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segunda-feira, 29 de junho de 2015

As alternativas

Vou ali e já venho, salta-me a boca para a mentira, tenho uma língua de trapos que vou usar para proteger os estofos poidos do meu carro, já os virei, como dantes de fazia aos casacos e aos sobretudos, naqueles tempos precisávamos de algo que puséssemos sobre tudo, inclusive os tapetes que se usavam igualmente para cobrir tudo cruelmente e com desfaçatez, Aqui há uns trinta anos apareceu um político a fazer propaganda com o "slogan" " vou tirar o que está debaixo do tapete",  as intenções desse cavalheiro eram as mais sinceras.  até hoje ele continua tirando,. não conseguiu  acabar de cumprir a promessa, até hoje continua a encontrar o que está debaixo do tapete .No dia em que um político cumpra as promessas, acaba-se a paródia ou acaba a política. Não queremos nem uma coisa nem outra isso de alternativas democráticas estamos conversados, mas os grandes inventores da democracia, os gregos mais veneráveis, nem pensavam em alternar, por isso é que o alterne é uma invenção do século XX.    

Só me encontro

Só me encontro quando não me procuro, só não penso quando desvario, só não vivo quando não quero, quando me entrego na agonia da apatia ou do tédio, quando não desespero. E só me entrego quando me querem , nunca quando me querem comprar, nunca quando insistem em elogiar-me. Mas sempre que me abrem alguma porta da fantasia.
A vida tem de ser uma grande patuscada, não deve ser uma pequena história. dentro das convenções, dos horários, dos carimbos do obrigatório,  dos tempos dos faz de conta, dos lugares comuns. Quero lá saber dos lugares comuns. Irritam-me os lugares solitários, chateiam-me os semáforos, as artimanhas, as reticências, os pontos finais. Basta-me, pelo menos, estando sozinho,  pensar.
   

sábado, 27 de junho de 2015

Não é por escrever muito que fica escrito alguma coisa de jeito. As palavras estão lá, na memória de cada uma ou de cada um. A arte de as selecionar,eleger e figurar numa frase elegante, contendo alguma sabedoria e de expressão concisa, é rara, é privilégio de poucos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Apregoei

Apregoei virtudes, qualidades, condecorações.
Desprezei amores, amizades, sortes
Entreguei-me a vícios, preguiças, ilusões
Virei-me do avesso, ao não amar, ao não te importes
Tirei os cursos da tristeza e o da sensaboria
Faltando às aulas práticas  do mar, do vento, da terra
Esquecendo as qualidades da sabedoria
Nunca pensando que só Deus é que não erra

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Se há razão

      A razão da minha razão confunde-se com a ração do meu pequeno almoço. Da mesma forma como uma almotolia se utiliza para nos confundir a fantasia de cavalgar uma nuvem. Mas  tão diferente dum palimpsesto  como um cesto de costura é diferente dum protozoário.
      São picuinhas provenientes dalgumas sensaborias, dalgumas fumarolas que saem do vulcão das minhas adversidades.

terça-feira, 23 de junho de 2015


Envolvi o meu passado no rol dos meus defeitos e esqueci-o dentro do armazém das virtudes.                                                                                           

Por vezes não preciso dum nagalho

Há paradoxos da nossa linguagem que lhe fornecem a dose de ridículo que deve existir em tudo . Aí está ele, dirão, entrando nos domínios do inusitado, da fantasia, do obnóxio, do insensato. Ainda bem, Eu não ato com um nagalho os meus desejos de comunicação, os meus pensamentos não se situam dentro de qualquer esfera de orgulhos, deveres, regras, artes de bem viver, Naranãonão, como dizia a minha tia. Aquele candeeiro amarelo não fala comigo, eu sei, sempre soube que os candeeiros amarelos necessitam de companhia, sós acabam por se endividar - o que, para um patriota é criar riqueza - e querer sair do euro o que, sem sabermos bem porquê, nos lançaria nos braços da ruina, por isso eu tenho dois candeeiros - às vezes, para que se envaideçam, chamo-lhes  candelabros, lustree, castiçais -   valem, são notáveis, pela inveja que têm um do outro,, apagados lutam por parecer mais apagados que o outro, acesos, coisa curiosa, lutam por iluminar mais o que vejo, o que leio, nunca lutam imaginem, nunca lutam por iluminar mais a minha mente, por trazer clarões imaginativos à minha escrita, por encher de luz a minha existência.São, em resumo, uns egoístas, o que lhes interessa são as suas manifestações de sombra e de iluminação.
        Até porque perdi o rolo de cordel com que costumo atar os embrulhos que não faço.

