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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Estou e não estou

Vou e não espero
Fico e aguardo
Aprendo não vejo
Deslumbro-me não quero,
Vibro, não compro.

Se vou caminhando
Sem pensar no físico
Nestas águas mornas
Sem sofrer desgosto
Desta vaga solidão

Sinto um forte anseio
Um maior desejo
Por escrever uma carta
Penso na hora
Em que me esqueceste


Volto atrás no tempo,
Vou e volto,
Dou reviravoltas
E saltos dentro de mim
Não sentindo nunca.

Ou são idas ou vindas
Ando, não vou.
Sem vergonha penso,
Critico agora
Com todo o vigor.

E fico de fora
Depois de saíres
Se leio essa frase
Que tu me enviaste
Em carte fechada.

"Ridícula, como as outras"
Disse-o o maior poeta
Ao dar comigo sentado
Num café de Lisboa
E ler uma quadra original
Que acabou de escrever:

"Há luz do tojo e no brejo
Luz no ar e no chão
Há luz em tudo o que vejo
Não no meu coração" *

* de Fernando Pessoa

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