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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ter uma vida saudável
É p'ra mim a melhor sorte
E muito mais agradável
Que viver a pensar na morte
Nem lendo toda a poesia do mundo nasce um poeta.

sábado, 29 de dezembro de 2012

              O que é mais importante? As imagens, os filmes, as notícias, os comentários, as entrevistas  que a TV nos pode fornecer, o quotiddiano que passa por nós, frequentar as amizades, observar como crescem os filhos, os netos, os bisnetos, ou entrar dentro do espírito e especular com muito do que pode acontecer, dialogar de novo com os personagens que criámos, imaginar páginas do nossos futuro ou do futuro doutros? Há mulheres e homens que só vivem dentro das primeiras alternativas, poucas mulheres e homens vivem quase sempre dentro das segundas.E estas, pelo que tenho observado, têm um campo ou abrangem um campo muito maior, mais intenso, mais variado, mais rico. Conteem sonhos, perspectivas loucas, impossíveis(que por vezes se realizam), fogem aos tabus estabelecidos, à lógica da história, entram na fantasia.
             Seria interessante uma estatística a esse respeito. Espero que os meus mil e quatrocentos leitores assíduos, me deem a sua opinião para poder melhor aconselhar quem o deseje. Embora as estatísticas sejam com frequência muito enganadoras.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Encontro com um amigo

Procuro uma vez mais um personagem que imaginei num dos meus escritos, o Fernando. Procuro-o enre todos os que descem aquela avenida que tanto percorro, onde me sento com frequència tomando uma água fresca numa esplanada ensolarada. O Fernando é dos que mais falta sinto, com as suas histórias complexas sobre amigos imaginários, sempre procurando preencher os espaços vazios dos meus devaneios, sempre compreendendo as minhas angustias do momento, sempre atento aos sinais que exibo de indiferença perante a vida real. Sabe que eu só sossego se o ouvir relatar factos da sua vlda venturosa, embora saiba que eu sei que ali vai uma dose quase a cem por cento de imaginação. Eu, de quando em quando, ajudo-o acrescentando pormenores às cenas que me descreve, aqui referindo outro personagem que eu imagino, acolá reforçando as tintas que definem a paisagem que percorremos, de vez em quando soltando uma gargalhada bem sonora em resposta a um comentário meu. E assim chegamos à entrada do metro, engolfando-nos no novelo da multidão e decidimos deixarem-me entrar de novo, contrariado, na realidade.
Com toda a calma
Embtenho-me nos escaninhos da minha alma
Com toda a lucidez
Vou rebuscando, esquecendo a sensatez
Dou passos em vários sentidos
E sinto os espinhos da realidade nas mãos feridas
Por voltar a sentir a dor
Da saudade duma vida não vivida

E, ao jantar.

Apesar da crise houve sopa, entrada, prato de peixe, prato de carne, fruta, doces, água, ccola, vinhos branco e tinto, champagne e prendas para todos. Morra Marta, morra farta, é assim mesmo, o resto são cantigas, não o levarás contigo, não ponhas só a moeda à frente dos olhos, a alguem tem de sair, nunca perder  a esperança, guardado está o bocado, nem tudo o que luz é oiro, onde há fumo pode haver fogo e não falar em desgraças porque..."desgraça atrai desgraça" ! (como dizem os brasileiros).

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

E um Natal grande e feliz para todos.
Mesmo para aqueles que nele não acreditam.

domingo, 23 de dezembro de 2012

"Não há saudade mais dolorosa que das coisas que nunca foram!"
                                                                   (Fernando Pessoa)
Não sei como hei de pagar ´
Esta grande, imensa dívida
Nascida de muito cismar
No muito que devo à vida

sábado, 22 de dezembro de 2012

Bom fim de semana

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Foge-me a vontade, fica-me a tristeza
Não penso onde estou, nem para onde vou
E nesta vida quero ter a certeza
De voltar a viver o tempo que não passou

Fica-me o gosto, fica-me o amor
Sempre preso a tanta sensação
Desprezando o frio, alheio ao calor
Só atendendo ao que me diz o coração

E quando cada um destes dias termina
Ainda sinto o forte vento da esperança
Agitar dentro de mim tudo o que me domina

Todo o sonho que cada dia me anima
Toda a vontade que a minha mente alcança
Tudo o que eu consiga nessa minha sina

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Pessoal das câmaras municipais

           Parece-me que seria importante que os nossos jornais e revistas publicassem uma llista com os quadros de funcionários efectivos e eventuais das câmaras municipais do nosso país. Surgiu-.me esta curiosidade ao receber um email com uma lista de parte do quadro de funcionários da câmara municipal de Lisboa, cidade com pouco mais de um milhão de habitantes.
            Eis uma lista, segundo essa notícia, de parte dos 2521  técnicos superiores, licenciados ou doutorados dessa câmara:
                  - 330 arquitectos
                  - 101 assistentes sociais
                  - 73 psicólogos
                  - 104 sociólogos
                  - 146 licenciados em marketing
                  - 260 engenheiros civis
                  - 156 historiadores
                  - 303 juristas
                          Estará correcta esta lista? Eis um bom trabalho, uma boa investigação, para um jornalista.
             Os agrónomos e os veterinários, se a lista está correcta, sentimo-nos revoltadíssimos porque nela não consta qualquer nosso colega, será uma indiscriminação reprovável ou mera omissão, merecedora duma manifestação às portas da nossa assembleia legislativa. E muito nos admiramos perante o mutismo das dignas centrais sindicais do nosso país.
              Quando o meu tio, doutor Frederico Ramos Mendes, (tem o seu nome numa rua de Alvôr, reconhecimento dos seus habitantes devido a que a câmara que dirigia, nesse tempo ter conseguido  construir os esgôtos daquela localidade) foi presidente da câmara de Portimão, em 1945, contavam-se lá  14 (catorze) funcionários. Hoje, a cidade com dez vezes mais habitantes, conta, segundo consta, com mais de novecentos efectivos ou eventuais.
              Referia ainda esse email que recebi, que a cãmara de Barcelona, cidade com seis milhões de habitantes, tem um quadro de pessoal inferior, em número, ao de Lisboa.

Sobre a comissão trilateral

      A comissão trilateral foi fundada em 1973. Davis Rockefeller foi o seu fundador. Contou a comissão inicialmente com cerca de 300 membros, da gente mais poderosa dos USA, lilderes de centrais sindicais, acadímicos banqueiros poderosos, deirectores de grandes empresas, entre elas das principais da mídia. Desde o presidente Carter que o poder exetivo nos USA esttá completamente dominado por gente da Trilateral e dos maiores bancos como o Chase e o Goldman Sachs.Teem tido e teem nas suas fileiras governadores de diversos estados, ministros, secretários de estado, até um dirigente da Coca Cola.  

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Bilderberg Group

                 O Grupo Bidelberg, nasceu em 1954 "apenas por convite", num hotel do mesmo nome na Holanda. È composto por dois terços de associados americanos e um terço de associados europeus e do oriente. O seu objectivo principal é o de estabelecer um governo mundial, empregando o poder do dinheiro. Como David Rocckefeller disse, "se dominarmos o dinheiro dum país, não nos iimportamos com as leis desse pais.".
                 Fazem parte desse grupo muitos membros da Trilateral.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A Trilateral portuguesa

            O grupo portugues da Trilateral, fundado em 1980, por convite do então presidente do bloco europeu, George Berthoin, preparou a reunião europeia do grupo em lIsboa em Outubro de 1983. Houve outra reunião emAbril de 1992. Nesta operou-se a sunstituiçaõ formal dos trees presidentes da Trilateral, passando a comandar a secção europeia um antigo ministro da economia alemão e send também substituido David Rockefelles, o fundador por outro americanoPaul  Volcker, mantendo-se honorários os antigos presidentes

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Parece-me

Parece-me que sinto o movimento de espingardas
E o fragoroso ruido de armar baionetas
Desta vez é mais certo que surjam granadas
E oiçamos tiros sem vermos cravos e violetas

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sobre a Trilateral

            O senador Barry Goldwater ( republicano do Arizona) fez uma contundente advertência no seu livro "With no Apologies", em 1979:
           " A Comissão Trilateral é internacional e destina-.se a ser o veículo para a consolidação multinacional dos interesses bancários e comerciais, tomando o controle político do governo
dos Estados Unidos. A Comissão Teilateral representa um esforço engenhoso e coordenado para tomar o controle e consolidar os quatros centros do poder - politíco, monetário, intectual e elesiástico". De todo o mundo, acrescento.
              Infelizmente poucos nos deram onvidos e menos ainda compreenderam.
              Irei pesquizar mais sobre essa organização.
              E se algum dos que leem este blog quizer oferecer a sua contribuição, agradecemos. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

             A partit de amanhâ retomarei alguns temas políticos.
             Começarei por referir um pouco do que sabemos sobre a a Trilateral, essa organização secreta para o domínio do mundo através do poder que o dinheiro proporciona.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nunca é quase tarde
        A falsa modéstia é a antecãmara da vaidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Viro as páginas do avesso da minha vida.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"Era uma tarde de encher o olho duma couve lombarda."
             de Camilo Castelo Branco em Novelas do minho.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Siga o dinheiro, siga o poder.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Roga--me a vida