domingo, 21 de junho de 2015

Esta maquineta onde escrevo

Esta maquineta onde escrevo, onde escrevi tanto e onde espero escrever muito mais, não passa duma maquineta, dum artefacto mais ou menos insensível, dum brinquedo mais ou menos útil, e que possui como base minúsculos pedaços de material,  que reage de forma pretensamente parecida aos nossos neuróneos, os circuitos integrados, os "chips" os trasistores, etc. não me peçam explicações sobre o que são todos estes, a minha ciência não vai nem eu pretendo que vá mais longe, quem queira saber mais consulte a internet, escreva lã, "chip" e aquela memória imensa da internet lança-lo ou lançá-la-á nos braços da informática. Mas a mim não me interessa saber mais o que sei sobre isso e o que me parece mais importante saber, é que um computador é uma maquineta que ainda precisa de muita sapiência, experiência e paciência dos inventores consagrados à informática, para conseguirmos construir uma maquineta dessas que  tenhar um pedaço de alma, exprimia alguns ténues, vagos e titubeantes sentimentos consega abrir a porta da fantasia, da bondade e da sensibilidade. Ou até escrever, sem copiar, uma carta de amor, uma daquelas ridículas cartas de amor relatadas por Fernando Pessoa.  

sábado, 20 de junho de 2015

O meu terceiro livro


O meu terceiro livro não entra no rol baixo, vil, abjecto e mercenário de livros à venda. Ofereço-o. Com portes a pagar por quem o desejar. Desta forma maquiavélica de exigir o porte pago, já sei que ninguém o  quererá, nem dado. O problema é que uma data de gente irá a correr comprar um dos milhares de exemplares que a editora me concedeu o favor de não editar.
 

Disse

Desfaço os meus problemas cozinhando-os com um ovo estrelado e batatas "au meuniere" não se riam desta ignorância, mas essas batatas fritas são as  mais saborosas batatas fritas que eu não comi porque doutra forma os meus problemas não ficavam em ponto espadana entrariam no rol da roupa suja daquele antigo primeiro ministro que o proclamou aos cinco ventos, ele sempre gostou e apregoou a sua originalidade aos dois ventos, os outros, os normais quatro ventos, guardava-os para os conselhos de ministros onde, segundo proclamou,  candidatando-se à  Torre Espada e ao nobel da culinária, para isso é que na nossa assembleia nacional não falta uma cozinha onde quarenta cozinheiros, surgidos  com a promoção dos quarenta ladrôes,  sempre têm e apresentam pizzas de computadores, microfones e televisões, sempre preparadas para que os deputados mais exigentes tenham todos os dias o prazer mundano de deitar qualquer coisa para o lixo. Derivado disso choveram os protestos dos media e dos treinadores contratados que se mostraram elegantemente enxofrados com esse gesto de puro desperdício, esquecendo-se das seiscentas sessões de esclarecimento a que obrigaram os primeiros ministro após o 25 de Abril e como consequência o desaparecimento de toda a imaginação dos pais e mães da pátria amada, porque lá em casa já não tem coragem, capacidade e destemor para amar  eternamente seja o que for.
Disse. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Essa minha tia

Aquela mulher, viva, irreverente, destinada a ser bonita, não tinha 47 anos, nenhuma mulher tem 47 anos. De homem com 47 diz o seu biógrafo que, com 47 estava na plenitude da vida, um Cesar, Um Alexandre, um Napoleão. Duma senhora com 47 anos nada consta, não foi uma Cleópatra, Joana d'Arc, uma Tatcher, Nenhuma mulher, hoje viva, nasceu em 1968, nenhuma. Mesmo as mais reles, se alguma o é. Mesmo as mais bonitas, quase todas. Porque antes de morrer qualquer mulher enterra a sua idade, nenhuma diz que já teve 47, outras, muito mais velhas que elas, todas sentem a mocidade, todas são casadas com um marido muito mais novo que 47  . E assim , assim, caramba, assim é que está certo. Qual é o marido decente que é casado com uma mulher de 47 anos? Nem sequer há um homem casado com uma mulher de 47 primaveras. Os números não se inventaram para referir a idade duma senhora, nem a duma mulher( poucas gostam de ser chamadas de senhoras, todas apreciam que as chamem, familiarmente, pelo nome que consta do cartão de identidade. A não ser que seja um nome duma antepassada, posto à nascença, um nome irreverente, que dizem cómico, impróprio para o gosto da própria, Como uma tia minha que no cartão de identidade se chamava Ermengarda, o nome duma célebre tia avó. E que só queria que lhe chamassem Mimi. Faleceu com noventa anos, mas nunca teve 47. E com razão. Foi sempre bonita. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

