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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Folhetim - Sonho de sorte - 20

        Fernando, sorrindo para Julia e para o casal amigo, aguardou os comentários. Sentia uma satisfação intensa porem indefenida, sublime, agradecendo-se intimamente pelo acto que praticara, continuando a desfrutar do espanto, da surpresa e da incredulidade manifestada pelo empregado de mesa. E prometeu a si mesmo que, se o sonho continuasse a concretizar-se , voltaria e voltaria e voltaria  a dar, tudo o que tivesse que dar e que a sorte lhe proporcionasse.
       Julia, depois de alguns segundos a olhar, sorrindo, para Fernando, abraçou-o e beijou-o, enquanto Carlos e Laura se levantavam e tambem os abraçavam.
              - Esperamos que essa sorte te acompanhe para podermos passar mais momentos tão bons como este. E sorte...Vocês sabem o que disse Ofídio sobre a sorte? "A sorte afecta tudo, lance sempre o seu anzol, no riacho onde menos esperar haverá um peixe" - E Laura continuou:
              - Eu sei uma de Séneca: "A sorte respeita os valentes, e oprime os covardes".
              - Já agora, eu tambem tenho uma, esta de Tenessee Williams: "sorte é acreditares que tens sorte".- rematou Julia.
              - Bem, meninos, acabem lá com essas manifestações de falsa cultura. Sabem que mais? Parece-me que o próximo passo será tentar de novo a lotaria, peço que me ajudem a encontrar aquele cauteleiro e me auxuliem a distribuir o prémio gordo que me vei sair - disse Fernando.
              - Olha maridinho, vê lá se te enganaste e deste ao empregado de mesa uma aposta sem prémio, olha que com o bilhete dos vinte mil contos... Vê o que ele pensaria de ti se agora te tivesses enganado ou se a senhora do quiosque...Não, ela não se enganou, viu o prémio na máquina.

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          Foi o início do cumprimento da regra da sorte. Vejamos se seria permanente, se existiria vontade e empenhamento na sua aplicação.


                                                                   VIII


          Os dois casais enfiaram-se no automovel do Carlos, deixaram Algés e meteram-se no caminho de Sintra. Julia e Laura comentavam, com risos e galhofa, a conversa durante o almoço. Os maridos iam falando na política do governo, os avanços da corrupção  e da crise, as últimas novidades da indústria automovilística. Nunca referiam problemas no emprego, nunca falavam mal de quem quer que fosse e evirtavam sempre , sem esforço, assuntoss desagradaveis.
          Laura, de súbito, elevou bastante a voz, muito acima do  ruido do transito e exclamou:
              - Então queres tu que eu acredite que, se vocês obtiverem de novo um prémio de jôgo de vinte mil contos ou coisa parecida, o teu marido vai disttibuir todo esse dinheiro pelos pobres?
              - Parece-me que sim, já viste o que ele fez aos cem contos!
              - Não te dá  a ti nem sequer uma comissãozinha? Além disso, vocês são casados com comunão de bens e tu...
          Fernando, que interrompera a aconversa com o Carlos, afirmou:
              - Não serviria de nada, não é Julia? O nossos partão dos sonhos não autorizaria...
              - Mas, olha lá, se já tiverem a massa na mão ou na vossa conta o dinheiro do prémio?
(continua)










  

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