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segunda-feira, 14 de março de 2016

E continuo a gostar

              Dentro do meu destino aqui continuo.
Com prazer
Com ilusão
Com um sorriso para ti,  outro para a vida, outro para quem passa ao meu lado
Direito ou esquerdo
Para o soprão, em francês "souffle", que a minha adorada me serve já ao almoço
Soprão é uma palavra que eu inventei para dizer "soufle" em português
Eu também tenho direito a inventar palavras
Se uns certos senhores que não são do povo têm o desplante de modificar as palavras portuguesas
Sem consultar o povo português
Modificando a seu belo prazer
Palavras que nos legaram os gregos e os latinos
E que o povo português adoptou
Sem consultar a senhora do segundo direito
Nem sequer a do quinto esquerdo
E continuo sorrindo para o soprão que já está na mesa

sábado, 12 de março de 2016

Gosto de estar aqui

Não me tirem daqui, senhores.
Não me tire daqui senhor nosso Criador.
Porque estou bem, bem me sinto.
O que não justifica que deixe de agradecer-lhe conservar-me  aqui estes anos que aqui tenho passado.
 Dizem, continuam a ensinar na escolas, que um ano é um espaço de tempo. Espaço ainda entendo o que seja, ensinaram-me que  é a área que ocupo, digo antes que é o volume do meu corpo ou de qualquer outra coisa, que confusão, ajudem-me nesta definição, eu sei qual o espaço que ocupo, qual o espaço que ocupas ou que ele ocupa que não há uma unidade definida, tanto posso dizer que eu ocupo um metro cúbico ou que ocupo um metro quadrado, no entanto é mais difícil dizer que ocupo um metro, a não ser aquele comboio que anda debaixo da terra e ali ocupa uma data de espaço.
Estão vendo porque eu gosto de aqui continuar?

sexta-feira, 11 de março de 2016

Há um ror de tempo - tempo perdido

Mas tem sido tempo perdido, esse ror de tempo ?
O que é isso de tempo perdido? Mas o que isso do tempo? Salvo a honrosa e genial definição de Einsten, o Albert,  definição que eu e os outros cinco ou seis biliões de terráqueos não entenderam (exceptua-se aquela minha bisneta a Margarida, que aos seus dez anos feitos há poucos dias, já compreendeu tudo)  mas que sim senhor , não tenham dúvidas, é muito fácil de entender essa coisa do tempo, depois de entender as leis da relatividade, o sexo dos anjos, a circulatura do quadrado e a maneira de pendurar as calcinhas na varanda de forma que não possam ser violadas por algum gaivotão. Aliás, é a opinião douta daquela senhora do terceiro esquerdo à minha frente.
Portanto, se o tempo coisa é mal definida, não se pode perder. Um escritor bem conhecido, Marcel Proust, entreteve-se durante sete romances a buscar o seu tempo perdido. Todavia, apesar de muito esforçado, de muito aplicado,  não o encontrou e penso que ainda o continua procurando lá para onde foi há mais de cem anos. E fez história na mente de quem teve a paciência, como eu, de ler os sete  tomos numa péssima tradução, inculto como sou, incapaz de os ler na língua do Marcel.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Há um ror de tempo

Há um ror tempo que ando à procura de coisas mais esquisitas que a vida, que esta vidinha que não sabemos donde veio, com que intenção aqui apareceu, para que veio e porque veio. O esquisito, como dizem os espanhóis, é o que é especial, que se destaca pela diferença favorável, que sobressai de dentro da vulgaridade, que é apreciado porque sai fora da rotina, do lugar comum, do sítio onde vão todos, do prato do dia, dos problemas fáceis. Mas uma, entre muitas das conclusões a que chego, é que nos puseram aqui como o relojoeiro tem que pôr a roda dentada que falta no relógio, para que este trabalhe. Será esta a triste nossa condição? Não creio. Mas, como os governantes que impantes de sabedoria dizem sempre que têm outra alternativa, eu penso que o nosso Criador não necessita de alternativas sábias, ele que representa e tem a caixa de toda a sabedoria cheia de alternativas muito para além do entendimento.
Não entendemos porque aqui estamos partilhando o espaço, o ar, o mar, a lua e o Sol com todas as outras espécies, com o cão, com o gato, com o leão, com o elefante, com a cobra e com muitas outras espécies que ainda desconhecemos. Os cientistas e os investigadores explicam-nos a evolução das espécies, os segredos anatómicos dos corpos, a razão das virtudes e dos defeitos. Estudam, avaliam e catalogam as reacções de diferentes animais a estímulos. Mas nenhum ainda descobriu o que vai na mente de cada um dos diferentes de nós, sobre este mundo em que nos pespegaram, a nós e a eles.
De pois continuarei, Amanhã, se ele quizer.

A vida é fácil se...

A vida nunca é difícil para os que têm. Para o que tem saúde, saldo positivo no banco, frigorífico cheio, carro à porta, um marido exemplar, uma esposa amiga, uma família carinhosa, uma mente sã. E para conseguir tudo isso, basta ter dinheiro suficiente, ter herdado um bom pecúlio, sair-lhe a sorte grande. Sempre o maldito, nefando, maquiavélico dinheiro. Maldito porque, desde que existe tem causado grandes males, nefando porque sempre atinge os mais pobres, maquiavélico porque dele se servem muitos para causar males infindos.
 Porque não se discute? Porque ninguém quer ou não se atreve a discuti-lo a coloca-lo na sua condição verdadeira, a condição de diabo infernal?
Será que este século será o século da redenção e da rendição do dinheiro a outro valor mais alto, a outro sistema mais humano,  que se imponha ?

domingo, 6 de março de 2016

É fácil...é dificil

É fácil acomodar-nos dentro do nosso sobretudo sobre uma camisola de lã, o termómetro da sala nos vinte e dois graus, um pratinho ao lado com o petisco e segurando o copo com o tinto escolhido.
É fácil esquecer o que refere com profusão a escritora Svetlana Aleksievitch, no seu livro "O fim do homem soviético". É fácil, quando o comodismo em que vivemos empalidece, esquece e borra completamente todos os horrores que o homem em feito sofrer muitos homens do seu país, todas as torturas que tem permitido e provocado sob a capa da legitimidade política ou da ditadura obtida pelo populismo oportuno, por sufrágios falsificados, pelo ilusório,  cínico e hipócrito amor pátrio. e
É muito diferente e difícil, suportarmos vinte graus negativos, na rua, sem abrigo, tendo por camisa e calças apenas umas folhas de jornal e ao lado os cadáveres da família assassinada. 

sábado, 5 de março de 2016

De desejos

Um tema interessante, penso eu, para um livro, seria a análise dos meus desejos. Não dos teus, dos dele ou dos dela, ou dos dum personagem criado e imaginado. Não, Apenas os dos meus. Julgo que será mais que uma revelação, mais que uma confissão, será talvez uma das melhores provas de isenção, de honestidade, de modéstia. De isenção por  revelar aquilo que  evito comunicar pelos comprometimentos que poderá envolver. De honestidade por não esquecer o que sempre estou colocando atrás do biombo da vergonha. De modéstia por usar todos os   nagalhos que me for possível para atar e por ao fumeiro todas as vaidades,  digerindo-as sem contemplações.