As manifestações do espírito

Se o corpo morre, regressa à terra, decompondo-se ou em cinzas. Não mais  poderemos vê-lo vivo, como antes da sua morte, O nosso espírito não, pensamos que existe e que subsistirá após a morte do nosso corpo, que não é possível elimina - lo pelas chamas. Não  se pode queimar um pensamento, não se pode fazer um archote como um combustível que se arde,  duma  tristeza, duma alegria, dum pressentimento. Mas o espírito, ainda que não se possa ver, terá forma de manifestar-se, qual será, tentamos  imaginar. Não por fantasmas, duendes, belzebus, mas duma forma que eu pressinto, que  pressentimos. Manifesta.se. suponho, pelo que o nosso espírito atinge se se sintoniza com outro ou outros como um rádio ou uma televisão se sintonizam com as emissoras que queremos ver e ouvir.. Outros e todos os  espíritos manifestam-se como estações, que sintonizamos no nosso espírito, no teu, no dele, Qualquer  um poderá ser captado pelo nosso interesse, pela nossa atenção , pela nossa vontade, pela nossa vida. Manifesta-se portanto, por indícios não físicos:: por pressentimentos, por intuições, por tendências, por certos empurrões da nossa vontade, que com frequência não compreendemos..

domingo, 14 de junho de 2015

Surgirá?

Tenham cuidado, o meu supercérebro está surgindo, Veio das trevas e das alturas. Traz um grande saco de ilusões reais de fantasmas de carne o osso, de prendas para todos, todos vão ficar ricos e aprender a ciência de enriquecer para quando os menos ricos os empobreçam. Não passarão sede, nem fome, não terão problemas a resolver, passarão a ter só programas de televisão sem anúncios, sem telenovelas,  surgirão mais alguns santos à nossa volta. Sem que Cristo volte de novo à terra e os convença a dar tudo aos pobres, o que é impossível porque não pode existir um mundo sem pobres, mesmo que Cristo o queira porque antes o matarão de novo. E então os intelectuais lamentarão que isso aconteça porque então o mundo passará a ser uma grande chatice, sem problemas, sem sindicatos, sem alternativas, sem parlamentos, sem eleições, toda a gente feliz, cheia de saúde, o que representará uma nova chatice, sem inconvenientes, sem problemas o que seria da nossa vida, os templos e os hospitais estariam sempre vazios,  o desemprego subiria em flecha porque as bruxas, os adivinhadores, os espíritas, os oráculos e as pitonisas, os médicos, os enfermeiros,stc., perderiam toda a clientela. Não isso não pode acontecer, o mundo tem de continuar como está, imprevisível, inconstante, sujeito à meteorologia  e à diáfana subtileza das decisões dos governos, sujeito à porcaria dos livros que eu publico e ninguém lê. Já publiquei três, não sei o que fazer deles, ninguém os quer, mesmo oferecidos, pelo menos poderiam servir para alimentar as lareiras no próximo inverno, que é um destino digno, talvez mais digno que outro qualquer, o fogo pode  eliminar tudo, o que não presta.
Não tenham cuidado, o meu supercérebro ainda não surgiu..     
Pois eu, só me obrigo ao que nunca faço
Ao que sempre esqueço
A da vida ser madraço
E a dar aquilo que peço

