntei:

- "E onde é que tu a beijas?"

Sem perder a compostura o Azevedo disse-me:

 - "Eu beijo-a em Paris, Londres, Roma, Veneza, etc..."




(anedota de autor desconhecido)








domingo, 5 de outubro de 2014

Jornalista inglesa sequestrada aguardando libertação

Bit coins - o dinheiro virtual

O dinheiro enferruja a saudade- comentário que hoje publiquei noutro bloge,( o "Blog do João") onde o autor publica um poema sobre a saudade.


O atual sistema monetário começa a ser contestado, a ser discutido, a confrontar-se com alternativas. Ontem foi instalada em Lisboa, no centro comercial do Saldanha, a primeira máquina para fornecimento dos bit coins. Transações sem bancos, dinheiro virtual com muito menores riscos. Leiam na internet o que lá vem sobre o dinheiro virtual, sobre as bitcoins.
À atenção dos que duvidavam, dos que se riam, dos que não queriam pensar no assunto, dos que respondiam com os argumentos de sempre, os que sempre se empregaram para combater as inovações: fantasia, impossibilidade, resignação, submissão ao "status quo" e outras "plaisanteries".
O passo seguinte, para o dinheiro virtual nas transações da vida dia a dia, não tardará. Pensei que tivéssemos que esperar muitos anos, felizmente o arranque aconteceu antes.
Quando será que os ilustres comentadores políticos e os ilustres jornalistas da nossa praça se debruçarão um pouquito sobre isto?   

sábado, 4 de outubro de 2014

Há também

E há quem queira escrever sem ser por obrigação - o amor e o escrever não se deve fazer por obrigação, escrevi-o não sei quando. E há quem queira ouvir mas nada consegue entender. E há quem queira encontrar os versos da sua vida e só se lembra do trivial, do comezinho, da vidinha farta, da vidorra imbecil, das cicatrizes comprometedoras.
Mas há quem goste de escrever, de ver a vida sair-lhe das teclas do computador, de ver esfumar-se o passado, iludindo o presente, complicando o futuro.
Todavia, eu, sempre gostei de dançar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Há quem ande viajando por todo o mundo, quem visite os maiores museus das capitais, quem frequente os melhores hotéis de luxo, há que faça cruzeiros à volta do mundo, quem suba aos mais altos arranha-céus, às mais altas montanhas. Mas há quem mais se contente em espreitar pela janela e ver florir a primeira rosa.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Contas bem feitas

O meu rosário está cheio de contas
Consultei a tabela das multiplicações
Nada encontrei sobre aquelas contas
Que me dizem mais do que as contas
Que penso que terei um dia de apresentar
Ao supremo contabilista de todos nós
Que eu espero que se engane a meu favor
Nesse imenso trabalho nas contas de todo o mundo !


Aprendi a somar todo o bem que me fizeram
Consegui diminuir a vaidade e a ostentação
Dividi todo o amor que em mim encontrei
Pelos que Deus me deu e pôs à minha volta
Somei afetos, ilusões, carinhos, considerações
Multipliquei saudades, diminui as distâncias
Que me barravam o caminho da felicidade
E respeitei a vida sem temer a morte


E no fim de contas, se tenho de fazer a conta
Se algum dia me exigirem as razões
Porque fiz ou não fiz, fui ou não fui
Amei ou não amei, vivi ou não vivi
Então apenas terei uma resposta muito simples
A única presente no meu entendimento
A única que a vida me ensinou:
Não sei donde vim nem para onde vou


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Uma mulher a presidente, precisamos

No Brazil terão que escolher, pelo voto, entre duas mulheres. Parece-me que a que acaba de terminar o mandato, cumpriu bem o seu lugar. Não tenho informação detalhada e suficiente mas, se o tivesse cumprido mal, logo apareceriam qui e talvez nesse país, os costumados arautos da desgraça clamando, com o apoio da parte dos meios informativos  que sempre encontram maneira  de empregar imensos artigos para denegrir os que atuaram bem. Aqui em Portugal disso temos a experiência continua. Basta saber-se quem ganhou, aí aparecem os defeitos, surgem as cartas anónimas, prevêm-se tsunamis pavorosos. Os compadres e as comadres, gostam de falar de escandaleiras, qualquer escândalo propagado sem fundamentos sérios, a pouco e pouco é ampliado na sua gravidade, surgem suspeitas que não passam de mexericos, a bisbilhotice alastra.


Ainda não tivemos a sorte de ter uma mulher governante à frente dos destinos do nosso país, O nosso povo, os nossos jornalistas e romancista, os nosso políticos ainda não repararam no que nos seus recentes mandatos as presidentes do Brazil e do Chile decidiram, fizeram e conseguiram por esses países. Desde 1910, desde a implantação da república, que nada sucede nem se tenta nesse sentido. Pior figura não faria que os que nos têm governado.
Pelo menos seguiria algumas das boas normas que segue na sua família.