Roga-me a vida comunicar sem pretensões
O que ela me concede, o que ele me exige
Sem esquecer os caprichos e as ilusões
E tudo aquilo que a minha mente finge

Pressinto outra vida depois da morte
Como imagino o bom do dia de amanhâ
Sem pretender que só à custa da sorte
A minha vida não seja uma coisa vã

Para tanto vou rasgando os panfletos
Dos arautos de crenças e ideologias
Desprezando todos os seus folhetos
E respeitando sempre, a senhora fantasia.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Democracia autêntica

            Só a teremos, entre muitas outras coisas, quando todos os cargos foram preenchidos por eleição. Pretender que a união europeia seja uma união de facto tendo os seus dirigentes actuais subordinados à banca internacional e eleitos "a dedo", é uma enorme fantasia.Em primeira lugar a sua luta mais importante é conserver os seus lugares.
             O poder do banco Golden Sachs, essa universidade do poder do dinheiro, é tanto, que nem os seus dirigentes conhecem quem são os seus donos. O único dono que conhecem desse banco é o DINHEIRO, a nada mais obedecem, só seguem os interesses do dinheiro. E que é um poder tão forte como o do fògo ateado em gasolina que não se esgota para o alimentar. Nem os próprios administradores desse banco conhecem o seu dono. Há um presidente do conselho de administração mas ele próprio, se lhe perguntam quem é o patrão, responde que é o conselho a que preside. È um banco que todos os segundos ganha milhões de dólares.
              E atenção, esse banco já tem tentáculos, garras, ao seu serviço, no banco europeu e nos governos de quase todos, senão todos os paises da Europa, Portugal incluido.
              Parece que alguns jornalistas corajosos, já começam a desmascará-los.  

Porque será?

             A resposta à minha pergunta na mensagem de ontem está no programa que a RTP2 transmitiu ontem, sobre o banco Golden Sachs. Se tem a Iris, essa maravilha que a Zon nos oferece sem que nos custe um centimo, se tem Iris, não deixe de ver esse programa que nos ajuda, embora não nos console, a compreender muita coisa da política actual e que confirma o que eu disse ontem sobre os verdadeiros culpados do que nos está acontecer e, que se não for atalhado com a poderosa máquina da informação, nos levará à pobreza crescente.
               O poder do dinheiro também se combate com uma democracia autêntica.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Porque será?

             Porque será que os políticos, os analistas, os jormalistas, porque será que todos esses cavalheiros não descortinam ou não querem ver onde está a causa de todos estes males que assolam o país?
             Será porque os verdadeiros culpados são outros? Vejamos, pensemos um pouco, procurando não especular.
                     Primeiro: não sáo os senhores que cá veem impor-nos condições, isto é, os senhores estrangeiros que compoem a |chamada troi,ka, não sáo esses senhores que decidem essas condições. Eles são funcionãrios da união europeia, que não é uma união verdadeira mas um grupo de paises unidos por uma moeda única e pouco mais.E que manda nela, na aparência, talvez seja aquele grupo de bonzos que vemos na televisão, que lá estão e ditam ordens sem terem sido eleitos.Esses são os verdadeiros culpados, ninguem fala disto porquê?
                      Segundo: há mais de dez anos, quando aceitamos a moeda única, disseram que se seguiriam todos os passos para que se concretizasse uma verdadeira união europeia, numa espécie de federação.
                      Terceiro: dez anos passados, nem uma única medida foi tomada, foi decidida nesse sentido. Apesar de haver um parlamento com quase seiscentos deputados, suponho que nada foi proposto ou votado nesse sentido. Ou se o foi, ficou na gaveta.
                       Quarto: aproveirtando esses dez anos, pouco a pouco até ao presente a Alemanha foi dominando, pela chantagem exercida pelos seus bancos e até talvez por alguns  bancos franceses.
                       Quinto: esses senhores que agora comandam a união, repito, sem para tanto terem sido eleitos, não lhes interessa perder os lugares que ocupam. E a senhora Merkel e não lhe interessa perder o comando porque isso convem sobremaneira ao seu país.
                         Sexto: todos eles sabem que  a situação económica dos paises que veem sofrendo estas crises, cada dia piora, e não se resolverá com adiamentos, perdões de dívidas,e muito menos com mais austeridade.
                E a situação do nosso país é irreversível, a menos que passem uma esponja sobre a nossa dívida, como começaram a faze-lo com a da Grécia.0
                 Mais uma vez podemos comparar com uma situação idêntica, na economia familiar. Se o chefe de família deve mais do que aquilo que ganha num ano e se continua a gastar mais do que ganha, o que lhe pode acontecer? Ou não paga, não se rala, continua na boa vida, ou lhe perdoam a dívida, na condição, quando muito, se ainda não esticer viciado, de gastar tanto ou menos do que ganha.
                 No futuro, ou ficaremo  com outra dívida a cem anos, como a do ultimatum. E terá de tomar conta do governo uma outra ditadura.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um poema de Clarisse Valderrabano Quadros

                                                             Os meus são
      
                  Os meus são poemas de sentimentos
                  São transpirar de emoções
                  Sentimentos, penas, alegrias.

                  São preguntas e desejos de entregar,
                  Por vezes são rebeldia, medo e dor,
                  E mais frequentemente
                  São de amor
                  E de paixão pela vida,
                  São de força, sentimento e coração

                  Palavras,
                  Breves espelhos de beleza,
                  Imagens que procuro desenhar
                  Como revive a folha caída,
                  Como pode ser tangível a esperança,
                  Como se pode sentir a poesia.

                   Os meus,
                   São impulsos de alguém
                   Que ama a vida

de Clarisse Vakderrabano Quadros
Agosro de 1998.
de Clarisse Valf           

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Uma página de Clarisse Valderrabano Quadros

            Hoje quero olhar os problemas como desafios, como oportunidades maravilhosas de limpar e tormar a minha vida mais agradável.
            Hoje esforçar-me-ei  para que esteja consciente do muito que se aprende na vida, de quanto mais flexível me tornei com os anos e procurar recordar que existem muitas coisas que ainda não compreendo.
            Hoje serei feliz, sentir-me-ei feliz e me fará feliz comprovar o bem que me sinto quando dão por mim.
            Hoje olho para as exigências deste dia como um caminho suave pelo qual posso deslizarme gozando do esforço conseguido.
            Hoje decidi conceder-me pelo menos meia hora de lazer com tanto direito como qualquer outra actividade dado que isso representa a melhor  forma de energia física, esperitual e creativa.
            Hoje vou estar especialmente atenta aos outros, no dar e no receber.
            Hoje recordarei o meu dia, a minha semana e anallisarei se estoou caminhando para onde quero ir.
            Hoje prestarei atenção às coisas boas que me digam os outros porquanto ainda que eu  não as possa ver, se os outros as veem é porque estão.
            Hoje não haverá medo pois que tenciono passar por este dia acreditando em mim, saboreando a vida e com a certeza plena de que onde estão as minhas debilidades, estão as minha forças.
            Hoje, serei feliz.

                                    Para ti que o leste,
                         com muito carinho pot tudo o que compartilhamos,
                                pela amizade, pelo amor à vida
                      e a gratidão de compartilhar a alegria de existir
                                              Clarisse Valderrabano Quadros
           (em Novembro de a998)     

sábado, 1 de dezembro de 2012

Doze anos em Angola

            Será o título do meu livro a sair dentro de alguns meses. Quando escrevemos nunca sabemos quando terminaremos o livro em que nos envolvemos e que prometemos por contrato, que prometemos a nós próprios ou que prometemos á família. Por contrato ainda nada escrevo nem publico, a mim próprio e à famíllia prometi este livro que agora desenvolvo. E que não publicarei como publiquei o "Sonho de sorte" porque não me interessam as condições que me propõem.  Talvez o publique neste blog ou em pequena edição para a famílila, amigos e descendentes actuais e futuros. E do seu destino da mesma forma posso imaginar que lhe aconteça que um nosso descedente, senhor de farta fortuna, ele tem de aparecer um neto ou tataraneto que engendre farta fortuna e que se resolva a dar a conhecer ao mundo o mago das letras - em sua opinião - que foi o avô ou tataravô.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

            Chegaram os dias frios ao Algarve, ontem e hoje, sol na rua e noites estreladas.
            Aqui no Algarve, nestes dias mais frios, lembra-me o que me dizia um amigo sobre o tempo frio em Viseu: "noite estrelada, noite nevada".
             No Algave aparece neve de vinte em vinte anos, mais ano, menos ano. A última vez que os telhados dos prédios de Portimão aparecerem brancos, cobertos de neve, numa manhâ,  foi, em 1954. Em 1974 tornou a cair um nevão na serra de Monchique, havia neve na estrada desde o lugar conhecido por porto de Lagos, a seis quilómetros de Portimão, até à Foia, o ponto mais alto daquela serra.
              A razão de se chamar "*Porto de lagos" àquela pequena localidade é de que até ao século XV havia um pequeno porto fluvial na ribeira de Oudelouca, que passa a pequena distância da povoação, esta com uma duzia de casas, e onde há a bifurcação da estrada que vem de Portimão separando-se e derivando da  estrada  para Monchique, uma outra que segue para Oudeloca e Silves.esta última com uma ponte por cima da ribeira de Oudelouca, a pequena distância.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Praia da Rocha

