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domingo, 18 de setembro de 2016

Folhetim - 16 -

                 O dicionário
       O dicionário é uma das melhores ferramentas para quem lê e para quem escreve.
       É um daqueles livros que nunca acabamos de ler. Tem poucos defeitos e muitas virtudes.. O defeito maior, para mim, é que pesa mais que um quilo, se é um bom dicionário. Tornando-se ddficil de consultar para os mais jovens ou para os mais idosos.A maior virtude é conceder-nos maior riqueza e precisão no que dizemos e no que falamos. 
       Os dicionários são mais antigos que a bíblia, parece que os primeiros apareceram na Mesopotânia, 2800 anos antes de Cristo.
       Leva tempo a adquirir o hábito de consultar o dicionário, muitos perderam esse hábito ou não o conservaram depois da juventude. Mas, pouco a pouco, quem gosta de ler e de escrever, vai usando-o com mais gosto e menor dificuldade. E ao mesmo tempo pode divertir-nos. Tenho quase o hábito, quando busco uma palavra no dicionário, de , no final da página onde encontrei essa palavra, reparar na palavra que aparece - e com frequência é uma palavra que desconheço, por vezes constitui uma surpresa interessante.
      O conhecimento básico de qualquer idioma anda por cerca de duas mil palavras. Na língua portuguesa, segundo consta, existem mais de noventa mil vocábulos diferentes. Se conhecermos metade, não será mau. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Folhetim - 15 -

         Jardins zoológicos

         Esses jardins, existentes em muitos países, onde os papás levam as crianças para que vejam muitos animais que não podem ou que ainda não viram em liberdade. Ali, nos zoos, até podem ver os animas mais parecidos com a mulher e com o homem: os macacos, os macacões e os gorilas. Sempre em jaulas pequenas ou grandes, ou em espaços limitados por fôsso ou outras limitações da liberdade.
         Quer os aquários quer os zoos mais não são que exemplos de limites à liberdade. E a esta, todos os animais têm direito.
       Um leão dentro duma jaula, um tubarão às voltas, sem parar,dentro dum aquário, até um rato dentro duma caixa, não vos confrange?
       E se ali pusessem...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Folhtim - 14 -

               O nada

     O que é o nada? Por vezes ouvimos dizer "ou tudo ou nada".
     Definamos o nada. É o que fica dentro dum frasco vazio? Bem, lá dentro poderá haver apenas ar, tiramos o ar , fica o vácuo e dizemos então que o frasco não tem nada. Mas o nada pode estar dentro de alguma coisa ? E por vezes ainda reforçamos dizendo que o frasco não tem nada de nada nadinha.  Assentemos ideias: para mim o nada é zero, está entre o infinitésimo negativo e o infinito negativo - se este existe -  ou entre o infinitésimo positivo - também bastante duvidoso- e o infinito positivo., que ninguém ainda definiu. Portanto dentro duma caixa não podemos colocar o nada, , cde lá sacá-lo quando nos apetecer. E sem ser com o recurso da matemática, vejamos o que dizem os distintos dicionários:  entre muitas definições que justificam a importância do nada, respigamos algumas das mais curiosas: "ausência quer absoluta quer relativa de ser ou de realidade" definição ilustre e filosófica, mas ficamos na mesma. E o resto? Se eu estou ausente quer dizer que nada há?. Outra: "Ausência de quantidade" - definição pouco rigorosa, concordarão. Quantidade de quê ? Do que lá fica? Ausência de vácuo ? Mas nesse cas o que é que fica lá? Ainda outra: " o "que se opõe ao ser". Mas o que vem a ser isto que o dicionário não explica , supõem os seus autores que foi escrito para gente inteligente. Mais uma " expressão de desacordo exemplo nada feito ". Caramba, afinal pode -se fazer nada!
      Ou não ?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

 
Ver a vida que me resta
Sempre que passa o presente
É como espreitar pela fresta
Do que a memória consente
...
Nunca busco felicidade
Entre os cardos e os espinhos
Resta-me sempre a saudade
Dos alguns passados caminhos
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



