Número total de visualizações de páginas

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Foi estranho, muito estranho !

          Estou adquirindo o hábito, que me parece muito bom, de todos os dias meditar um pouco, ajudado pela chama duma vela que arde lentamente à minha frente. Quase sempre me surge alguma ideia para o blog do dia, uma recordação mais completa dum momento do meu passado.
          Mas hoje foi estranho o que me apareceu. Bem nitidamente, sentindo bem todo o ambiente à minha volta, vi-me a conduzir um táxi  pelas ruas duma pequena cidade americana. Transportava uma senhora de idade incerta, difícil de avaliar, de feições vulgares, loura, com um pequeno chapéu preto e vestido simples, acastanhado, liso e sem colar nem anéis nos dedos o que reparei quando, olhando pelo espelho retrovisor, a vi compondo o penteado com os dedos das duas mãos. Entrei no estacionamento do pequeno aeroporto da cidade, saí do carro e tirei a mala  da senhora que entretanto saía do táxi,  abria a carteira e me entregava uma nota de dólares, não vi qual o valor da nota, só sei que a senhora me pediu, numa voz desconhecida, para que eu lhe levasse a mala para dentro do aeroporto - e quando levava a mala lá para dentro, de repente vi de novo a vela da meditação a bruxulear diante de mim.
           O que mais me impressionou foi o realismo da situação, a condução normal e segura do táxi, e mais que tudo a sensação do "deja vu" quando conduzia, aliada ao pensamento de que iria voltar para casa e satisfazer a fome que sentia.  

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O futuro da humanidade

                Sempre que lemos histórias sobre o futuro ou  vemos filmes desse género, as mulheres e os  homens que aparecem nelas são como os que vemos no nosso tempo passeando ou passando pelas ruas e pelas praias  : com cabeça, tronco e membros, como aprendemos na escola. Só com uma cabeça, uma boca  um nariz, dois braços, duas pernas, etc..O ET pouco diferente de nós se apresentou nos "ecrans". A grande diferença que vimos entre ele e os mortais da Terra naquele tempo,  e naquele  produto da fantasia e da criatividade de Spielberg, foi o dos poderes mentais : poder de curar e outros, mais ou menos assombrosos, de que não dispúnhamos  naqueles dias e de que ainda não dispomos. Uma história, de verdade fantasiosa, dentro dos nossos desejos mais recônditos e ambicionados, por isso de tanto êxito.
               Quase todos os humanos gostariam de voar, daí que inventaram o super-homem. Quase todos os humanos gostariam de ser milionários, daí que surgiram os Aladinos. Quase todos os homens gostariam de ser amados pelas mais belas mulheres, daí que surgiram as histórias dos Casanovas e dos D.Juan, mesmo que feios, velhos ou barrigudos. Histórias que mesmo mal contadas, tiveram sempre grande sucesso.
                Mas porque é que esses seres dessas histórias fantásticas, hão de ter dois braços, olhos, pernas ? Braços e pernas poderão não ser necessários se o espírito tiver os seus poderes : para que servirão se pelo espírito se puder fazer tudo o que requer força física ?. Olhos serão inúteis se a mente tudo puder ver. Viajar, desta mesma forma de agora, uma inutilidade : para quê ir, se eu poderei estar lá quando e sempre que quero, através dos poderes que a mente me confere ? Etc..
                Ficamos pois com os poderes da mente, o corpo cada vez terá menor importância, as histórias fantasiosas existirão,decorrerão noutra dimensão, para lá do espírito. Primeiro mostrando e demonstrando aos mortais menos avançados, o que se passa com outros seres desconhecidos, seres que nada farão lembrar a mulher e o homem dos nossos tempos. Seres que representarão um dos estágios futuros da evolução do homem.
                Presentemente ainda não passámos do homo sapiens., assim nos classificaram nos tempos presentes e assim nos classificarão dentro de alguns milhões de anos os futuros homo spiritus, depois de passarem por duas ou mais classificações os humanos que foram atrofiando e perdendo parte dos seus corpos físicos - por cada vez menos necessitarem dessas partes do corpo. Nesta evolução e progressão geométrica das invenções, da adaptação ao ambiente, da diminuição progressiva da necessidade dos sentidos, dar-se-á  a atrofia progressiva de todos eles. Que passarão estar localizados e subordinados mais e mais aos poderes da mente. E os órgãos do corpo tornar-se-ão novos apêndices, a extirpar sem consequências.    
        