       Na Praia da Rocha encontram destes panoramas a cada passo.

sábado, 24 de novembro de 2012

Um turista por aqui perto

             Um turista cinquentão   ou sessentão, estacou a frente da minha janela, ao lado da palmeirinha. Vê-se que admira e goza, da careca aos pés, este sol de inverno, este tempo plácido, esta brisa muito suave, esta temperatura amena. A expressão do seu rosto parece indicar que está recebendo uma dádiva inesperada, agradável e confortante. E também alguma surpresa por esta oferta da natureza que representa uma retribuição valiosa do que pagou pela viagem e estadia turística. Vai levar recordações agradáveis da sua passagem por aqui pensando que alguns dos seus amigos continuam no seu país envoltos no manto agreste do clima invernosos que por lá grassa.
               Quantos dos meus conterrâneos vizinhos não reparam, sequer durante um segundo, neste maravilhoso clima algarvio.
               Têm-no todos os dias e não pagaram um centimo para o ter.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Quem dá a Deus

                  Diz um sovina e avarento, quando um pobre lhe pede uma esmola:
                      - Eu já dou à igreja, quem empresta a Deus dá aos pobres.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

               Nada escreo, continuo com o meu livro.
               En tretenham-se, se quizerem, lendo ou relendo o meu livreo "Sonho de sorte" que publquei no princípio do ano neste blog.

domingo, 18 de novembro de 2012

Memórias dum livro (ou outro título a imaginar)

            Vou suspender até daqui a alguns meses a escrita deste livro. Fica o esqueleto para retomar esse trabalho após findar o " Doze anos de vida em Angola" , de que já resumi parte do primeiro ano, em tres mensagens há uns meses atrás, neste blog.

Memórias dum livro - 2


                                                                   I

                   Artur Caetano abrandou o passo ao constatar, pelo relógio de pulso, que ainda tinha meia hora antes do início da reunão com os outros directores da empresa onde trabalhava há doze anos.. Agradou-lhe entrar na livraria por onde passava com frequência antes de chegar ao emprego. Na montra, foi atraido pelo título dum livro - o livro cujas memórias se irão relatar nestas folhas.
                    Amando a lilteratura desde que aprendera a ler, por vezes preguntava-se donde viria o seu gosto de ler, sera genético, ambos os seus pais haviam acumulado uma forta biblioteca, adquirindo muito de inúmeros autores clássicos, desde os gregos até aos mais modernos, incluindo diversos best-sellers policiais. Participava de dois grupos de leiltores, assinava tres, por vezes mais revistas literárias, e preenchia duas vezes por semana, duas colunas em jormais diários da capital.
                     Sempre que entrava naquela livraria, folheava diversos livros, lia uma ou dúas páginas ao acaso para formar algum juizo sobre a obra, evitava ler a primeira página fiel ao princípio de que qualquer autor, com raras excepções, se esmera quanto pode quando inicia um romance ou uma novela. A sua longa experiência na aquisição de llivros demosntrára e havia-lhe inculcado a decisão de pouca importância dar volume ou ao peso - há clientes das livrarias que compram a peso, como se estivessem a comprar batatas ou grão - e menos iimportância dava ao brilho da capa - a tampa duma caixa  nada significa nem representa a qualidade do que está dentro. E não raro comprara mais de um clássico em edição de bolso,
                        Mas o titulo do livro que agora folheava"Memórias dum livro" e  que antes lhe despertara a atenção quando o vira na montra, parecera-lhe original. Após a leitura dumas duas ou tres dezenas de linhas, sentiu o mesmo que antes sentira com difersas obras literárias que adquirira: tinha vontade de continuar lendo, atraía-lhe o enredo e a constatação do interesse em não largar o livro era imperante.
                         Certificando-se pelo relógio da loja que a reunião na empresa começaria dentro de poucos minutos, pagou o livro e saíu quase a correr.
/continua numa das próximas mensagens)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Memórias dum livro - 1

                                                                    PRÓLOGO
     
               Esta é a história dum livro, da sua vida depois que foi adquirido por alguém . Não menciono o autor, porque ele me pediu para que o não mencionasse, antes de me confessar que só em sonhos conheceu a história desse seu livro, desde que o entregou a uma editora para o publicar.
                  - Mas esse sonho ou sonhos não reflectem a realidade - disse-lhe eu.
                  - Eu sei, mas sonhei com as aventuras do livro em tantos sonhos, em tantas noites quase seguidas, que começo a acreditar que há algo de real nesses episódios, por vezes tristes, por vezes rocambolescos, com frequência alegres, outras vezes revelando-me cenas imbuidas de filosofia que não me ocorreria relembrar.
               O meu amigo autor, segurava o livro com as duas mãos, dando-lhe voltas e folheando-o com delicadeza,  sem se deter nalguma das páginas e olhando-o como se olha para um amigo de toda a vida ou para um objecto de estimação e valor incalculável.
                    - E como vão as vendas?
                    - Olha, nisto das editoras também é preciso ter sorte. Começo a suspeitar que a editora a que me liguei me está pregando uma vigarice. Como sabes, contei-te há dias, o contrato que fiz envolveu-me num pagamento duns milhares de euros, na condição de difundirem o livro pelas estações de rádio e de televisão, de enviá-lo a diversas personalidades que indiquei, E até hoje, segundo as informações que tenho, nada fez nesse sentido. Enfim, falta de experiência minha, não posso recorrer à justiça, não tenho dinheiro para isso e de resto, para què a justiça, se só daqui  a sete ou dez anos veria o processo decidido pelo juiz?
                      - Mas, de qualquer, maneira parece que estás contente com o livro!
                      - Estou, estou. E agora mais porque os sonhos relatando as aventruras do meu livro distraiem-me bastante. E até me dão motivos para enriquecer as conversas com os meus amigos, conversas que me alegram sempre a vida...
                       - É verdade. Conversar é uma das melhores forma mais agradáveis de encher parte da vida..
             Com a prévia autorização do autor, passo a relatar os episódios em que se envolveu o livro.
             Porém, se algum dos seus leitores se sentir retratado no livro, será pura coincidência. Um sonho é um sonho, não se lhe pode atribuir alguma responsabilidade por se aparentar aqui ou ali, com a realidade.
(continua num dos próximos dias)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Indignação

            Não percebemos porque o governo não toma uma atitude firme no que respeita à greve dos estivadores. E além dessa atitude firme poderão distribuir folhetos com letras grandes, ellucidando toda a gente:
                   1- Que essa greve prejudica de forma muito grave, a economia do país, impedindo que sejam enviadas para o estrangeiro muitos produtos fabricados em Portugal.
                    2 - Que essa greve prejudica muitos trabalhadores porque se se prolongar vai provocar despedimentos em muitas empresas.
                    3- Que o motivo da greve, segundo consta, é discutir uma lei que impede o excesso de  horas extraordinarias.
                     4 - Que o trabalho que esses senhores exercem nada tem de violento ou, vá lá, mais violento que tantos outros como p.ex. o dos condutores de autocarros ou mesmo de taxis.
                      5 - Que o salário médio desses senhores anda na ordem dos 2.400e (DOIS MIL E QUATROCENTOS EUROS).
              Há muitos operadores de grua ansiando por trabalho.
              Isto não causa indignação?!|     

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sou do universo

            Eu parto do princípio que pertenço ao universo.

Ontinuando no tema anteriot

            Portanto é um contrasenso pronunciar frases como "quado eu morrer"..." vou passar desta para melhor...",etc.. Não penso que o Criador, que é o criador de todas as coisas do universo, se preocupe com o que por aqui neste planeta fazemos, devemos amá-lo como nosso criador, podemos rogar-lhe quando estamos aflitos, ou agradecer-lhes quando fomos contemplados pela sorte que, como o azar, não sabemos nem vale a pena especularmos muito sobre a sua finalidade. A sorte e o azar, como todas as coisas deste mundo, também nos foram concedidas por Deus. E , como quase tudo deste mundo, ainda não conhecemos os seus segredos. Como por exemplo porque fomos conttemplados ou não com a sorte ou o azar. Conhecemos muito do muito que nos rodeia e do muito que faz parte dos espíritos ou do que não é material, Mas, o que desconhecemos dessas matérias conta-se por números imensos. O que está por inventar, o que está na imaginação da mulher e do homem como possível e como inpossíveis é muito mais, muito mais do que podemos apontar. Ocuparia a primeira página dum livro rol com dez elevado a n folhas.
               Mas a vida tem-me ensinado, talvez numa visão optimista, que quanto mais se anseia pela sorte, mais dificil ela parece chegar, quando mais nos preocupamos com o azar, mais o azar acontece, Quanto mais procuramos a sorte mais ela se nos esscapa, quanto mais tememos o azar, mais o azar aparece. Tenho a sensação que a sorte e o azar(que talves sejam seres doutra dimensão, doutro universo) detestam ambos que pensemos neles. Que sucede o mesmo que quando procuramos algo que perdemos, quanto mais o buscamos menos o encontramos. E por vezes está mesmo à nossa frente e passamos por esse lugar onde está e não o vemos. E sucede quase sempre que, se deixamos passar umas horas, um dia e às vezes até um mês sem o buscarmos, encontramos o que preocurávamos mesmo ali naquele lugar por onde passámos várias vezes nas últimas horas, ou o encontramos onde menos esperávamos, por vezes num lugar ridículo, como no frigorífico ou à frente dos olhos. 
                Não tenho sorte nem azar, Tenho e terei aquilo com que sou contemplado na vida. E assim pensando, cada vez me sinto melhor.

domingo, 11 de novembro de 2012

depois de morrermos

No que desconheço não me posso meter, nem posso compreender algo que não existe no nosso espírito, que não está reproduzido em matéria, sobre o qual não há conhecimento de ningém, apenas existem hipóteses que não podem ser nem nunca foram experimentadas por alguém, apenas há e sempre houve puras especulações. Os que morrerão não podem comunicar aos vivos essa experiência e os que não morrerão  não se arriscam a experimentá-lo.
Desde que as mulheres os homens comunicam pela palavra ou pela escrita o que passaram, o que sofreram e o que sentiram enquanto vivos, nenhum nos comunicou o que sofreu passou e sentiu depois de morrer, pela razão evidente de que, se morreu, a memória desse ser despareceu e portanto não pode comunicar nada do que passou, sofreu ou sentiu depois de morrer.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O que abunda, o que falta, o que sobra.

