Um pouco sobre viagens
Mas quando é que uma viagem não é agradável, não nos proporciona prazeres inesperados, sensações quase esquecidas, encontros promissores? Seja de avião, de barco, de carro ou a pé.
Quando temos a mente aberta, sensível e recetiva ao que nos rodeia e não ofuscada pela inercia dos sentidos, qualquer caminho que percorremos nos traz sempre, sempre, acreditem, algo de novo.
Quando saio de casa, nos primeiros cem metros que percorro a pé - todos os dias quase os mesmos - , se emprego com intensidade, aplicação e interesse todos os meus sentidos, descubro sempre qualquer coisa, um som, um canto de pássaro, um adejar pressuroso duma gaivota, uma nuvem de forma estranha no céu, que nos espanta pela semelhança com uma realidade esquecida. E se regresso, percorrendo os mesmos cem metros, encontro sempre em qualquer coisa de novo - um amigo que não via há dezenas de anos, o cachorro novo da vizinha que eu não conhecia, o carro de propaganda do circo apregoando leões e palhaços a partir das dez da noite.
Experimentem. E verão que em cem metros encontramos todos os dias, coisas novas.
comentários, poemas, situações e circunstâncias da vida, escrtos e da autoria do que escreve neste blog
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
domingo, 12 de fevereiro de 2017
*
Revisão
A minha arca está ferrugenta. Necessita de reparações, pintura, alindamento demorado, afinação criteriosa. Terei de folhear o manual da caixa mentica que lhe comanda toda a espiritécnica (a electrotécnica está aqui, na arca, muito ultrapassada, (aquelas caixas mágicas do século XX são peças de museu, nem nos brinquedos as uso ) e todos os seus movimentos de transporte para todas as alturas da minha imaginação, Tenho de redobrar os cuidados com a velocidade de cruzeiro que na última vigem foi exagerada ao pretender chegar um pouco antes de pensarmos na viagem e não um pouco depois. A reparação, a revisão necessária não será complicada, não necessito de mudar de óleos, de partilhas novas nos travões, a pintura está bem, bastou limpar algum pó e algumas manchas provocadas pelo suor oriundo da pressa e ansia de chegada.
Porque, na arca, os óleos que eu uso são os desejos, os travões são os sonhos, a pintura é a saudade que não se apaga.
Revisão
A minha arca está ferrugenta. Necessita de reparações, pintura, alindamento demorado, afinação criteriosa. Terei de folhear o manual da caixa mentica que lhe comanda toda a espiritécnica (a electrotécnica está aqui, na arca, muito ultrapassada, (aquelas caixas mágicas do século XX são peças de museu, nem nos brinquedos as uso ) e todos os seus movimentos de transporte para todas as alturas da minha imaginação, Tenho de redobrar os cuidados com a velocidade de cruzeiro que na última vigem foi exagerada ao pretender chegar um pouco antes de pensarmos na viagem e não um pouco depois. A reparação, a revisão necessária não será complicada, não necessito de mudar de óleos, de partilhas novas nos travões, a pintura está bem, bastou limpar algum pó e algumas manchas provocadas pelo suor oriundo da pressa e ansia de chegada.
Porque, na arca, os óleos que eu uso são os desejos, os travões são os sonhos, a pintura é a saudade que não se apaga.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
*
Como não errar.
Estou lendo um livro com este título. Leitura interessante.
O autor relata inúmeras anedotas ligadas à matemática e à geometria, discutindo conceitos, analisando estatísticas, especulando sobre diversos teoremas. Pelo que o título do livro me parece bem aplicado.
Mas, discorrendo e relatando factos, circunstâncias e condições da vida de todos nós, penso que não seja aceitável que seja possível engendrar norma de vida que nos conduza ao não errar. Neste momento não erro, porque imobilizei nesse momento todas as minhas faculdades Porem a vida não é inacção, inercia ou ócio permanente .
Errando, aprendemos muito desde o momento em que nascemos. E muitas descobertas proveitosas para a humanidade se devem a erros fortuitos.
Como não errar.
Estou lendo um livro com este título. Leitura interessante.
O autor relata inúmeras anedotas ligadas à matemática e à geometria, discutindo conceitos, analisando estatísticas, especulando sobre diversos teoremas. Pelo que o título do livro me parece bem aplicado.
Mas, discorrendo e relatando factos, circunstâncias e condições da vida de todos nós, penso que não seja aceitável que seja possível engendrar norma de vida que nos conduza ao não errar. Neste momento não erro, porque imobilizei nesse momento todas as minhas faculdades Porem a vida não é inacção, inercia ou ócio permanente .
Errando, aprendemos muito desde o momento em que nascemos. E muitas descobertas proveitosas para a humanidade se devem a erros fortuitos.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Agradeço que me respondam
Segundo a teoria do Big Bang, ", o Universo nasceu a partir da expansão de um ponto muito quente e denso há quase catorze mil milhões de anos" reza um artigo do Observador, publicado hoje, 9 de Fevereiro de 2017. Curiosa esta teoria, pródiga em imprecisões - "um ponto"- que aprendemos na geometria, não ter dimensão. " Há quase catorze mil milhões de anos". Quase, mais mil ou menos mil milhões de anos...
.Mas a maior imprecisão parece-nos ser a pergunta: onde estava esse ponto ? Noutro Universo?
Segundo a teoria do Big Bang, ", o Universo nasceu a partir da expansão de um ponto muito quente e denso há quase catorze mil milhões de anos" reza um artigo do Observador, publicado hoje, 9 de Fevereiro de 2017. Curiosa esta teoria, pródiga em imprecisões - "um ponto"- que aprendemos na geometria, não ter dimensão. " Há quase catorze mil milhões de anos". Quase, mais mil ou menos mil milhões de anos...
