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sábado, 4 de novembro de 2017

*    Vendaval antes da bonança
      Hoje embrenhei-me no passado, senti o refluxo da vida invadir   todas as fibras do meu ser. Embalado pela tristeza, sacudi os grilhões da saudade, virei as costas á esperança, perdi a rota da  fantasia. Sem inspiração que me engalanasse os desejos já sentidos, torturei-me na análise do meu sangue, senti o pó dos meus ossos ocupar  o lugar dos pensamentos. Uma verborreia macabra e falaz,  invadiu, recheada de elação, e arrogância, o domínio doutras vidas passadas. A tortura da dúvida confundia-me o juîzo, o matagal das recordações sujeitava-me passo a passo, impedindo-me de avançar para a luz, cada liana que corto transformava-se num elo de aço, de cada ramo que desvio surgiam sanguessugas que se prendiam ao meu corpo, como lapas numa rocha.
     Porém, passando ao meu lado, uma criança deu-me um sorriso.

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