                Vejamos: abundam os processos à espera dajustiça, abunda a corrupção, aguardamos que os tribunais sentem os corruptos no banco dos réus; abundam os abutres que se aproveiam da leviandade dos políticos, abundam os defices nos orçamentos, na saude, nas parcerias publico privadas, nas empresas do estado. Mas não abunda o dinheiro nos bolsos dos cidadãosl E falta a justiça, falta a equidade no tratamento dos cidadãos, falta o dinheiro nos cofres do Estado, falta o senso comum e o particular, faltram os empregos. Mas não faltam as remessas de fundos para os paraisos fiscais. .  Sobra a ignorãncia, sobram os velhos inclusive os do Restelo. sobram as empresas fechadas.
                   Não há a decência de  para comunicar a verdade aos portugueses.
                 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os raios X

             Os raios x permitem observar e armam a vista para observamos o que está oculto, assim os usamoa para observar os ossos do corpo humano e o interior de diversos corpos.
             Os pensamentos são os raios x da alma.

Nem cadilhos nem trocadilhos

Quem tudo pode não precisa de querer("quem tudo quer, tudo pode")
Os milagres em casa só virão dos santos("santos da casa não fazem milagres")
Deus não pede emprestado para dar aos pobres ("quem dá aos pobres empresta a Deus")
Quem tudo perde já nada quer ("quem tudo quer, tudo perde")
Depressa se chega ao perto ("devagar de vai ao longe")
Os tôlos também comem papas e bolos ("com papas e bolos se enganam os tolos")
As costas não folgam enquanto o pau cai ("enquanto o pau vai e vem folgam as costas")
É maldade torcer o pepino pequenino ("de pequenino é que se torce o pepino")
No infinito as paralelas perdem a virtude ("no infinito as paralelas encontram-se")
Quem muito acerta pouco fala ("quem muito fala pouco acerta")
Nas guerras morrem os novos e ficam os velhos ("na vida morrem os velhos, ficam os novos")
Nem sempre duma pedra dessa montanhas se faz um santo ("arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas e faz um santo")


domingo, 4 de novembro de 2012

Sou teimoso.Sou como aquelas gavetas que à primeira emperram, à segunda encravam, à terceira ou à quarta encontram o sítio certo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Quem comanda um neuróneo? Donde vem? Tem universo infinito à sua volta? A sua micro dimensão dá-lhe uma macrovisão do seu ambiente? O fluido em que vive tem química classificável, tem elementos raros, desconhecidos, com peso atómico constante ou variável, é elemento fundamental para outros seres que ali vivem? Já existiram dinossáurios no seu passado? Teem sentidos diferentes, de certeza que os teem, não temos a convicção de que comem,ouvem,apalpam, reajam, amem, como os humanos. Serão sensatos, malucos, poupadinhos, contribuirão para o PIB lá deles, há por lá políticos?
Na escrita deles, escreverão poesia? 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sobre poetas e poesia

                   A leitura de todos os versos escritos no mindo, não faz surgir um poeta.
                   Há poetas que não sabem ler.
                   Nem está escrita toda a poesia
                   E há poesia que não pode ser escrita
                   Talvez que só os poetas a entendam
                   Há quem leia poesia e que não a entende
                   Porque a poesia não está na letra com que se escreve
                   E talvez só a entendam os que sabem traduzir o que a escrita tem de sentimento
                   E sacar de dentro dela as emoções de quem a escreveu

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Outra profissão

             Há uma ocupação em que nunca me envolvi: ser pedinte, pedir esmola, pedir interesses, pedir favores. Pedir, pode até considerar-se uma profissão, se por esta se entende constituir uma forma de ganhar a vida, Como muitos consideram a gatunagem como profissão, a corrupção como ganha-pão. Todavia, atentemos que há muitas formas de pedir esmola. Desde o pedinte que se fez rico e continua a pedir, como aquele personagem do filme "Deus lhe pague", até ao pobre que pede para os outros pobres, como Jesus Cristo. Desde o pobre que expôe as suas mazelas, verdadeiras ou falsas, até ao pobre, que se apresenta bem asseado e que apenas estende a mão a quem passa, à porta da igreja. Desde o pobre que pronuncia frases agradáveis para quem ali circula ou que canta e toca um instrumento, até ao pobre que se mantem mudo e quedo, sentado, de olhar distante. Desde o pobre solitário que nem a mão estende à caridade, até ao mascarado que se apresenta como uma estátua imovel, inespressiva e insensível ao ambiente ou até ao que se serve de crianças ou de animais para suscitar curiosidade, tristeza ou compaixão. Na pobreza há grande diversidade.
               Também na gatunagem e na corrupção, existem muitas variantes.



               Até na pobreza há diversidade.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Navegando em líquidos diferentes

Tenho a convicção de que esta vida é um cartão de visita para a eternidade, que tudo o que vemos, porque vemos pouco no tudo que vemos, não é mais que um conjunto esfarrapafo de boas intenções coleccionadas no album dos tempos e que os funcionãrios do destino trabalham para que os seus chefes o folheiem de vez em quando para tomar decisões sobre os actores que puseram em cena nos planetas habitados. E nós, na Terra, actores pagos e premiados com a vida neste planeta, recebendo o prémio em setenta, por vezes em mais de cem anos, vamos imitando e representando neste grande teatro lançado no espaço num movimento de rotação à velocidade de uma volta por dia e à outra vclocidade de um volta rotineira à volta do sol de uma volta por ano. Velocidades, que por artes dos nossos chefes, não sentimos, pensamos que é natural não senti-las  Podemos fazer greve,duma noite ,no sono, ou da vida , noa tentativa de suicídio. Coisas que acontecem no nosso destino sem democracia nenhuma, sem nos consultarem ou atenderem à nossa experiência, desprezando os nossos desejos, resolvendo tudo lá entre eles com esse desprezo sobranceiro duma ditadura, com  indiferença inconsciente semelhante à da folha morta que cai do jacarandá no outono invernoso. Somos actores, somos títeres, semos peças inertes de mobiliário, somos átomos duma minúscula célula no corpo doutro ser que tem consciência de que não tem consciência de que existimos? Todo o infinito imaginário que existe dentro do que só pode ser visível ao microscópio electrónico, desconhecido tão desconhecido dentro do universo do conhecido porque ainda não existe o aparelho, a máquina, a ferramenta que permita encarar esse outra realidade infinita, para nós infinitamente pequena e descobrir os novos protões e electrões do seu universo.
          Leem-se muitas histórias sobre regresso do futuro, idas ao passado e outras tretas que a publicidade dos passatempos nos vai impingindo. Todavia, ainda não apareceu quem relatasse uma viagem ao desconhecido fora do nosso conhecido  ou o regresso dessas paragens. Que não será uma viagem ao futuro porque é uma viagem para dentro do presente, a tal história de abrir e cuscuvilhar  o tempo presente, o segundo que decorre, que pode conter muitas horas de vivência, Segredo que deve estar ligado ao segredo da compressão, amalgamento do tempo, conseguir juntar o dia de ontem com o de hoje e o de amanhã. Aliás, fazemo-lo, embora sem consciência, sentimo-lo quando dizemos "como passa o tempo" "parece que os trinta anos passados foran ontem" e outras frases mais ou menos espirituosas.
           Enfim, entremos resignados, no nosso pôrto, o passado segundo, foi inesquecível.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Estou longe

                Estás longe, não te conheço, não sei quem és, acabo de falar contigo. Deixaste-me pendurado como roupa pendurada e abanando no arame da "marquise",pensando no tom simpático da tua voz que ainda não ouvi, no sorriso franco que me deste e que ainda não foi o primeiro que vi. Mas existes, és, e quando falares mais comigo, sem te ouvir, preencherás um espaço que o meu destino reservou desde criança e acabou por revelar. Dou-te o meu braço aguardando que a distância desapareça no tempo que não passou por nós.
                Há muita gente que fala comigo, não os oiço porquê? Talvez que ainda não esteja bem treinado..