           
           

          Se caminho sem sentido
          Descuidando a oração
          Não dou o cuidado devido
          Aos clamores do coração 

        Folhetim - 13 -

                      O negativo
              Tudo o que é negativo incomoda, primeiro porque contem o não, segundo pela ausência de côr, depois porque é menos que zero, porque faz  esquecer o sim, porque é muito menos que talvez, porque a minha avó usava muito o não, porque ninguém sorri de gosto apanhando pela frente com um não, porque a negação está na alma do pessimismo, porque é uma arma da hipocrisia, da desculpa esfarrapada, porque é palavra, uma lança e uma bengala do avarento, porque negar um beijo é indiferença, um abraço é insensibilidade, um sorriso é petulância.  
             

        terça-feira, 13 de setembro de 2016

        Folhetim - 12 -

        Relógio, meia algema.
        Desde pequenino ensinaram-me a ver as horas no mostrador dos relógios.
        Nunca as consegui ver, vocês conseguiram? Como se poderá ver o que já passou, já voou, já desapa jreceu, já não regressará? Portanto o relógio, embora digam o contrário, é um objecto inútil. Oiço muitas pessoas dizer, felizes e aliviadas: hoje não ligo ao relógio. Temos cada mania...Um instrumento que não serve para nada, e que provoca um sacrifício, o sacrifício de trazer uma  meia algema agarrada ao pulso ! Uma das provas é que os relógios são cada dia mais baratos, alguns custam quase tanto como a pilha que têm lá dentro: encontram-se relógios à venda por cinco euros, pilha incluída, que não se atrasam nem se adiantam mais que um segundo em cada mês. Então para que servem os relógios? Para ver o tempo presente ou o futuro? Não. São, dizem, servem para nos informar o tempo presente. Como? Se quando olhas para o relógio esse momento já passou, isso é possível? Não, servem apenas para trazer meia algema no pulso, para verificarmos e controlarmos o instante que passou, o que não interessa absolutissimamente para nada, além de ser uma enorme mentira: porque o tempo que passou (até ao infinito) só Deus, na sua infinita sabedoria o sabe. Essa meia algema, quanto a mim, só serve para nos lembrar  que se deve lutar para que outra algema não nos tire a liberdade. Não serve, de forma alguma para conhecermos o tempo que irá passar, nem o tempo meteorológico, nem o tampo passado. Mais interessante seria termos um instrumento que nos desse o tempo do sono e o tempo dos sonhos. Há alguns milhares de anos os egíocios resolveram o problema com as pirâmides, ainda hoje com segredos inviolados, esse incluído.

        segunda-feira, 12 de setembro de 2016

        Folhetim - 11 - Coisas curiosas

              São curiosas estas coisas essas coisas que nos vêm à cabeça, desde a memória dos sonhos até às lembranças do bom que nos acontece.
             Não é que me preocupe ou que vos queira impingir pedaços da minha história vetusta..
             Mentiria dizer-vos que não quero ser rico disto ou daqueloutro.
             Quero ser rico nos meus futuros momentos presentes, que a este se seguirão. Quero ser rico, milionário, digo pentamilionário dos  beijos dos nossos filhos, dos abraços das nossos netos, dos abraços da minha esposa, de muitos momentos passados na risota e na galhofa, com amigos. Não para negócios ou reciclagem proveitosa ou metamorfoses de maravilha. Ao mesmo tempo por fora da saudade e por dentro da aventura, deixando que os sonhos me invadam. Pensem, se não vos for difícil, mas tentem começar a, irão constatar que é agradável, que a pouco e pouco aparecerão coisas engraçadas, boas surpresas, flashes suspensos da fantasia. E pensa no que a vida se transformaria se tudo estivesse resolvido. Ao acordares de manhã, encontrares-te lavado, barbeado, vestido ou lavada, maquilhada, perfumada, terias não fome, o problema do pequeno almoço resolvido, não perderias tempo no teu transporte,, verias resolvido o problema que te preocupava e o projecto em carteira, como seria chato assim  vivermos,  num mundo chato, plano, sem montanhas, sem vales , sem rochas, apenas plano, direitinho, imaculado, branco, sem rugas nem rumores, sem chuva e sem vento, sem gritos nem pregões matinais, sem os berros da vizinha ralhando com os filhos, sem a música dos pássaros e dos riachos brincando aos saltos sobre as pedras.