.Mas a maior imprecisão parece-nos ser a pergunta: onde estava esse ponto ? Noutro Universo?
Si vis pacem para bellum
*
"Si vis pacem para bellum" - de Publius Flavius Renatus
A visão normal deste aforismo é muito conhecida. È a visão bélica, a prudência, a previsão dos cuidados pela paz - se queres a paz, prepara-te e previne-te para a guerra .
Todavia há outras visões sobre esse proverbio.
Há a visão psicológica: quero revestir-me dum manto protector de cultura e de ciência, e noutros domínios, para que não me rebaixem, me amesquinhem revelando a minha ignorância,
Há a visão espiritual: como apreciando o bem, poderei inclinar-me a pensar apenas no mal?
E ainda podemos pensar numa visão física, salutar: se pretendemos saúde só nos preocuparmos com as doença e com as dores que não sofremos. E portanto incidir o tema dos nossos pensamentos, das nossas conversas sobre as doenças que poderemos sofrer, sobre as dores que, se calhar, poderão atingir-nos mais dia menos dia.
"Si vis pacem para bellum" - de Publius Flavius Renatus
A visão normal deste aforismo é muito conhecida. È a visão bélica, a prudência, a previsão dos cuidados pela paz - se queres a paz, prepara-te e previne-te para a guerra .
Todavia há outras visões sobre esse proverbio.
Há a visão psicológica: quero revestir-me dum manto protector de cultura e de ciência, e noutros domínios, para que não me rebaixem, me amesquinhem revelando a minha ignorância,
Há a visão espiritual: como apreciando o bem, poderei inclinar-me a pensar apenas no mal?
E ainda podemos pensar numa visão física, salutar: se pretendemos saúde só nos preocuparmos com as doença e com as dores que não sofremos. E portanto incidir o tema dos nossos pensamentos, das nossas conversas sobre as doenças que poderemos sofrer, sobre as dores que, se calhar, poderão atingir-nos mais dia menos dia.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
*
Sossego, sem pensar em ameijoas, coquilhas ou mexilhões
Estou em sossego, procurando ordenar, organizar o meu dia. Aquele indivíduo que ontem me procurou, o Amândio Cristina, propôs-me um negócio de bivalves a do Chile, em particular uma espécie que não existe aqui no Algarve, e da qual apenas cá se encontram, nas praias, as conchas, com diâmetros até oito ou mais centímetros. Das ameijoas existem nesse pais diversas variedades e as coquilhas de lá têm uma dimensão do dobro das de cá.
Portanto eis-me contrariado, ao ser tentado por um negócio. Talvez porque não me embrenhei nalgum quando era jovem, talvez porque um amigo meu dizia com frequência que nunca se metera num negócio porque, nessa actividade, havia sempre um que era enganado. Ou talvez ainda porque aa dificuldades da vida nunca haviam sido suficientes para que me embrenhasse nalgum como último recurso de sobrevivência - arranjar um burro para vender pirolitos de porta a porta, ou impingir peúgas com defeitos de fabrico.
Não, não me vou meter na importação de bivalves. Prefiro, em sossego, escrever.
Sossego, sem pensar em ameijoas, coquilhas ou mexilhões
Estou em sossego, procurando ordenar, organizar o meu dia. Aquele indivíduo que ontem me procurou, o Amândio Cristina, propôs-me um negócio de bivalves a do Chile, em particular uma espécie que não existe aqui no Algarve, e da qual apenas cá se encontram, nas praias, as conchas, com diâmetros até oito ou mais centímetros. Das ameijoas existem nesse pais diversas variedades e as coquilhas de lá têm uma dimensão do dobro das de cá.
Portanto eis-me contrariado, ao ser tentado por um negócio. Talvez porque não me embrenhei nalgum quando era jovem, talvez porque um amigo meu dizia com frequência que nunca se metera num negócio porque, nessa actividade, havia sempre um que era enganado. Ou talvez ainda porque aa dificuldades da vida nunca haviam sido suficientes para que me embrenhasse nalgum como último recurso de sobrevivência - arranjar um burro para vender pirolitos de porta a porta, ou impingir peúgas com defeitos de fabrico.
Não, não me vou meter na importação de bivalves. Prefiro, em sossego, escrever.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
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Ficam
Bem para traz, lá bem para traz do tempo ficam-nos desejos, ilusões, desenganos, desfeitas e desditas. Não me deixo cair na tentação de querer voltar para o passado em busca de repetições do agradável e do efémero desses feriados da vida que são as alegrias, menos ainda dessa contumácia viciosa em que nos momentos triste, me sinto envolvido.
E como ficam nessa caixa multicolor, inconstante, variável que é o tempo, envolvo-a muito bem envolvidinha com papel muilticolor, ato-a com firmeza usando cordeis dos antigos, de sizal, e coloco-a na prateleira do passado, onde sei que não se perde nem se esquece.
Ficam
Bem para traz, lá bem para traz do tempo ficam-nos desejos, ilusões, desenganos, desfeitas e desditas. Não me deixo cair na tentação de querer voltar para o passado em busca de repetições do agradável e do efémero desses feriados da vida que são as alegrias, menos ainda dessa contumácia viciosa em que nos momentos triste, me sinto envolvido.
E como ficam nessa caixa multicolor, inconstante, variável que é o tempo, envolvo-a muito bem envolvidinha com papel muilticolor, ato-a com firmeza usando cordeis dos antigos, de sizal, e coloco-a na prateleira do passado, onde sei que não se perde nem se esquece.
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