No coração humano

"No coração humano há um vazio com a forma de Deus"
                                                                           De Pascal
Isto é, há um lugar que só Deus pode preencher. Parece-me entender.

Vou

           Há sol por toda a parte, as nuvens, os trovões e as ventanias,  obedeceram à ordem de se afastarem para lá dos horizontes. A palmeira jovem, em frente da minha janela, agita as folhas com a alegria do seu verde brilhante, pessoas saem do mercado e passam na rua orgulhosas dos sacos de compras e do sorriso que ostentam. É um outono atravessado de primavera, salpicado de verão e escondendo o inverno que se avizinha com a suave decisão da lagarta que anda pela folha do jacarandá. Apetece-me ir para a rua, abandonar a cadeira e o  computador, orientar os meus passos para lugar que desconheço de tanto passar por êle. Penetrar mais uma vez no mistério e na beleza das coisas simples que me rodeiam lá fora, que me perturbam porque não as sinto, que me emocionam pela esperança de que surjam à frente da sombra que caminha á minha frente, Um grupo de gaivotas desce sobre os telhados, grasnando. E um grupo álacre, de estudantes, desce a avenida, lembrando a toda a gente que são jóvens, que a vida é dêles, que não devem nada a ningem.
            Mas, vou. Porém, as andorinhas despareceram.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os meus empregos

             Frequentei durante o pouco tempo do passado desta minha vida, diversos empregos. Fui estudante, o emprego mais doloroso que tive; fui agrónomo, o emprego mais suave, mais agradável; fui mestre de obras, o emprego mais irritante por que passei, fui professor, o emprego mais relaxante; fui empregado de mesa(durante quatro horas). o emprego que mais surpresas me deu. E o resto do pouco tempo que passei durante a vida, empreguei-o naquilo em que todos  os animais empregam a maior parte do seu tempo: criando e disfrutando da família, em turismo obrigatório ou incerto, convivendo em maior ou menor grau com o seu semelhante ou com outros animais.
             Mas o que mais detestei, até agora, foi ser o gerente das finanças da família.

domingo, 28 de outubro de 2012

"Eu sou do tamanho do que vejo, não sou do tamanho da minha altura."
                                                                        ( de Fernando Pessoa)

O que espero encontrar

                 O que é mais importante?
                 O que não tem importância nenhuma?
                 As folhas mortas?
                 Os ninhos abandonados?
                 Os carris de ferro à espera dos comboios?
                 A gota de água que cai na boca sedenta duma formiga?
                 O suave murmúrio da brisa matutina?

                 Mas não será que o que não tem nenhuma importância,
                 É o mais importante de tudo?
                 Porque é que, para tanta gente,
                 O  menos é pior que o mais,
                 O escuro pior que o claro,
                  A raiva pior que o sossego,
                  A covardia pior que a coragem,
                  O mau pior que o bom?

                   Na contradição pode haver justiça,
                   No desespero pode residir a coragem.

                   Mas, entre as paredes dum quarto da minha casa,
                   Quando lá entro,
                   Fico sempre na dúvida sobre o que irei encontrar.
                   Porque, sabendo o que lá existe,
                   Tenho esperança que uma surpresa me aguarde.

                    Fellizes os que encontram sempre o que esperam,
                    Mais felizes os que esperam encontrar
                    Mais do que esperam encontrar.
                    Porque assim há um outro sentido da vida.

                    A rotina foi establecida para os felizes,
                    Os que encontram sempre o que lá está.

                    A vida também foi dada aos outros, como eu,
                    Que esperam encontrar diferente do que esperam encontrar.
                     E por isso, êsses outros, como eu,
                     Não esperam encontrar senão o que é diferente,
                     Do que esperam encontrar.
                     Isso, é o importante para mim.

                     Os infelizes, êsses, nada esperam encontrar.
                     Abrem a porta e nunca se admiram.   

sábado, 27 de outubro de 2012

               Porque eu dou pouca importância à minha fotografia e dou muita importância ao que sublinho.

Ilusão

             Estas ignorâncias pesadas que eu estudei e esqueci, êste modo de tergiversar, de iludir a folha de papel, de esgravatar na ciência perdida que desprezei, traz-me a mesma sensação que sentia quando me embalavam no berço que já não existe e que serviu na mão de quem mo roubou, para alimentar uma lareira gizando inúmeros sois que duraram, e luziram, no tempo infinito, tanto ou mais que o nosso sol. Mas, paciência, nunca é demais atear o fògo, nunca é demais acender um fósforo, uma vela, um foguete, uma paixão: todos geram estrelas, mais ou menos efémeras no nosso tempo, na medida e comparação com o nosso tempo. Mas duradouras, na medida do nosso tempo, efémeras na medida do infinito, que pertence ao tempo. Não há fim no tempo, como não há fim das distâncias sem fim, como não há fim de tantas outras coisas. Como o egoísmo, a vaidade, ou a complicação duma alma, entre muitas outras. Nunca alcançaremos hoje o dia de amanhã, nunca conseguiremos estar de novo no dia de ontem. E tantas vezes ouvimos dizer "se eu pudesse voltar atráz, ir para êsse dia passado". Ilusão, ainda por cima, vã.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Entrando no absurdo

            O absurdo tenta-me. É ou não é a vida feita de absurdos?. Amamos ou não amamos os absurdos da vida, desta vida?.Mergulhamos ou emergimos do absurdo? Concordamos ou não com os absurdos quotidianos, transiberianos,expontâneos, falsificadores da realidade, inconstantes no meio do acaso, orientados para uma intrincada demonstração de cálculo diferencial ? São ou não são os absurdos um dom dos indivíduos concretos, petrificados, sustentados pela rotina, embalados com o sucesso?
           E, apesar de tudo isto, saio do absurdo. Volto à apatia dos meus afazeres domésticos e à inutilidade das discussões polítcas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A natureza é bondosa

             A vida de tudo o que não está cêrca de nós, passa mais depressa do que a nossa. Estivemos ausentes doze anos e, quando chegámos, desapareceu para parte incerta alguém que nos era querido. E assim parecendo que  no tempo que arde um fósforo, desapareceu. Não se passou para ele ou ela o  mesmo  tempo que nõs passámos fora, O meu tio-avô dizia-me, vais vêr, Jés, que os anos passam como o vento, como a brisa que não se sente. Vais vêr, dizia-me êle, que um dia dirás o mesmo a um dos teus netos.
             Até com as pedras, na sua estranha melancolia que não entendemos, talvez porque somos mais imperfeitos que elas, até com as pedras o mesmo se passa. Passamos por um lugar por onde passámos há dois ou três anos e em lugar daquela pedra que alli estava, que até deu o nome ao lugar, em seu lugar só existe areia, mudança que a natureza sábia ordenou. Ou, o seu lugar está ocupado por um  edifício, um mamarracho de betão e ferro,  que a natureza ignorante dos homens ali plantou.
             Mas a natureza é bondosa, não é vingativa. Tem todo o tempo do mundo para endireitar o que os homens entortaram. E êsse tempo também passa num ápice.
  

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dia cinzento

          Nada mais triste que uma palmeira em dia de chuva. Dia sem sol, dia sem céu, dia cinzento. Que até faz desmaiar o verde das folhas da palmeira que vive em frente da minha janela. E é natural que a palmeira que todos os dias me vê por detrás da minha janela, é natural que também me  veja hoje mais cinzento. O cinzento não se pode pintar, não é côr, nem sequer está no arco-iris. Pode ser, mais ou menos, como vários objectos.  Mais ou menos preto, mais ou menos branco, nem preto nem branco. Não se define, não nos ilude na sua condição de cinzento, não se decide, não resolve nenhuma situação, permite todas as audácias, olha oblíquo para o branco, olha desconfiado para o preto. É um meia água, um meias tintas, um meia leca, uma desconsideração para quem nele acredita. Não arrisca nada, nada resolve.
          É uma sensaboria. Como êste dia cinzento.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

          Somos um país riquíssimo.Comprámos blindados para todas as instituições. Para os tribunais, para as ppp, para as empresas estatais, para o parlamentol. Estamos tão blindados por fora que pouco temos por dentro. E quanto mais blindados estamos, maravilha das maravilhas, marmelada das marmeladas, cornucópia das cornicópias, estas para aqui pouco chamadas e por isso aqui estão. Quanto mais blindados por fora, mais ôcos, a blindagem é um cancro, cresce de fora para dentro.
         Qualquer dia, igual a tantos outros que passaram, não teremos nada por dentro, diferente da blindagem.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Julgo

Julgo que não chego a ser pessimista nem que para lá caminho
Gosto dum bom petisco, dum bom vinho, duma boa entrada
Gosto dos pequenos nadas que são os afazetes diários
Dos gestos expontâneos, dos bons dias, boas tardes
Dos outros bons qualquer coisa que todos os dias largo
Ou que me largam com palavras e ademanes
Do banho matinal, da água fresca no verão e quentinha no inverno
De outras comodidades caseiras da tecnologia moderna
E aproveito, gostando, de tanta coisa barata que tenho fora de casa
Do ar, do sol, do luar, das paisagens que passam por mim,
Do mar, das caras bonitas, dos sorrisos que nos oferecem
Dos olores da primavera, dos calores de verão,
Dos sons da rua, dos cantares dos pássaros, dos pregões
Gosto, enfim, de tudo o que passa por mim e que me agrada
E até gosto do que está para vir e que desconheço

O que será não gostar de nada disso e ter de assim viver?

domingo, 21 de outubro de 2012

As emoções

           Ando com emoções á flor da pele, ando controlado por umas e desleixado com outras. Sistematizando, as emoções podem classificar-se em sentimentais e inócuas ou podem classificar-se em coisa nenhuma.Activas, passivas, inertes, fracas , fortes, intensas, débeis ou apenas à flor da pele.Mas, se revejo o catálogo dos sentimentos ficam de fora as emoções simples, que poderemos apelidar de pétreas, aquelas provocadas pela dór fisica de quem possue a faculdade de sentir a dor física, em a catalogar ou colocar no armazém das sensações. E estas, as que eu sinto quando nada sinto e quando eu passo por nada que passa por mim. Porque as reverberações que sinto, quando as sinto parecem-se com as reverberações que não sinto nas coisas mais simples. E não as sentindo, sou como a pantera que não sente a água que corre no riacho ao lado ou como o bébé que não sente a mãe à sua volta, antes de nascer.
           Dessa maneira, tudo se percebe, Mas nunca as coisas mais simples.