        domingo, 11 de setembro de 2016

        Folheirm - 10 -

        - Quem menos tempo perde a preocupar-se com os azares, tem mais tempo para gozar as surpresas do acaso.

        sexta-feira, 9 de setembro de 2016

        Folhetim - 9 -

                     A inveja que tèm os homens

        Num avião a jacto podemos percorrer, no espaço, quinze quilómetros num minuto, sentados e com todo o conforto. Num minnuto estrela-se um ovo , nos despimos ou nos vestimos, num minuto se faz uma caricatura ou damos cem passos seguros, num minuto se faz um verso, se cria um pensamento, uma frase que será citação, num minuto se pode matar, se pode morrer, num minuto pode-se fazer tanta coisa inútil ou se pode fazer algo de útil. Tudo isso pode fazer qualquer mulher ou qualquer homem. Porém não há forma de os homens perderem o ciúme e a inveja, reconhecendo e louvando o que as mulheres podem fazer em nove meses. Com a ajuda dos homens, ajuda que por vezes dura apenas um minuto.

        quinta-feira, 8 de setembro de 2016

        Saltos

        Não é porque dás um salto grande que chegas onde queres chegar

        quarta-feira, 7 de setembro de 2016


        Quase todos nós sofremos da "hipnose do condicionamento social". Quase todos somos escravos do passado e submetidos ao futuro. Coondições que nos fazem esquecer a muitos, o presente.

        Quando meditamos a nossa mente fica independente do tempo, o èxtase em que mergulhamos provoca-nos o desinteresse pelo passado, o desprezo pelo futuro. E só a nossa vontade nas faz sair da meditação do momento, sem tempo em que estamos mergulhados



        Folhetim - 8 -

        Também é coragem
        Ser capaz de distribuir o que dás, sem que ninguém o saiba.
        De enfrentar o medo como se enfrenta uma onda do mar.
        De voar à volta dos abutres.
        Já Montaigne dizia: " a cobardia é a mãe da crueldade".

        Não suporto
        Nada ter que fazer
        Não pensar em nada
        Ter uma moeda à frente de cada olho
        Essa sombra atrás de mim
        Que o meu voto seja igual ao daquele cretino
        Que o meu curso de agronomia agora não sirva para ajudar alguém
        Que as cochomilhas ataquem o meu ficus
        Ter uma filha, três netos e cinco bisnetos a 14000 quilómetros.

        Sossego
        O sossego é a consideração por si próprio

        terça-feira, 6 de setembro de 2016

        Folhetim - 7 -

        Um livro, como as mulheres, como os homens, situa-se sem quaisquer manifestações. Tem, na vida, destino variável. Repousa resignado, se o acaso do seu fado o colocou numa prateleira modesta, sem horizontes, num apartamento modesto de paredes, pavimento e tecto vulgares, duma família modesta, de espaço cultural limitado às circunstâncias da vida rotineira de gente desempregada da vida. Ou assume maior alegria, se o entregam a uma biblioteca dum palácio, duma repartição ou duma universidade. Tem virtudes ocultas, defeitos comprometedores, resistência ao tempo, olores variados, família de múltiplos gémeos. Não é rancoroso, vingativo, mal intencionado. Mas resiste mal às pragas.