Obrigatório

O senhor obrigatório, dantes muito se falava dele. Hoje continua a ser influente nos nossos costumes, hábitos, vícios Senão, vejamos algumas das obrigações, o que persiste de obrigatório na vida do cidadão comum, excluindo.se portanto os milionários, os pobres e os políticos:
       - Andarmos vestidos. Os políticos também, mas com gravata, com excepção daquele pândego da Grécia, que tem a obrigação de não a usar e ainda não nos explicou porquê. Eu, sem ser político,  não a uso e sei bem porquê: não gosto de nada à volta do pescoço, talvez que me ficou or algum atavismo proveniente de um antepassado, muito antepassado meu, que foi enforcado em Sevilha, rezam os arquivos da Torre do Tombo.
      - Só andar cá pela Terra depois de termos nascido. As excepções são desconhecidas, contrariando a regra. Os políticos por vezes parece que cá não nasceram
       - Alimentar-nos, bebendo líquidos.As excepções são para alguns malucos que acreditam nas dietas ou que pretendem ser grevistas da fome - quase sempre com uma ajudazinha alimentar à socapa. Os políticos são a excepção da excepção. Não se resignam a sempre comer e beber, mas do melhor.
      - Escrever depois de pensar. Exceptuam-se os que escrevem transcrevendo a "cassete", moda que parece ter nascido depois os 25 de abril.
       - Eliminar a merda. Obrigação também com algumas excepções e por vezes muitíssimo difícil, outras vezes altamente incómoda e inoportuna. Mas ninguém consegue fugir a tal obrigação, sujeita-se a consequências fatais. Os políticos esquecem-se, com frequência e sem consequências. Portanto entram na excepção à obrigação.. E lembrem-se, ninguém morre, mesmo os mais santos, sem alguma merda dentro. O que deverá contribuir para alguma simplicidade e modéstia.
        - Proteger o que foi e continua a ser-nos concedido grátis: a Terra, a atmosfera, os mares e os rios, a Vida. Obrigações esquecidas por muitos que esqueceram o que lhes foi dado. Os políticos esquecem porque não querem ou não conseguem legislar nesse sentido. Só excepcionalmente o fazem.
      Termino aqui. Comentário muito à vista muito longo, perde leitores.






 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Dinheiro

Sabem para que serve o dinheiro?
Dirão muitos que é  uma pergunta idiota, porque se calhar julgarão que toda a gente o sabe. Toda ou quase toda a gente sabe para que serve, em nosso proveito. .Algum  de vós pensará para que serve o dinheiro, em nosso prejuízo?
- As moedas podem furar os bolsos das calças.
- Se é muito, o dinheiro, não cabe no colchão
- Se é pouco, é muito comido pela inflação
- Se é muito gera inveja, tentação, cobiça, falsas amizades
- Se é pouco faz-nos passar fome, dormir debaixo da ponte, vasculhar os contentores
- Se é muito temos que o por num banco. E com frequência o perdemos todo.
- Se têm pouco, todos os governos de todo o mundo se preocupam: com o "deficit", com os corruptos, com a pobreza, com o desemprego.
 - Se têm muito, todos os governos de todo o mundo, deixam de se preocupar com o "deficit", com os corruptos com a pobreza, com o desemprego
E ninguém comente.
Porque há muito mais que muitos não querem ver, falar, conversar,

Lérias

Tanta conversa fiada
Tanta patacoada armada
Tanta tinta escorrida
Tanta retórica sofrida
Será que no teu país
Minha amiga que me lês
Também lá tens quem só escreve
Não com as mãos mas com os pés?
Deus escreve direito por linhas tortas
Parece-me que a Biblia assim reza
Para mim não há horas mortas
Em que escreva o que me desinteressa
Com um poucochito de humor
Vou oferecer-vos um exemplo
Para que apreciem o sem valor
Do às vezes oiço e contemplo:
Uma esfera, meus senhores, uma esfera
É um objecto redondo, liso,
Fora dela tudo existe
E por dentro, notem bem
Pode ser também de tudo
Feita de qualquer material
Que quem a fez num momento
Para ser um rolamento
Uma bola, um frasco de condimento
De suprema ou minúscula inspiração
Resolveu ser de madeira, de ferro,
De prata, titânio ou de outra coisa qualquer
Pesa muito ou pesa pouco
Quem leva com ela na cabeça
Fica surdo, tonto e mouco
Se quiserem que eu continue
Com este exemplo bacoco
Pouco a pouco vou ficar louco  
E estou farto. depois destas  lérias
Vou escrever coisas mais sérias

Fingimentos

Que coisa mais absurda
Dizer que uma coisa é de cor preta
Preta, negra, azeviche, carvão, sei lá que mais
Mas no liceu ensinavam-nos
Que o branco é a soma de todas as cores
E que o negro é ausência de cor
Então é uma cor ou não é?
Dizem: pintaram-me a parede de cor negra
Pintaram duma cor ou não?
Se é assim que falamos então
Quando digo que uma barra  é  de ferro
É de ferro ou não é?   
E se o ferro é preto, tem ausência de cor?
Mas isto que escrevi é ausência de verso
Será poesia se tem ausência de verso
Ou serão versos com ausência de poesia?
Pessoa teve razão: um poeta é um fingidor
Finge que escreve às vezes versos
Os versos que nem versos são




quarta-feira, 10 de junho de 2015

O mar não é inimigo

O mar não é inimigo dos barcos
Só é inimigo dos homens
Que vão nos barcos, a navegar
E que deitam lixo no mar
Mas os barcos não têm culpa
Do que os homens deitam no mar
A mulher, se deita algo no mar
Só deita cinzas ou flores,
Para sentir ou celebrar
O que quer recordar
Porque sabe que o mar
As poderá bem e sempre, guardar