Que dia é hoje?

                Que dia é hoje? Pergunta de resposta fácil a que eu não sei respoinder, Nem em português nem em coreano . Em coreano talvez acertasse mas, pra que serve saber que dia é hoje, para que serve saber se estamos no hoje, no ontem ou no amanhâ. Reparem, palavra muleta ou bengala, que está na moda,: não gostaríamos de já estarmos amanhã ou de estarmos ontem? A ciência ainda não descobriu o processo, será um avanço, tecnológico ou com outra lógica, essencial, fundamental para a vida no futuro. E reparem, usando a mesma bengala, como será cómodo carregarmos no botão e passarmos para ontem: para não dizermos algo de que estamos arrependidos, para fazer algo que não fizemos, para,enfim, tomarmos outro caminho mais de acordo com as nossas ambições. Ou passarmos para amanhã, sem as chatices de hoje, sem nos esqauecermos do que nos esquecemos hoje, sem agredir os ouvidos ouvindo o desgradávelque ouvimos hoje. Será, como é modo dizer-se no mundo da política, uma margem de manobra muito favorável.
                Mas o problema que decerto a tecnologia ou outra qualquer logia resolverá no futuro, o problema será apagarmos o que fizemos não no ontem real mas no ´que realmente se passou hoje. Ou amanhã desaparecer o hoje.
                Complicado, para um génio, simples para um leigo. Ou, simplesmente, ao contrário.

sábado, 20 de outubro de 2012

Com tudo o que me importa

           Algumas palavras bonitas, uma frase elegante, um epigrama oportuno não fazem, não acontece poesia. Tudo isso com ums pózinhos de sinceridade, sentimento e fantasia, por vezes pode acontecer. Relatar com expontaneidade uma emoção, com o coração a sangrar ou a saltar de alegria, tal relato pode ser poético. E se não está o autor pensando que escreve poesia, ainda mais.
           Como eu, agora, que não sei o que estou defenindo, que não sei o que escrevo, que não sei se é poesis.
           Nem me importa.Como não consigo importar-me com tudo o que me importa.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vou resistindo

Vou resistindo aos clamôres imensos à minha volta, todos virados para o mesmo lado nas críticas. O pobre não critica, ouve, suporta a fome; a  classe média critica, imitando os outros na crítica; alguns mais sensatos, pensam antes de criticar. Eu pretendo raciocinar. Lembro-me sempre que, num exame de frequência, com mais cento e setenta e nove colegas, num determinado exercício de matemáticas gerais, um único aluno deu uma resposta diferente de todos os outros cento e setenta e nove. E porque raciocinou, deu a resposta certa.

Se eu conseguir

Se eu conseguir não ouvir os sons que oiço
E conseguir expressar as emoções que me assaltam
Reunindo e separando o passado e o presente
De tudo o que a esperança e o futuro me prometem

Quero antes de tudo imaginar que existo
Pretendo contemplar o presente que já não tenho
Olhando para o lado que me der na gana
Sem sentir que vou pra lá e  que pr'áqui venho


Jogando com a fantasia e a ilusão
Assim me entretenho dentro do meu templo
E sem querer, utilizando o mais importante
Que é tudo o que sinto e que não contemplo


          

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sou.E continúo

           Sou omo as águas dum rio,  deslizando com placidez entre as margens na planície,
           Sou como a lava dum vulcão percorrendo com fragor a encosta da montanha
           Sou como a máquina obediente aos seus botões e ao homem que os acciona
           Sou como o felino mais feroz que, saciada a fome, despreza tudo à sua volta e dorme

           Se sou rio caminho sempre para o mar imenso como destino
           Se sou lava nada me faz mudar de intenção, vergar ou não vergar a maldade
           Se sou máquina não me perturbo com o ambiente, não me importa quem me usa
           Se sou felino, só a fome me mobiliza, antes que o sexo,que o amòr, que o tempo

           Mas continuo sem saber qual o caminho que percorro e que me norteia
           Mas continuo a percorrer todos os caminhos agrestes desta montanha da vida       
           Mas continuo a não me importar com tudo o que se passa à minha volta     
           Mas continuo sem saber o que mais vale, se o tempo, se o sexo, se o amôr

           E não sei, não sei se me importa continuar..

Começo a saber

Começo a saber que não sei quem sou
Que aqui estando não sei onde estar
Sinto  que de tudo o que passou por mim nada ficou
E que é provável que já não consiga amar

Tento o verso puro, tento sondar esta alma
Iludindo a poesia, desprezando a ilusão
Ver onde estou, ver com toda a calma
Esquecendo a vida, abandonando a razão

E se por vezes com alguma surpresa
Tropeço em mim, nesta realidade
Regressa-me o sentido da certeza
De que é bom viver a vida em qualquer idade

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Apesar da crise

            A miuda puxava, insistindo, a saia da mãe, a mãe sabendo bem o que ela queria, estava habituada, era o quarto filho e todos queriam o mesmo quando puxavam a saia da mãe, no supermercado. Aos três anos de idade também ela se lembrava da saia que a mãe sempre levava ao supermercado, verde com riscas pretas, era a saia das compras, que lavava todos os domingos. Nunca punha calças, o marido torcia o nariz quando a via de calças, torcia o nariz em muitas ocasiões, era daquela qualidade de maridos que raro sorrriem para a mulher dentro de casa e que se agarram ao jormal depois do almoço e que sempre reclamava do cozido que estava morno, da sopa que estava salgada ou ensonsa, dos bifes que ele dizia sempre que eram da testa do boi ou do joelho da vaca.
            Ao fim de vinte anos pensou que era tempo de começar a juntar dinheiro para comprar uma caçadeira.
             Apesar da crise.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cheio de raiva, fiz gazeta aqui no blog, vários imprevistos diários deixaram-me em condições precárias para pensar - e escrever.

Mais, sobre disparates

Muitos disparates contribuiram para o progresso

domingo, 14 de outubro de 2012

Outono

Posso encontrar-me longe ao pé de mim
Sentindo o vento que dessa árvore folhas destaca,
Cúmplice do outono quase no fim
Que chegou e, não hesitando, ataca

sábado, 13 de outubro de 2012

                Pedinte em Estocolmo, Noruega.
                A pobreza nem sempre desaparece. .              
                Por vezes nem com muito boa vontade. 

Os meus eus

Vive em mim outro eu que eu conheço
Indo e vindo sem qualquer cerimónia
Aqui viver, não sei se o  mereço
Disfrutando da vida sem acrimónia

Quem neste corpo há muito me implantou
Podendo decidir,como usar
Êste eu ou o outro eu que eu sou,
Sabia que eu um dia teria de o largar

A razão que essa incógnita desconhece
Se sou eu ou o outro que está na minha vida
À deriva sem saber o que acontece
Vagando na droga, futebol ou na bebida

Nesse dia que não escolherei
Quando o corpo ficar e os eus não
Fico sem saber o que sentirei
Partindo os eus sem o coração

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Na realidade

                  Peguei no saco das ilusões, apertei o o nó dos compromissos, perguntei ao polícia onde parava a liberdade e,  seguindo a alternativa sugerida no sonho, enfiei-me de cabeça no futuro.
ouvi
parei
senti
corri
ouvi
pensei
sofri
saí.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O que fica

O que fica por detrás do pensamento, o que se esconde quando é visivel e  que arranha com carícias?
O que fica depois de tudo acabar, o que falta dentro do vento, quanto açucar tem o sal, quanta água tem a areia?
O que fica dentro dum ponto final, o que vemos na escuridão, quais a curvas duma linha recta, e quais as rectas duma reticência?
O que fica antes pra depois, o que atrasa a pontualidade, qual o bem dentro da maldade, qual o peso dum passado?
Fica muito porque dentro do nada há muito.
Fica muito porque ir é sempre voltar
Fica muito porque de tretas está o mundo cheio
Fica muito porque nada resta

Quando lá, se põe tudo.