        segunda-feira, 5 de setembro de 2016

        Folhetim - 6 -

        Novos impostos Parece, segundo o governo informa, que não surgirão novos impostos. Apresentamos uma sugestão para remediar essa falta de criatividade dos nossos governantes. Eis o imposto que poderá ser aplicado: o imposto sobre a palavra. Imposto que poderá ter como bases, para o seu código: - Cada palavra dita por qualquer cidadão pagará o imposto de um cêntimo de euro. - O imposto será liquidado mensalmente, na barraca mais próxima erigida para o efeito. - Todos os cidadãos deverão transportar no bolso o contador de dimensões semelhantes às de um pequeno telemóvel, fornecido pelas finanças, sem custos de aluguer. A sua perda implicará numa coima não inferior a mil euros e que duplicará por cada perda ulterior de contador. - Estão isentos as crianças menores de dois anos, os surdos, os mudos, todos os estrangeiros, após o regresso ao seu país de origem , e o senhor presidente da republica portuguesa. - As crianças maiores de noventa anos - Pagarão a dobrar os deputados, os membros do governo, os heterossexuais, as sogras.

        domingo, 4 de setembro de 2016

        Folhetim - 5 -

        5 - Uum galo muito certinho Um galo português que há cincoenta anos vivia em Luanda, ficou na história da cidade. Todos os dias do ano cantava às seis horas da manhã, orientado pelo seu relógio natural e infalível. Não seguia a regra de todos os seus colegas que ali sempre cantavam ao despontar do Sol. Um almirante que vivia na vizinhança, chefe máximo da marinha angolana, não respeitando nem apreciando os seus trinados matutinos, condenou-o à pena capital. Para o galo, coitado, acabaram-se-lhe os dias de vida. Aos galos não lhes ensinam, como a nós, humanos, que o dia começa a partir da meia noite, o que é mais uma daquelas tretas inventadas pelos homens. os quais, a meio da noite, no segundo imediato, começa o dia. Nem que o Sol, em Luanda e em toda a Terra, nasce todos os dias a horas diferentes.

        sábado, 3 de setembro de 2016

        Um anúncio

        Um amigo meu respondeu-me que não se julgava nem se sentia velho. E disse-me : olha eu até acabei de pòr um anúncio onde dizia: " alugo uma pessoa para conversar, de qualquer sexo e de mais de cinco anos de idade".

        sexta-feira, 2 de setembro de 2016

        Ser velhol

        Mas o que é ser velho ? Analisemos o que dizem os dicionárioa.? "Que tem muita idade": o que significa muita? mais que dois? mais que muitos? "Antiquado" : que já não está em uso, ? que é antigo? "Muito usado": outra vez o abuso do muito. Foi usado uma, duas vezes? Pois para mim, ser velho é não conseguir sorrir para uma cara bonita, ou rir àa bandeiras despregadas numa conversa com amigos.

        Folhetim - 4

        3 Ver Veneza Há quem vá a Veneza para ver Veneza. Há quem vá a Veneza e apenas veja águas sujas, águas fétidas, gente pouco educada, cagadelas de pombos onde põem os pés. Há quem vá a Veneza e se esqueça de almoçar.

        Folhetim - 4

        3 Ver Veneza Há quem vá a Veneza para ver Veneza. Há quem vá a Veneza e apenas veja águas sujas, águas fétidas, gente pouco educada, cagadelas de pombos onde põem os pés. Há quem vá a Veneza e se esqueça de almoçar.

        quinta-feira, 1 de setembro de 2016

        Folhetim - 3 -

        2 - Um instantâneo À minha esquerda a esposa dum tenente coronel reformado - franzina, vestindo com elegância discreta um saia-casaco cinzento,a face isenta de cuidados especiais de beleza, mãos finas e bem tratadas e um sorriso constante e franco no olhar - relatou-me alguns momentos da sua vida de casada e a rotina caseira actual, sem mulher a dias, o supermercado todos os dias, sem alternativas e a resignação discarçada pela placidez do marido, entregue a doença incurável que o remetia para tarefas repetidas de arrumar e desarrumar papeis antigos,de bancos,de facturas de água e do gaz, de publicidade. Era a imagem perfeita da resignação.