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quinta-feira, 24 de junho de 2010

O senhor zero

             O zero é zero, nada, menos que pequeno, ainda menos que nada - na aparência. Apesar de todos os defeitos, o zero é redondo, ninguém pode dizer que é quadrado, o que já é uma boa qualidade, nem que é cilíndrico, sem tendências para o obeso, sem fazer dietas, nem sofrer  preocupações ou torturas. Tem carácter, é original, significativo, impõe respeito quando se apresenta, nada significa na sombra da esquerda, amplia tudo quando vai para a direita. Se fica por cima é uma ilusão, por baixo é quase uma tentação. Reproduz-.se com facilidade, não tendo um ADN muito complicado.Além do muito que há de secreto sobre ele - o que faz quando não aparece, para onde vai quando desaparece, algumas intenções desconhecidas quando está oculto, etc., e neste et cetera, reside muito do seu encanto secreto. É redondo, mas cheio de forte personalidade, não tem a chateza nem as obrigações duma circunferência, não se submete a um centro. Está cheio de nada e rico de muita coisa.Para onde vai, perturba ; quando sai,  causa tormentos ; quando fica dá alegrias. Reproduz-se com facilidade, na China não lhe condicionam a reprodução, na Índia, idem..
               Só por cá, em Portugal, é tratado doutra forma, com desprezo..  

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