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sábado, 1 de abril de 2017

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      E passados alguns meses de verão dos mais tórridos, compreendera pela primeira vez o que era uma verão tórrido, um calor tórrido, quando pegara numa fatia de pão torrado na saida da torrradeira, num setembro seguinte a um <agosto azul>entrara para o liceu, não a escola fundada por Aristoteles em Atenas, mas a escola onde se ingressava em Portimão e onde se continuava a estudar, era o que diziam os mais grandes da familia e também alguns dos mais grandes que não eram da família. Para ali entrar, fizera um exame, uma prova escrita com as perguntas muito bem feitinhas, com letra grande como a letra da cartilha maternal, num papel  parente dum cartão, mais branco que o cavalo Palhaço, mais brilhante e mais lisa que as pedras brancas da calçada da rua de Santa Isabel. Respondeu a todas as perguntas, que lhe fizeram pensar na altura o que é que teria com isso o senhor que tinha escrito as perguntas, para que é que queria que eu fizesse aquelas contas e com  isso ia-me distraindo e já tinha gasto quase todo o tempo para fazer a prova, que era de uma hora, como disse aquele senhor que estava na sala do exame sempre a olhar para nós os que escreviamos na folha de papel parente do cartão, lisa e branca, com o mesmo olhar desconfiado que tinha a professora dona Olga quando nos ditava o que lhe apetecia ordenar que a gente escrevesse - pensava ele.

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