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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A minha bela patroa: a minha casa

   O empregado doméstico limpou com esmero os copos recém lavados, esfregou algumas manchas que teimavam em conspurcar a bancada, limpou o ralo do lava-loiças, ainda se recordava da fortuna que pagara àquele especialista para eliminara a rolha que impedia vazar a água dali e o desequilíbrio  que essa operação  provocara no seu orçamento mensal. Entretinha o espírito com as preocupações relativas às vagas nas prateleiras da dispensa e ao projecto das limpezas semanais,ainda mal cumprido. A casa fora projectada para o casal e os quatro filhos, em idades de quartos separados, empregada doméstica, escritório e abrigo para a viatura numa época em que as receitas financeiras da família eram largamente superiores às despesas. Porém, como disse o nosso avisado poeta, "atrás dos tempos, tempos vêm": os filhos saíram do ninho, as receitas passaram a ser magras, os impostos aumentaram, os negócios diminuíram, a empregada doméstica, coitada, despediu-se por doença, não foi substituída, outra seria um encargo difícil de suportar.  E  os donos da casa passaram à condição de empregados desta. 
Ninguém se rebaixa ou perde estatuto por trabalhar, em particular por trabalhar na sua casa, por contribuir para a limpeza do seu ambiente familiar, por conservar o património em boas condições de segurança e salubridade,ao mesmo tempo que ainda dispõe de espaço temporal durante o dia, para se  dedicar a outras artes mais especializadas tais como ler, escrever, conversar e pensar. Estas não são mencionadas no orçamento pois que, em números não é possível contabiliza-las. Mas é uma grande riqueza possui-las e conserva-las-

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