Nasceu a nossa bisneta Antonia

           E já são quatro, os bisnetos. Imaginem, eu que quase já sou mais novo que os meus filhos»! Há três horas nasceu o quarto, uma bisneta que vai chamar-se Antonia. Filha de mãe alemã, de pai chileno, avôs portugueses e chilenos e antepassados italianos, indianos, espanhois e outros terráqueos. Gostaria de aqui pespegar a foto dela (com uma hora de idade), mas não consigo passá-la do facebook para aqui,  lá a poderão encontrar se pesquizarem em Alberto Quadros ou em Clariissa Quadros, esta uma das avòs, imaginem já tenho uma filha que é avó...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012


            Porque não temos sempre uma flôr em cada janela janela? (da vida, do dia, do futuro)

Mais vida

Troco uma alvorada na noite dos meus sonhos
Só recebendo as carícias dessas rosas
Entregando  sem contemplações dois raios de luar
E pedindo à vida uma mão cheia de ilusões

Entro nos meus negócios de fantasias
E saio dos meus acordos com fantasmas
Mascarados de gente sã, de gente bem vestida
Com paletós, fraques,  smokings e sobrecasacas

A vida tem destas coisas destes arremedos
Destes lagos plácidos de inquietudes
Destes grandes rios de águas turbulentas
Que corrrem pressurosos para as nascentes

A cartilha maternal

        
          Êste dia a dia sem obrigações faz-me lembrar os meus tempos de criança. E procuro recordar as primeiras palavras que escrevi, de cópia da cartilha maternal de João de Deus: "Ó Pedro, que é do livro da capa verde...?", lembram-se ? nas primeiras páginas, depois do a, do e,do i, do o do u, liam os ões, os ãos, os inhos.. E depois, mais adiante, chegavam os balões, os grãos, os ninhos. E, lá para o fim, em texto corrido, apareciam palavras mais complicadas.
           A primeira edição dessa cartilha, era um livro enorme, teria uns sessenta centímetos de comprimentora e uns cincoenta de largura. Há poucos anos vi um pela primeira vez, em casa dum casal amigo. E a razão daquelas dimensões - nunca eu havia visto um livro tão grande - era a pobreza existente entre os pais dos alunos das escolas primárias oficiais. Os filhos de pais mais abastados, êsses  freqauentavam escola primária particular. Poucos, raros pais de  alunos pobres tinham dinheiro para comprar livros, quando muito compravam uma peqauena lousa preta onde escreviam com giz, o que o professor apresentava no quadro da aula. E neste, expunha e abria a grande cartilha maternal, com dimensões suficientes para que os alunos de todas as filas  pudessem ver, ler e aprender as letras, palavras e números ali escritos.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Encontrei aquela nuvem
Em pedaços pelo chão
Dou uma esmola a quem pede
Se me ordena o coração

Aquela porta

             Entrei naquela casa saindo pela porta que estava trancada e inviolável. Era uma daquelas portas reais e imaginárias, de materiais pesados e desconhecidos, construida, imaginem, com ferramentas que não existem, por isso, sem usar qualquer tinta, a porta ficou vermelha não de vcrgonha ou de esfôrço mas orgulhosa  da sua grande qualidade, a de não fechar a entrada nem permitir a saida a qualquer animal, só se abrindo para não deixar entrar a dúvida, só se fechando para permitir entrar a vaidade. Os ventos não a fazem vibrar, as brisas não a incomodam, os tufoes só a arranham.A água deixa-a impassível, o f ôgo faz-lhe cócegas. Quando bate leve, levemente, não chama por mim, e ninguém diz que vai bater àquela porta porque aquela porta não chama por ninguém.           
            Aceito sócios para fabricar mais portas dessas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Aguardo

Fico aguardando que o futuro me inponha
Subir a cumes etéreos e nevados
Resta-me a teoria das probabilidades
Para me alentar depois dos tropeços dados

A vida, a vidinha bem sofrida e inclemente
Não me tem negado prazeres intermitentes
Tem-me me posto à prova sempre a meu favor
Com doses de amôr quase permanentes

Contudo, se posso cantar, rir, sofrer passo a passo
Se a sorte me atingiu atirando-me para os teus braços
Resigno-me a descançar sem ter cansaço

Resigno-me a escrever este soneto fora das regras
Não cedo à tentação mas a ela vou obedecendo
Sem remorsos, com fantasias mais ou menos negras.

domingo, 7 de outubro de 2012

Viver

           Que aborrecimento, que tédio, que pasmaceira,comer, acordar, abrir e fechar, subir e descer, politica, notícias, que pasmaceiras, que tédios, que aborrecimentos, que vagares sem pressas, que pressas sem vagares, Pensar, sorrir, ler, escrever,acariciar, dar, pensar, que alegtias, que surpresas, que emoções.
            E, pelo meio, entremeado como a gordura no chouriço, viver, dormindo ou não dormindo, decidindo ou hesitando, procurandou na inércia, que sentimos por entre estas e outras muitas alternativas?
            Viverão assim os outros bichos?

Vou por uma estrada estranha

              E eu vou seguindo por uma estrada estranha, não a estrada asfaltada, a via rápida, a auto estrada, mas a estrada em que vou caminhando  com preguiça mas com ledice e pasmo. Não passo por tabuletas, nem por cidades, nem por outros caminhantes. Vou andando, acordado ou dormindo, de surpresa em surpresa, encontrando catedrais de sonhos, florestas de esperanças, festas de alegrias. Vou sem tropeçar, não sentindo o caminho, não sentindo a velocidade, não sentindo os obstáculos. Nas paragens sinto vibrações agradáveis, nos cruzamentos há pétalas pelo ar que me acariciam a cara e as distâncias são marcadas e provocadas por desejos antigos que recordo no meio de sorrisos de ninfas que, por vezes, me rodeiam, me dão as mãos e me conduzem para uma música que sempre oiço ao longe, tímbales suaves misturados com oboés graves inseridos numa música de fundo onde predomina o piano, acompanhado por acordes ténues de instrumentos metálicos.
              Onde vou chegar?

sábado, 6 de outubro de 2012

Amar! (de Florbela Espanca

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar:Aqui...Além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? È mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Dutante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida.
Pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...pra me encontrar."
                                                       (de Florbela Espanca)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tentarei

           Tentarei nos próximos dias e nas próximas mensagens não escrever sobre política. Nesta apenas mais direi que estou profundamente desiludido, triste e revoltado porque a forma como este governo do nosso país tem actuado, sem dar explicações cabais para tudo o que se passa - é impossível que entre tanta gente que o governo tem, não haja um com a inteligència suficiente para ver que isso é fundamental numa boa governação -  sem actuar sobre as parcerias publico-privadas, dando razões que não convencem (blindagem dos contratos, etc.), sem aumentar os impostos ao nível a que se propoem, sem dar explicações, sem sequer reconhecer que talvez a saida do euro seja uma solução. Dizendo que isso seria uma ruina, não explicando porquê, esquecendo que a Argentina passou por uma crise semelhante e não demorou tanto tempo a solucioná-la. E a minha desilusão, e talvez a vossa, reside na progressiva convicção que este governo está a seguir os mesmos passos que o anterior.
            Quando há sinceridade e boas intenções, nunca se negam as explicações.
            Acabei, a política não vai aparecer por algum tempo, espero que muito.  
                Uma partida que me fizeram informaticamente, impediu-me até hoje o prazer de escrever neste blog. Vou recomeçar dentro de pouco tempo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Vida

           Passam-me os dias pela vida e não sinto o desfolhar desse livro que não escrevo. E as formas mais fáceis de encontrar a paz  - deslitgar a televisão, ler um livro já esquecido ou outro original, pensar em círculos à minha volta, escutar os sons que o silêncio me traz, ou,simplesmente, tomar um café.
          Estes pequenos nadas da vida fazem-me preceber porque o nada, por vezes, é muito. 

Querem greve, os meus neuróneos

               Um dos meus neuróneos avisou-me que os seus colegas  mais conservadores andam preparando uma greve de zêlo, exigindo férioas permanentes. Não se conformam com a actividade que desenvolvo, com a imaginação que lhes peço, com os estudos e leituras a que me dedico. Segredou-me muito mais, dizendo-me que os outros andam com os axónios em mau estado, cansados e com as dendrites perdendoa capacidade. Falam muito do excesso de trabalho que eu lhes imponho não ligando aos seus lamentos nem atendendo às suas reinvidicações. Estão revoltados porque, dizem, ao fim de tantos anos não está certo que os tenham, de há poucos anos para cá, obrigado a reproduzirem-se tão intensamente como quando a sua casa tinha vinte anos ou pouco mais.
               Disse ao meu informador que, na próxima assembleia geral dos neuróneos desta casa, lhes transmitisse o meu recado: "resignem-se, quero viver mais trinta anos".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Oferta de Deus

                  Quando, à nossa frente, se abre um botão de rosa, recebemos um beijo de Deus.

sábado, 29 de setembro de 2012

Fatalidades

Todos os namoros são
Fatais

Todos os que entram em namoros teem destinos
Fatais

Tambem os que usam calças curtas ouvem comentários
Fatais

Mas quem é que não teve namoros nem nunca usou calças curtas
Fatais

Porque todos esquecemos e não confessamos os encontros e as decisões
Fatais

Não sejam vaidosos, ignorantes, insensatos, exibindo estes defeitos
Fatais

Nem sejam, como eu, todos loucos e barbaramente
Fatais

Nem escrevam coisas destas, pouco bonitas,
Fatais



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Num novo dia


Preciso de voltar a sonhar os sonhos que não tive
Preciso de voltar a encontrar os bens que não tenho
Preciso de voltar a aprender tudo o que não aprendi
Preciso de voltar a percorrer aquela estrela que não vejo