sábado, 26 de junho de 2010

Parênteses

               Um parêntese, como todos sabem e eu fui recordar ao dicionário, é uma frase que se intercala no meio dum período ou dum parágrafo, com um sentido diferente. Ou é apenas o sinal que se emprega para separar essa frase.      
               Na vida também temos parênteses. Para uns, sair para fora da rotina e pouco depois, sentir-se  de novo a ela obrigados. Para outros, fugir da realidade e penetrar uma vez mais na fantasia.. Talvez para poucos, dominar o espírito e por momentos, conseguir sonhar.
               Mas o que sempre foi um mistério para mim é aquele parêntese que se vê muito mencionado do "estar entre a vida e a morte",  parece-me que impropriamente usado para indicar que um indivíduo pode deixar de viver pouco tempo depois ou poderá morrer de súbito.
                Parece fácil de explicar . Se pensarem um pouco verão que não é fácil.

Por isso,dá-me um grande abraço

            Para além dos sentidos que o corpo me concede
            Depois de sentir tudo o que sinto fora do meu corpo
            Ficam algumas coisas muito estranhas
            Criando nuvens e ilusões no meu pensamento
            Que mais não são que breves interrogações
            Sobre o que eu vou vivendo no futuro e no presente

            Uma delas, talvez a mais estranha
            Tal vez a incógnita desta vida na sua equação
            Que surge implacável, bem firme e persistente
            Sem dar tréguas à esperança ou à saudade
            Roubando todo o valor às críticas e aos louvores
            Passando ao lado de qualquer publicidade

            Será por fim algum dia conhecer
            A razão de aqui estar,de tudo o que acontece
            De uns dias acordar feliz por acordar
            De uns dias levantar-me cheio de alegria
            E noutros, pelo meio das tarefas que me ocupam,
            Mais não pensar que voltar a adormecer

            Por isso, dá-me um grande abraço.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O senhor zero

             O zero é zero, nada, menos que pequeno, ainda menos que nada - na aparência. Apesar de todos os defeitos, o zero é redondo, ninguém pode dizer que é quadrado, o que já é uma boa qualidade, nem que é cilíndrico, sem tendências para o obeso, sem fazer dietas, nem sofrer  preocupações ou torturas. Tem carácter, é original, significativo, impõe respeito quando se apresenta, nada significa na sombra da esquerda, amplia tudo quando vai para a direita. Se fica por cima é uma ilusão, por baixo é quase uma tentação. Reproduz-.se com facilidade, não tendo um ADN muito complicado.Além do muito que há de secreto sobre ele - o que faz quando não aparece, para onde vai quando desaparece, algumas intenções desconhecidas quando está oculto, etc., e neste et cetera, reside muito do seu encanto secreto. É redondo, mas cheio de forte personalidade, não tem a chateza nem as obrigações duma circunferência, não se submete a um centro. Está cheio de nada e rico de muita coisa.Para onde vai, perturba ; quando sai,  causa tormentos ; quando fica dá alegrias. Reproduz-se com facilidade, na China não lhe condicionam a reprodução, na Índia, idem..
               Só por cá, em Portugal, é tratado doutra forma, com desprezo..  

Versos originais

Farto-me de pensar no mesmo quando não penso
Olho para tudo quando nada vejo
Tenho pretensões de lá chegar aqui ficando
E ficar preso, soltando-me do meu desejo
Escrevendo com uma caneta daquelas antigas,
Uma pena duma pomba aguçada numa ponta
E usando como tinta um pouco do meu sangue
Que eu tirei duma borbulha das muitas que tenho em conta
Coçando, coçando, até chegar o ardor   .
Provocado pela unha aguda, do dedo indicador.
E tudo isto pela usual e velha pretensão
De escrever alguns versos originais
Que só serão originais na condição
De saírem bem de dentro do coração

Duas pedras

           Nunca passo duas vezes pelo mesmo pensamento
           Há sempre qualquer pequena diferença
           A mesma que existe entre duas pedras da calçada
           Ou entre estas duas brancas e polidas pelo mar
           Que vieram parar aqui à minha frente, imperturbáveis.
           Encontrei-as juntas passeando pela praia,
           As ondas vinham morrer em cima delas
            Rolando-as a polindo-as um pouco mais
            Batiam uma contra a outra e cantavam
            Uma canção que se unia à canção do mar
            Apanhei-as num intervalo sem ondas
            Trouxe-as no bolso direito das calças
             Parece-me que ficaram quentes e incomodadas
             Pelo cheiro do dinheiro que saía das moedas
             Tão diferente do cheiro do mar e da maresia.
             Mas quando repararam onde as pousei
             Num sítio que escolhi, não em qualquer lado,
             Ficaram quietas e suspiraram de brilho e de alívio
             Por eu não as ter metido e condenado
             Por muitos anos, p'ra dentro dum betão armado.