Não sou celibatário

Um celibatário ´
Não é um salafrário
É um solitário
Que eu não invejo
Não sou celibatário
Há mais de sessenta e dois anos
E nunca me senti solitário
Nem penso que seja salafrário
E nessa condição de não celibatário
Nunca recebi salário
Nem me senti ordinário
Na minha outra condição
De não celibatário
Nem me senti perdulário
Dessa riqueza vária
Que tu me tens dado
Enchendo-me o coração

terça-feira, 9 de junho de 2015

Tenho curiosidade

Eu tenho curiosidade, mas não sou curioso, no vulgar sentido
Tenho essa coisa da curiosidade, esse sentimento estranho:
Porque nasci?
Porque nasci aqui?
Porque tenho de morrer?
Porque tenho de viver?
Porque tenho de escrever o que estou escrevendo?
E pensando o que estou pensando?
Mas se há tantas coisas ditas curiosas de que eu não sinto curiosidade
A quadratura do círculo, a fórmula do vinho, os mistérios do presidente
E outras universal e tontamente aceites como curiosas
Mas onde eu não encontro essa tal da curiosidade
Onde só encontro outros motivos que encontro naturais
Naturais e completamente, para mim, sem aquela tonta curiosidade
Como a bondade, a lealdade, o amor
Que deveriam ser normais e não objectos curiosos
Para muitos desprezíveis, sem valor nem préstimo, puras fantasias
Mas para mim, de valor imenso, gerador de tantas alegrias
E que eu encaro com a mesma devoção, sem curiosidade e com o amor
Com que encaro uma flor.

Foi sorte, foi azar?

Foi sorte, foi azar,
Mal querença, mau olhado
Ter nascido, ter cá aparecido
Nesta condição de animal
Bem diferente de todos os outros animais?
Nesta situação de me ver surgido
Numa família bem diferente
Das famílias de todos os outros animais?
Não fiz exigências
Não pus condições
Não reivindiquei aumento de ordenado
Nem férias em duplicado
Nem me explicaram porque
Não sou cobra, avestruz, macaco, leão
Ou simplesmente, mulher
E porquê aqui me deixaram
Com um cérebro esquisito
Que aceita, ao contrário do que aceitam os outros animais
Todas as maldades, todas as patifarias, todos os enganos
Com que se diverte, aplicando-as aos seus iguais
Ou a qualquer dos outros animais
Um dia, no futuro, é provável que apareça
Outro animal diferente de todos os que comigo estão na Terra
E que nos venha anunciar que traz o poder para salvar a Terra
E que fará?
Suspeito que ponha o homem no sítio donde veio
E, com o seu poder, devolva à Terra tudo o que o homem retirou dela

O meio termo de ti

Detesto o meio termo
As meias tintas, as meias águas, as meias lecas
(Nunca calço meias às pintas, nem sarapintadas(
O meio termo nada tem que ver com o termo do meio
Nem com o termómetro
Nem sequer com o metro, o metrónomo, o marca passo
São coisas diferentes, entre elas não se encontram diferenças nenhumas
Só encontra diferenças quem não tem diferenças nenhumas
Sem tardança nem petulância
E esta, no seu género, nada tem a ver com a melancia
Que num rasgo de génio roubaste na horta da esquina
E me ofereceste com um charuto
Quando reparaste que no meu carro ela não cabia
Porque quando um cretino como tu
Sabe de antemão, no meio termo, que eu não fumo
Nem tabaco, nem folhas de milho,  nem ópio, nem rapé
Sujeita-se a encontrar-me no meio termo e de pé
Entre as onze e as onze e um quarto
Nessa hora fatal em que tu, nessa noite, te assomaste à janela, meu amor
Nesse dia de glória, dessas alturas em que me precipitei nos teus olhos
Nessa noite passada entre o meio termo de ti e o termo do meio de mim