Se o tempo me consome deixando-me viver
Se a saudade em mim é flor que se desvanece
Se penso que encontrei o que nunca quiz
Se a vida me traz razão nem razão sentindo

Torno a folhear as páginas que não sei ler
Torno a dar os mesmos passos que não dei
Torno os meus olhos dentro dos teus
Torno à mesma saudade de te ver

Perante um mundo que desaba ficando erguido
Perante tanta gente que niunca é gente
Perante os milagres  de tantas tristezas alegres
Perante os mistérios secretos duma pedra dura

Volto a erguer a minha taça de nectar suave e incolor
Volto por fim a reparar neste princípio
Volto a dar toda a corda à esperança
Volto por fim a aprender o riso duma criança
                     
                      (dedicado à minha filha Maria Alexandra

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O significado dos nomes próprios

                Quando resolvemos qual o nome próprio a dar a uma filha ou a um filho, por vezes não nos lembramoos do significado do nome que escolhemos. Se é um nome ligado à religião cristã ou outra, em geral nada, como os nomes de Maris,Pedro ou João, não teem segnificado particular a não ser a ligação a um santo ou profeta. Mas é difetente se se trata de nomes provenientes do latim, nomes de origem germãnica ou outra origem estrangeira. Por exemplo, o nome de Claudio, de origem latina, pode ser um pouco impróprio se nos lembramos que significa côxo, manco - como era o imperador romano do mesmo nome. Ou nome de Matilde, posto uma mulher que é um modèlo de placidez, de inacção, de inércia, de indolência, dado que êsse nome, de origem germânica, significa que quem o possue deve ser pessoa guerreira, audaz, cheia de actividade.
                 É evidente que se se baptisa um bébé com qualquer nome, este não vai decerto influir no seu caracter futuro. Mas quando for estudante ou fôr maior, pode.se sentir incomodado com o nome que lhe atribuiram.    

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

As macro e as micro economias

            Será que o governo do nosso país não encontra um economista - ou uma pessoa que não seja economista - que tenha pelo menos o bom senso de aplicar as regras duma razoável ecomomia doméstica?  Nos cursos superiores de economia continuam ensinando discioplinas extensas, intensas, aprofundadas nas ligações com a macroeconomia, aplicando a matemática, a estatística e as humanidades avançadas gerando projectos, propostas, aplicações fora do alcance dos leigos e dos técnicos superiores doutros cursos. Aposto que lá na sua casa, já disse à consorte:
               - Minha querida este mès endividaste-te muito, gastaste batante mais do que juntámos para gastos do mês.
           Mas, pelo que vimos observando nestes nossos tempos, continuam esses cursos e doutoramentos superiores de economia a falhar nos mesmos projectos, aplicações e propostas quando se trata dos assuntos económicos mais elementares, em particular os que se resolvem com a aplicação da microeconomia, da economia familiar e da economia das pequenas  empresas.
             Seria bom que, sem esquecer o que aprenderam, recordassem:
          - Que nenhum chefe de família ou de pequena empresa gasta mais do que ganha, só arriscando gastar mais quando obtem crédito em condições razoáveis para a execução de projectos viáveis, para realização dentro das possiblidades da família ou da empresa e com objectivos que interessem e não loucuras que se fiam na sorte ou num milagre. Os que assim procedem depressa se encontram envolvidos em imensas dificuldades.
           - Que nenhum chefe de família ou de peqauena empresa, compra carros de gama alta, vivendas com centenas de metros quadrados, mobiliário de luxo ou joias ou pedras preciosas, não tendo mais que o que ganha no seu emprego, na sua reforma ou no que ganha com a sua pequena empresa.
            - Que, se num dia ou num mês as suas receitas aumentaram para além do normal, ou porque foi promovido no seu trabalho ou por outra razão, passe a gastar mais do que ganha.
            - Que resista a propostas aliciantes de negócios sem as ananlisar com cuidado, com tempo e com estudo aturado em particuçar se é assunto de que pouco conhece.
            - Que deva e tente constiruir uma reserva razoável para acidentes que possam ocorrer.
            - Que se possa aconselhar com muita gente mas que não aceite qualquer conselho sem pensar nas consequências para a família ou para a sua peqiema empresa, respeitando ambas..       
          Eu penso que  um primeiro ministro que recordasse sempre estas regras, faria sempre melhor figura que os que nos governaram nos últimos trinta anos.
           A não ser que existam outros motivos menos reomendáveis.        

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mistérios

Porque será que não se investiga a sério a fuga ao IVA?
Porque será que não se investiga a sério o enriquecimento ilícito recusando-se a assembleia a tal iniciativa?
Porque será que não se investiga a sério e não muuuuuito lentamente, as despesas das empresas públicas pelo menos com a mesma inensiodade como vão sendo investigadas as ligadas ao ministério da saude?
Porque será que não se impõem secrifícios aos beneficiados com as parcerias público-privadas ?
Porque será que o comandante do partido socialista não fala de tudo isto, com mais frequência que fala da crise, da troika, dos sacrifícios, da austeridade?
Porque será que o governo não apresenta em folhetos distribuidos aos deputados e à população, relatos completos dos contratos das ppp?
Porque será que o governo não publica na imprensa rádio e televisão o estado actual das finanças em exposição simples para os votantes?
Porque será tudo isto quando o governo tem dezenas, senão centenas de assessores, conselheiros e outros  funcionãrios trabalhando para o apioarem? 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

"Aos simples " ( de Guerra Junqueiro)

"Ó almas que viveis puras, imaculadas,
Na torre do luar da graça e da ilusão,
Vós que inda conservais, intactas, perfumadas,
As rosas para nós há tanto desfolhadas
Na aridez sepulcral do nosso coração;
Almas, filhas da luz das manhãs harmoniosas,
Da luz que acorda o berço e que entreabre as rosas,
Da luz, olhar de Deus, da luz, benção d'amor,
Que faz rir um nectário ao pé de cada abelha,
E faz cantar um ninho ao pé de cada flor;
Almas, onde resplende, almas onde se espelha
A candura inocente e a bondade cristã,
Como num céu d'Abril o arco da aliaça,
Como num lago azul a estrela da manhã;
Almas, urnas de fé,de caridade e esp'rança,
Vasos d'oiro contendo aberto um lírio santo,
Um lírio imorredoiro, um lírio alabastrino,
Que os anjos do Senhor vêm orvalhar com pranto,
E a piedade florir com seu clarão divino;
Almas que atravessais o lodo da existência,
Este lodo perverso, iníquo, envenenado,
Levando sobre a fronte o esplendor da inocência,
Calcando sob os pé o dragão  do pecado;
Benditas sejais vós, almas que est'alma adora,
Almas cheias de paz, humildade e alegria,
Para quem a consciência é o Sol de toda a hora,
Para quem a virtude é o pão de cada dia!
Sois como a luz que doira as trevas dum monturo,
Ficando sempre branca a sorrir e a cantar;
E tudo quanto em mim há de belo ou de puro,
- Desde a esmola qaue eu dou à prece que eu murmuro -
É vosso: fostes vós o meu primeiro altar.
Lá da minha distante e encantadora infância,
Desse ninho d'amor e saudade sem fim,
Chega-me ainda a vossa angélica fragrância
Como uma harpa eólia a cantar a distância,
Como um véu branco ao longe inda a acenar por mim!
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Minha Mãe, minha Mãe! Ai que saudade imensa,
Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti.
Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares
Cruzavan-se voando em tormo dos seus lares,
Suspensos do beiral da casa onde eu nasci.
Era a hora que já sobre o feno das eiras
Dormia quieto e manso o impávido lebréu.
Vinhan-nos da montanha as canções das ceifeiras,
E a Lua branca além, por entre as oliveiras,
Como a alma dum justo, ia em trinfo ao Céu!...
E, mão postas, ao pé do altar do teu regaço,
Vendo a Lua subir, muda, alumiando o espaço,
Eu balbuciava a minha infantil oração,
Pedindo a Deus que está no azul do firmamento
Que mandasse um alívio a cada sofrimento,
Que mandasse uma estrela a cada escuridão.
Por todos eu orava e por todos pedia.
Pelos mortos no horror da terra negra e fria,
Por todas as paixões e por todas as mágoas...
Pelos míseros que entre os uivos das procelas
Vão em noite sem Lua e num barco sem velas
Errantes através do turbilhão das águas.
O meu coração puro, imaculado e santo
Ia ao trono de Deus pedir, como inda vai,
Para troda a nudez um pano do seu manto,
Para toda a miséria o orvalho do seu pranto
E para todo o crims o seu perdão de Pai!...
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A minha Mãe faltou-me era eu pequenino,
Mas da sua piedade o fulgor diamantino
Ficou sempre aabençoando a mina vida inteira,
Como junto dum leão um sorriso divino,
Como sobre uma forca um ramo de oliveira!"
( de Guerra Junqueiro)