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pretensão

Tenho a pretensão de não me preocupara com as coisas desagradáveis
Mas se eu não tenho nem passo por coisas desagradáveis como me preocupo com elas?
Talvez porque as coisas desagradáveis nem sempre nos desgradam
Seguindo as lições de Einstein, as coisas desagradáveis também são relativas
E segundo Pitágoras, serão o quadrado das agradáveis?
E segundo Platão mais não são que pura retórica?
Nada é desagradável quando nos agrada, será sempre assim, perguntaria Nietzsch?
E para a menina que sacode um pano naquela varanda ?
Muitas vezes adiamos para depois o mais agradável
Libertando-nos primeiro do que não nos agrada
Roendo primeiro os ossos
Comprando primeiro o bilhete para o espectáculo
Engolindo primeiro o purgante
Cumprimentando primeiro aquele chato
Só porque é almirante 
Mas realmente só tenho a pretensão de não me preocupar com as coisas desagradáveis
Essa pretensão também é desagradável,
Se não pensasse nela não estaria agora a confessar-me
Mesmo não tendo do outro lado um padre
Que também pode ser um padre agradável
Há gemte para tudo.
Temos de confiar na raça humana

sábado, 6 de junho de 2015

O que perdi

A quantidade de palavras que eu ainda não disse, os passos que ainda não dei, os adeus que eu guardei, os petiscos que não comi, a sede que ainda não mitiguei nada de tudo isso tem a importância  dos beijos que não te dei.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A destruição em curso, da Terra

Para onde vamos, neste caminho? O que será da Terra, deste planeta que habitamos, se continuarmos a destrui-lo, a desfazer o equilíbrio dos seus elementos, a eliminar as condições de vida que nos vem oferecendo, geração a geração?
Todos os animais existentes na Terra parece que resultarem da evolução a partir dos primeiros seres unicelulares, provenientes ainda não se sabe donde ou como. Essa evolução, como a passada, resultará daqui a milhares ou milhões de anos, num ser superior, principalmente superior na mente e no espírito.
Neste caminho de destruição das condições da Terram que na actualidade o homem, muito menos a mulher, insistem em manter e aumentar, será que esse ser superior encontrará condições razoáveis de vida e terá meios para inverter essa insistência para a destruição que, neste caminho, será provável que esse ser superior depare?
E o dinheiro, a ganância a ele ligada, sim, são os principais motivos e incentivos para que continue essa destruição.do nosso planeta.
Sim, nosso, e não só deles.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Esse belo bicho, a mulher

A capacidade de sofrimento da raça humana, é notável. Aaim o tem sido desde o tempo das cavernas. O homem, muito menos a mulher, inventa coisas, artigos, objectos, para satisfação própria ou dos que lhes estão próximos. Tira partido do seu uso, de forma mais ou menos egoísta, prejudicando mais ou menos o seu semelhante, por vezes a si próprio ou aos que lhe são  ou deveriam ser queridos. È o caso de tantas máquinas inventadas com o único fim de matar, de eliminar ou submeter o seu semelhante, Desde as catapultas da idade média, até às câmaras de gaz dos campos de concentração nazis. Inventou as jaulas, as gaiolas, as prisões, a torturas variadas, a escravatura, inventou um ròr de coisas para submeter, explorar e torturar o seu semelhante. Inventou o dinheiro, o pior invento.
Creio que Deus começa a estar insatisfeito com este bicho homem, que fez e colocou cá neste planeta, diferente de todos os outros bichos a quem ofereceu os benefícios da natureza deste planeta.
Será que dentro de pouco tempo resolverá fazer outra experiência e decretar outra era glaciar?
Terá paciência para ainda suportar por muito tempo os desmandos, a insensatez, a ingratidão do bicho homem?
 Talvez ainda demore um pouco, aguardando que o bicho mulher,  resolva o problema.

terça-feira, 2 de junho de 2015

CONHEÇAM !

Conheçam, se entendem útil, a distribuição da riqueza no mundo.
Conheçam, se  quiserem, as razões do consumo de cocaína.
Conheçam se julgam válido  esse conhecimento, porque razão há tanta pobreza em todo o mundo.
Conheçam um pouco de tudo isso e atentem que sem o dinheiro, sem este sistema monetário que nos escraviza. tudo isso se reduziria.
E pelo menos, falem um pouco com os vossos amigos, desse mal.
Para o qual existe solução.
Que só talvez um por cento da população mundial pense que não lhe interessa abordar comentar, criticar e resolver.